Francisco Lopes, presidente da CIM Douro e da Câmara de Lamego, não estranha as críticas lançadas pelas operadoras turísticas ao “mau serviço” prestado pela transportadora ferroviária na linha do Douro, porque diz que é uma situação que se verifica “há muitos anos”.

Durante o fim de semana, três operadoras alertaram para as “ligações suprimidas em cima da hora, sobrelotação das carruagens, faltas de manutenção e avarias recorrentes do material circulante, falhas nos sistemas de ar condicionado, carruagens grafitadas (vidros incluídos) e o recurso reiterado a autocarros que fazem por via terrestre o percurso que milhares de turistas antecipadamente escolheram fazer por ferrovia”.

Em resposta, a CP reconheceu que está a ter dificuldades em responder ao aumento da procura na linha do Douro, porque “a capacidade não é ilimitada”, e adiantou que está a tentar encontrar soluções com a tutela.

“O que é preocupante a meu ver é que, ao fim de tantos anos, a situação não tenha melhorado e antes se tenha degradado. Esse é que é efetivamente o grande risco, o risco de que a oferta de transporte ferroviário no Douro se torne de tal forma degradada que não é apelativa para nenhum setor de atividade”, sublinhou.

Ou seja, continuou, “que os operadores de transporte fluvial deixem de usar o comboio como alternativa de regresso ou de acesso, a hotelaria deixe de aconselhar os seus turistas a deslocarem-se de comboios e que as pessoas que estão aqui alojadas e que gostavam de ir ao Tua ou ao Pocinho se inibam de o fazer”.

Francisco Lopes disse que “é urgente que os responsáveis da CP olhem para a linha do Douro, para o Douro, e consigam responder de forma adequada a este desafio que a região e as suas estruturas turísticas lhe estão a lançar, trazendo pessoas que querem também usar o comboio”.

E considerou que, se a CP “não é capaz de saber prever a procura que vai ter no mercado turístico emergente como é o Douro, então algo está mal”.

“Ou só está preocupada com os suburbanos, que lhe dão eventualmente maior volume de negócios ou sustentabilidade, e não olha para outras responsabilidades que tem no resto do território ou, então, simplesmente [os seus responsáveis] estão distraídos do ponto de vista comercial e não percebem que têm aqui um filão que têm que explorar”, salientou.

O autarca frisou que a transportadora tem “essa obrigação para responder às necessidades das populações e, também, para viabilizar uma empresa que tem uma sustentabilidade muito difícil e não pode desperdiçar recursos ou oportunidades”.

“Algo tem que ser revisto e, obviamente, que a CIM está disponível para participar nesta discussão com a CP, os operadores turísticos e s restantes estruturas da sociedade civil empenhadas nestas matérias”, frisou.

O presidente da CIM lembrou que os autarcas da região já se pronunciaram anteriormente sobre as questões da ferrovia na região, nomeadamente em temas como o encerramento da linha do Corgo, a alteração do material circulante na linha do Douro, os atrasos dos projetos de infraestruturação (eletrificação) e na reivindicação pelo regresso do comboio a Barca de Alva.

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