
O almoço foi servido com a harmonização de vinhos premiados da região da Beira Interior, uma loucuraaaaaaaaa para quem gosta de apreciar as castas por regiões, tipo "euzinha".
Para abrir o apetite, chegou à mesa um amuse bouche repleto de charme em bom gosto, o “Carabineiro com Ar de Amêijoas” fez-me mergulhar no mar em plena Covilhã, a delicadeza do sabor conjugado com o seu aroma, tornou este pequeno prato num momento inesquecível!
Como entrada, um carpaccio de bacalhau laminado com palmitos au sauté, maçã verde e um sorbet de tomate terrivelmente viciante. Um prato elegante! A frescura do bacalhau é esplendorosa e casa na perfeição com o palmito.
Quando pensava que era impossível ficar mais surpresa, eis que surge um risoto com polvo assado, que me deixou com vontade de ir correndo à cozinha, para pedir a receita. As notas de parmesão ficaram uma loucura com o polvo, e a cremosidade deu a verdadeira autenticidade ao risoto.
Como carne, o chef Hugo Araújo nos preparou um angus beef e rabo de boi com batata gratinada em queijo da Serra da Estrela, acompanhado de cogumelos morelles e shitake. A cada garfada, eu só pensava: “Dios mío, estoy en el cielo!” (sim, só consigo pensar em espanhol, o idioma em que fui alfabetizada). A mistura de carnes é tão bem conseguida que fica impossível pensar em uma sem a outra!
E na hora do “bye bye dieta!”, olhei para o prato e morri de pena de mexer em qualquer pedacinho do empratamento. Dava para ver que tudo estava colocado ao pormenor e assim foi! Ravioli de maçã com creme inglês, gelado de nata e canela. Tudo tão suave, com a assinatura da maçã e a canela a brilharem! Das sobremesas com mais sentimento que já provei!
Quando o chef sentou à mesa connosco e começou a contar um pouco o seu trajeto, logo entendi tudo! A sua cozinha, ou melhor, tudo o que provei naquele almoço fazia parte dele, de sua história. Foi na Dinamarca, que descobriu a importância de respeitar os sabores. Em África, o reaproveitamento alimentar. E há pouco mais de um ano no H2OTEL encontrou o que todos os chefs estão à procura: “Este ambiente me inspira. Faço muitas corridas e no meio encontro sempre cogumelos e ervas deliciosas. A neve, toda esta paisagem é inspiradora”, me confidenciou.
A intimidade com os tachos começou cedo, os pais trabalhavam muitas horas fora de casa e ele prontamente “pegou” o gostinho pela gastronomia. Estudou na Escola do Estoril e logou passou pela sua melhor lição de vida: “Não seria o que sou hoje se não fosse pela Marinha, onde aprendi a fazer comida portuguesa em qualquer parte do mundo”. Uau, fascinante! Acreditem, o António e eu ficamos deliciados a ouvir as suas histórias e, no final, ainda houve uma troca de receitas. Dei ao chef a minha receita de brigadeiro brulêe, hahaha!
Volto muito em breve, me aguardem!
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