
Gaza é uma encruzilhada comercial, ponto de encontro entre a Ásia e a África. "Durante milénios, foi o destino da rota das caravanas, um porto que desenvolveu a sua própria moeda", explicou à imprensa a curadora da exposição, Elodie Bouffard.
'Tresors sauves de Gaza - 5000 ans d'histoire' (Tesouros resgatados de Gaza, 5.000 anos de história") é o título desta retrospetiva que, até 2 de novembro, reúne peças como um vaso de 4.000 anos, um mosaico do século VI e uma estátua de Afrodite de inspiração helenística.
Após os ataques do Hamas no sul de Israel a 7 de outubro de 2023, que causaram 1.218 mortos, o exército israelita lançou uma operação militar que vitimou mais de 50.000 palestinos, número que pode ser muito maior, a calcular com as vítimas desaparecidas.
Através de imagens de satélite, a UNESCO documentou danos a 94 locais históricos na Faixa de Gaza, incluindo o Palácio Pasha, construído no século XIII.
A origem desta exposição vem de outra guerra, a de Israel no sul do Líbano, que eclodiu após repetidos ataques de mísseis do movimento xiita Hezbollah.
No final de 2024, o IMA preparava uma exposição sobre as ruínas do sítio arqueológico de Biblos, no Líbano,cujos bombardeamentos israelitas tornaram inviável.
"Paramos de repente, mas não queríamos desanimar", explica Elodie Bouffard.
O IMA decidiu montar esta exposição de tesouros de Gaza em apenas quatro meses e meio, utilizando 529 peças armazenadas desde 2006 em caixas em Genebra, propriedade da Autoridade Palestina.

Esse património começou a ser redescoberto após os Acordos de Oslo de 1993.
Em 1995, o Serviço de Antiguidades de Gaza foi criado, iniciando as primeiras escavações arqueológicas em colaboração com a Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém (EBAF).
Ao longo dos anos, foram descobertos, entre outros, vestígios do Mosteiro de Santo Hilarião, do antigo porto grego de Anthedon e de uma necrópole romana. Esses locais históricos testemunham marcas de várias civilizações, desde a Idade do Bronze até as influências turcas do final do século XIX.
As escavações em Gaza foram interrompidas com a ascensão do Hamas ao poder em 2007 e a imposição do bloqueio israelita.
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