Por enquanto, sente-se apenas o cheiro da tinta usada para renovar um dos espaços que serão ocupados por empreendedores e que vão dividir o mercado, lá para meados de 2017, com vendedores de produtos mais tradicionais e que atualmente não ultrapassam os dedos de uma mão.

Nascido em França, com pais portugueses, Charles Rosário escolheu viver em Lisboa e ao ensino de artes juntou um projeto sob o lema “não compre azulejos roubados, compre azulejos de sabão”.

Depois de usar uma cozinha, o lusodescendente chegou ao FabLab de Lisboa - a funcionar no Mercado do Forno de Tijolo - para encontrar as melhores soluções técnicas e agora prepara a mudança para outro espaço autárquico lisboeta.

“Este projeto é também para não comprar azulejos roubados porque pouco a pouco a pele de Lisboa está a desaparecer e depois a ter lugar numa cozinha em Amesterdão, Paris ou em qualquer lado, onde se torna um ‘bibelot’ e é pena”, diz o empreendedor à Lusa, com o sotaque francês que nunca perdeu, mesmo vivendo em Portugal há 18 anos.

Estar ao lado de quem produz candeeiros com material reciclável ou vende peixe, além de misturar cheiros, dá “uma certa alquimia”, acrescenta o fundador da Lisbão.

O ‘vizinho’ do lado vai ser Duarte Vasconcelos, que cria e fabrica impressoras 3D e que para outubro prevê lançar um produto “ainda mais acessível, em forma de kit, que terá um preço seguramente abaixo dos 400 euros”.

Depois de ter também passado pelo laboratório de fabricação digital e prototipagem (Fablab) de Lisboa, este projeto chega a S. Domingos de Benfica com a crença de ali ser “um bom ponto de partida para o crescimento”.

O responsável da Blocks espera que a equipa passe dos atuais cinco elementos para um número que não caiba no espaço, alocado por um máximo de quatro anos.

A ideia “é haver uma certa rotatividade” no mercado para que quem começa seja apoiado e com valores de renda acessíveis.

Neste local que se quer afirmar como “mercado da inovação” também haverá uma loja partilhada, um forno coletivo para cerâmica e de vidro, vários espaços para alugar, incluindo uma cozinha, e o envolvimento de desempregados.

O presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, António Cardoso, diz que foi de “coração aberto” que os atuais vendedores do mercado receberam a ideia, havendo, porém, a exceção à regra: “A uma pessoa, que já tem uma idade avançada, fez alguma confusão estar aqui no mercado, onde já está há mais de 40 anos, e vir alguém fazer sabonetes”.

“Todos os outros acharam por bem e obviamente aceitaram porque é uma forma de dinamizarmos o mercado e trazermos gente, que é isso que se pretende”, concluiu.

Maria Elisabete apresenta-se como um dos “elementos da velha guarda”, ao explorar o café/restaurante do mercado quase há 40 anos.

“Já vi muita coisa. Eu espero renovação, espero melhorias, espero que a palavra que me foi dada e as promessas que me foram feitas sejam realmente realizadas porque com a idade que tenho não estou em posição de largar isto”, adianta a comerciante, que espera tirar teimas dentro de mais ou menos oito meses.

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