Foto: Joseph EID|AFP 

O número de pessoas que vivem neste lugar protegido como património mundial da UNESCO passou de 8.000 em 1959 para mais de 100.000. O rebanho cresceu mais depressa, de 260.000 cabeças em 2017  para mais de um milhão agora.

A Tanzânia autoriza as comunidades autóctones, como os massais, a viver em certos parques nacionais. Porém, nestes últimos tempos, as relações entre pastores e a fauna selvagem estão a entrar cada vez mais em conflito. Por vezes, os animais chegam a atacar os humanos ou ao seu rebanho.

A presidente Samia Suluhu Hassan deu um grito de alarme em 2021. "Ngorongoro está a perder-se", lamentou.

"Havíamos acordado em convertê-la em algo único ao autorizarmos os humanos e os animais a viver em conjunto, mas a população humana está a fugir do controlo ", declarou, solicitando estudos de medidas para desacelerar o fluxo da população.

Desde então, cresce o debate sobre uma eventual expulsão dos massais deste parque, conhecido pela sua cratera vulcânica.

O primeiro-ministro, Kassim Majaliwa, propôs um programa de realojamento voluntário no distrito de Handeni, a 370 quilómetros da cratera de Ngorongoro, onde o governo dispõe de 162.000 hectares para os criadores de gado.

Massai Tanzania
créditos: Joseph EID|AFP

Presença histórica

A comunidade massai está dividida sobre o tema. Para muitos, Ngorongoro é a única casa que conheceram. "O meu pai e a minha mãe nasceram aqui e nós vivemos aqui. Não estou preparada para partir", assegura uma mulher que só quis partilhar o primeiro nome, Rose, por receio das autoridades.

Desde muito antes da criação — nos anos 1959 —, dos parques nacionais destinados a atrair turistas, os massais co-habitavam com a natureza no Serengeti ou em Ngorongoro.

Porém, com as mudanças climáticas, que provocam períodos de seca cada vez mais longos, os criadores de gado e os rebanhos disputam a água e a comida com os animais selvagens.

A presença do rebanho e o ruído dos sinos das vacas fazem alguns animais fugirem o que ameaça a atividade turística, que representa 18% do PIB do país.

"Se deixá-mo-los fazer, vamos perturbar a grande migração dos búfalos", estima um responsável ambiental, que pediu anonimato por razões de segurança.

Durante uma visita da AFP na região no começo de março, somente algumas zebras eram vistas próximas aos massais.

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