Na proposta aprovada, Joana Galhano, da Divisão de Cultura da autarquia, afirma que a fábrica criada em 1936 por Manoel Vieira Araújo, então industrial da chapelaria local, "é um dos exemplos máximos de uma empresa que, pela sua história e características singulares enquanto única no género, ainda sedeada no seu complexo original e detentora de processos de fabrico do início do século XX, é fiel depositária de todo um património histórico, social, técnico, industrial e identitário que cumpre salvaguardar".

Resultando da aquisição da antiga Faria, Cacheux & Cia., fundada em 1907 em Vila do Conde e então também conhecida como Portugália ou Fábrica Portuguesa de Lápis, a Viarco é ainda apontada como "um forte ativo na valorização empresarial e criativa de São João da Madeira", quer pelas residências artísticas e projetos culturais que promove, quer pelo seu contributo para o desenvolvimento do território enquanto membro do programa municipal de Turismo Industrial, no âmbito do qual já recebeu mais de 58.000 visitantes desde 2012.

Considerando que os bens culturais afetos à marca "refletem valores de memória, antiguidade, autenticidade, raridade e singularidade", Joana Galhano defende que a Viarco "deve ser objeto de especial proteção e valorização".

José Vieira Araújo, administrador da empresa a classificar, concorda com essa perspetiva: "Há muito tempo que digo à minha família que aquele património já não nos pertence, salvo seja, porque tem uma importância que vai para além da mera posse e propriedade".

Representando a quarta geração da família fundadora da marca, o empresário disse à Lusa que, em paralelo ao procedimento de classificação municipal da empresa, está ainda a decorrer um processo de musealização da fábrica que reflete a mesma estratégia de salvaguarda. Esse procedimento permitirá preservar em cada setor da produção equipamentos considerados "inamovíveis" por testemunharem a evolução da marca e da própria indústria de lápis, como é o caso de máquinas datadas de 1907.

"São positivas todas as medidas que contribuam para garantir que este património estará sempre protegido no futuro e isso não quer dizer que a empresa vai ficar parada ou que a sua laboração vá diminuir. Sempre houve movimentação de máquinas dentro da fábrica e estes dois processos não vão impedir que a empresa continue a sua vida nem condicionar a sua organização e desenvolvimento", assegurou José Vieira Araújo.

A medida partiu do atual executivo PS com base num procedimento iniciado durante a anterior gestão camarária e que hoje, em reunião do executivo, também mereceu a aprovação dos vereadores sociais-democratas, que concordaram que o património imóvel e móvel da empresa é, como refere a proposta dos socialistas, "de interesse municipal por representar um valor cultural de significado predominante para o concelho".

O processo de classificação aprovado pelo executivo de São João da Madeira será conduzido por uma equipa constituída por membros do município e da Viarco, assim como por representantes da Associação de Arqueologia Industrial e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

As entidades trabalharão com vista à "investigação, inventário e instrução" do procedimento de classificação, o que também passará pela "disseminação periódica e sistematizada dos resultados do processo em eventos científicos como jornadas, seminários, mesas-redondas e publicações", dirigidas tanto à comunidade de investigadores como à sociedade civil.

Fonte: Lusa

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