O projeto “Caminhos da Região de Coimbra” tem como objetivo promover os recursos naturais da Região através de uma rede de trilhos pedestres, desde pequenas rotas, perfeitas para se fazer num dia, às Grandes Rotas do Alva, Bussaco e Mondego, que proporcionam vários dias de caminhadas e experiências associadas.

Ao longo de dois dias, numa viagem que começou em Coimbra, tivemos a oportunidade de passar por Penacova com as suas paisagens únicas e praias fluviais; pela encantadora aldeia de Avô, onde o tempo passa mais devagar; pelo Paul de Arzila, numa experiência verdadeiramente única na natureza; pelo histórico castelo de Montemor-o-Velho e pelas Salinas de Figueira da Foz, onde vemos nascer o sal. Tudo isto, temperado com pessoas encantadoras e a gastronomia única da região.

Dia 1: De Penacova a Avô

Chegamos a Coimbra de manhã e partimos para Penacova. Na viagem, em direção à praia, no Restaurante Panorâmico, tivemos oportunidade de experimentar dois doces típicos da região: as nevadas e os pasteis de Lorvão.

Nevadas e Pastéis de Lorvão
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Tão maravilhosa quanto os doces típicos é a vista da esplanada para a Praia Fluvial do Reconquinho. Com o rio Mondego a serpentear por entre o vale e um casario na margem, é o cenário perfeito para um postal turístico.

Mas esta não é, nem de perto, a única paisagem incrível que iríamos encontrar na nossa viagem.

Vista para a Praia Fluvial do Reconquinho
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Depois de apreciarmos o rio Mondego ao longe, descemos para apreciar o rio Alva de perto, ao longo do percurso PR3 PCV – Rota do Alva – parte da Rede de Percursos Pedestres de Penacova. Trata-se de uma rota circular com mais de 12 quilómetros, da qual só percorremos uma pequena parte.

Praia Fluvial do Vimieiro

Depois de caminharmos ao longo dos marachões – muros de xisto usados para conter a água do rio e dividir terrenos – chegamos a um dos locais mais maravilhosos desta viagem: a Praia Fluvial do Vimieiro.

Junto à praia encontramos duas rodas: uma que aciona a rotação das mós do moinho de cereais, aqui chamado de moenda, e a outra que serve para a elevação de água e utilização na rega das culturas agrícolas nas ínsuas. A praia, com bandeira azul, é muito bonita e tem uma paisagem natural incrível. Rica em natureza, mas também em história e cultura, com moinhos que tornam o cenário pitoresco, tem ainda um parque de merendas perfeito para piqueniques tranquilos ao som da água a correr.

Praia Fluvial de Vimieiro
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Quem não quiser fazer um piquenique, pode fazer as suas refeições no restaurante Vimieiro. O espaço é muito elegante e os pratos vão dos petiscos aos pratos tradicionais com um toque de originalidade. Além da comida deliciosa, a vista para o rio torna tudo ainda mais agradável.

Avô, Oliveira do Hospital

Com o tempo contado, não tivemos oportunidade de percorrer o restante da rota – Quem sabe numa outra oportunidade! – e fizemos uma curta viagem de carro até Avô em Oliveira do Hospital.

Antes de descer para a aldeia, paramos no miradouro Varandas de Avô, de onde temos uma perspectiva perfeita de uma das paisagens mais bonitas de Oliveira do Hospital.

Varandas de Avô
Susana Sousa Ribeiro

Podemos ver o rio a serpentear por entre os montes, num cenário em tons de verde pintado pela povoação de Avô, com algumas dezenas de casas ao fundo.

Estacionamos junto à igreja matriz e ao coreto e descemos a rua até onde o Rio Alva se encontra com a Ribeira de Pomares, formando assim a chamada Ilha do Picoto. Com uma paisagem fascinante, em que a ponte de um só arco une as duas margens entre a vegetação e com os montes ao fundo, uma casa em tons de vermelho é um ponto de cor entre os tons de verde e torna o cenário extremamente pitoresco. Perfeito para um cartão postal. Ou, na atualidade, perfeito para o Instagram.

Avô
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Quando percorremos as ruas de Avô, só sentimos a calmaria de uma pequena aldeia. Os habitantes espreitam pelas janelas e perguntam-nos o que estamos a fazer, outros conversam connosco durante vários minutos e mais seriam se não tivéssemos de continuar. Ofereceram-nos licor, amêndoas e várias bênçãos. Acolheram-nos imediatamente como os avós fazem. Pelas ruas, encontramos vários gatos que vinham ao nosso encontro.

Castelo de Avô

A estrutura do Castelo de Avô inclui as ruínas da Ermida de São Miguel. Durante o reinado de D. Afonso Henriques, Avô era já couto da coroa e foi doado pelo rei à sua filha bastarda, D. Urraca Afonso, mulher de Pedro Viegas, filho de Egas Moniz.

Durante o reinado de D. Sancho I, o castelo de Avô foi destruído, devido a desentendimentos entre D. Sancho I e D. Pedro Soares (Alcaide-mor do castelo de Avô), reconstruído mais tarde no reinado de D. Afonso II. No entanto, já durante o reinado de D. Sancho II, o castelo volta a sofrer a destruição devido à guerra civil entre o rei D Sancho II e de D. Afonso III.

O Castelo de Avô, embora passe despercebido na maioria dos roteiros turísticos, é um importante testemunho da história de Portugal e tem uma vista incrível para o resto da aldeia.

Saímos do Castelo e voltamos a percorrer a rota PR4 OHP, pelos caminhos de xisto de Avô, com oito quilómetros de extensão e seguimos até ao próximo ponto de interesse do percurso: a calçada romana, que em tempos ligava a aldeia a Comínbriga.

O último ponto da nossa caminhada – que poderia ser o primeiro ou o do meio já que o percurso é circular – é a incomum Ponte das Três Entradas. Estas três entradas atravessam dois rios, no local em que o rio Alvôco encontra o rio Alva, existindo assim um cruzamento no centro da ponte.

Restaurante Refeitro
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Ao fim do dia regressamos a Coimbra, para jantar no Restaurante Refeitro, um espaço muito bonito que ocupa o edifício de uma antiga fábrica de cerâmica. Ainda é possível ver os fornos onde as peças de cerâmica secavam e jantamos mesmo por baixo de uma antiga chaminé. A fábrica continua a funcionar num espaço junto ao que pode mesmo ser visitado. Os pratos estavam irrepreensíveis e as saladas simplesmente divinais.

Onde dormir em Coimbra

Nesta passagem por Coimbra, passamos a noite no centro da cidade no Tivoli Coimbra. Muito confortável, bem localizado e com uma equipa simpática. O pequeno-almoço também é ótimo e tem estacionamento incluído.

Dia 2: Reservas Naturais, Castelos e Salinas

No segundo dia desta viagem, tivemos oportunidade de visitar o Paul de Arzila, o Castelo de Montemor-o-Velho e também as salinas de Figueira da Foz.

Paul de Arzila

Chegamos ao Centro de Interpretação do Paul de Arzila onde encontramos o vigilante da Natureza do ICNF que nos acompanhou na visita à Reserva Natural do Paul de Arzila. A reserva foi criada para proteger uma zona alagadiça de importância reconhecida internacionalmente na Ribeira de Cernache, junto ao Rio Mondego. Como a zona é muito húmida, é aconselhável o uso de calçado impermeável, uma vez que certas zonas estão completamente inundadas.

Reserva Natural do Paul de Arzila
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Ao longo da visita, que deve ser feita em silêncio, de forma a não assustar os animais, é um verdadeiro encontro profundo com a natureza em estado puro. A zona tem uma vegetação muito diversificada, que atrai um grande número de espécies animais.

Durante a visita, tivemos oportunidade de ver alguns ninhos de chapins e conhecer mais sobre a espécie. A nível de fauna, destaca-se o bunho, comum nas zonas húmidas, usada em diversas peças de artesanato, das quais se destacam aquelas que ficaram conhecidas como esteiras de Esteiras de Arzila. Algumas esteiras e outras peças feitas com bunho podem ver vistas no Centro de Interpretação do Paul de Arzila.

Centro Interpretativo da Reserva Natural do Paul de Arzila
créditos: Susana Sousa Ribeiro

Castelo de Montemor-o-Velho

Depois do almoço no parque de merendas de Montemor-o-Velho, tivemos oportunidade de fazer uma visita rápida ao Castelo. Do alto do seu monte é possível apreciar a extensa e bela planície de arrozais do Baixo Mondego.

Castelo Montemor-o-Velho

Rota das Salinas

A Rota das Salinas, na Figueira da Foz, tem 4,6 quilómetros e é um percurso circular, entre salinas seculares e tanques de pisciculturas. É um verdadeiro museu vivo para os amantes da natureza e das artes relacionadas com a cultura do sal.

A caminhada pode ser feita de forma autónoma, mas com um guia torna-se muito mais enriquecedora. Durante esta visita, fomos acompanhados por Gilda Saraiva que, apesar de se ter formado em arquitetura, quis recuperar a ligação que a sua família teve, no passado, com a produção de sal e, hoje, trabalha no Núcleo Museológico do Sal. Tornou-se marnoteira ou marnota – nome dado a quem trabalha nas salinas – e é com paixão que nos passa os seus conhecimentos ao longo da visita.

Salinas da Figueira da Foz
Susana Sousa Ribeiro

Ao longo do percurso, podemos assistir ao processo e à “viagem” da água até ser transformada em sal. Gilda apresenta-nos as diversas plantas existente ao longo do caminho, como a salicórnia ou a gramata. Mostra-nos o junco que cresce junto à água e mostra-nos também naquilo que ele se pode transformar, já que ela própria cria artesanato a partir dele.

Artesanato feito com junco
Susana Sousa Ribeiro

Além da flora, o local é também rico a nível de fauna e acabamos por nos cruzar com espécies como a garça-real, a andorinha-do-mar, o pato-real e, claro, os emblemáticos flamingos que calmamente passeiam pelo local.

Um dos factores que tornou a experiência ainda mais interessante, foi o facto de nos termos cruzado com dois trabalhadores – marnotos – a retirarem a água dos compartimentos da salina. É um trabalho duro, especialmente quando é feito debaixo de um sol abrasador.

Salinas da Figueira da Foz
créditos: Susana Sousa Ribeiro

O processo até ao produto final – o sal – é longo e é trabalhoso, mas é feito com alegria. Os dois marnotos retiram a água das salinas com movimentos ritmados, como se de uma dança sincronizada se tratasse, parando apenas para cumprimentar quem passa, com um sorriso na cara, de quem ama o que faz.

Núcleo Museológico do sal

No Núcleo Museológico do Sal é possível ficar a saber mais sobre cinco grandes temas: O que é o Sal; O Sal na Natureza; História do Sal em Portugal; A Tecnologia do Sal na Figueira da Foz e O Ciclo de Produção; e As Salinas e a Conservação da Natureza.

Também é possível assistir a um vídeo onde é mostrado todo o (longo) processo de produção do sal. Subindo ao topo do edifício é possível ter uma deslumbrante vista panorâmica sobre as salinas e ver os dois flamingos rosa,  em fibra de vidro, da autoria do escultor António Faustino.

Pastel de Tentúgal

Com a viagem a terminar e já no caminho de regresso a Coimbra, nada melhor do que parar em Tentúgal para saborear um dos seus icónicos pastéis. Na pastelaria Moinho Novo, além de termos a oportunidade de comer o delicioso Pastel de Tentúgal, também podemos assistir à sua incrível confecção.

Através de um vidro, podemos ver uma senhora a estender pacientemente a massa, de forma a que fique fina “como cabelos de anjo”, o que torna estes pastéis tão únicos e deliciosos.

Pastelaria Moinho Novo
créditos: Susana Sousa Ribeiro

De coração (e estômago) cheio, demos por terminada esta viagem, com a certeza de que voltaremos.

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