É uma manhã de primavera e conduzimos em pleno coração do Gerês, junto ao rio Cávado. É possível ver a barragem da Caniçada ao longe, elegantemente decorada com uma gigantesca obra de arte de Vhils. Não deixa de ser curioso ver a paisagem natural atravessada por uma imponente infraestrutura de betão, delicadamente decorada com arte urbana, numa fusão entre os novos tempos e a paisagem de sempre.

Projeto de Vhils na Barragem da Caniçada

É na margem da barragem da Caniçada, junto à albufeira que encontramos a Quinta dos Carqueijais. Escondida no coração do Gerês, no meio da natureza está uma quinta com várias villas. A descida da estrada principal até à entrada da quinta é sinuosa, estreita e com algumas curvas, mas o que encontrámos no final é algo muito semelhante a um paraíso na terra. A Quinta dos Carqueijais tem seis villas: Villa Panorâmica, Villa da Árvore, Villa das Oliveiras, Villa de Pedra, Villa dos Plátanos e o local onde fomos felizes, a Villa da Floresta.

Escondida entre as árvores, a Villa da Floresta tem uma ampla varanda de onde não apetece sair. Completamente isolados do mundo, rodeados de árvores mas, ainda assim, com uma vista incrível para a albufeira da Caniçada é possível relaxar ao som dos pássaros.

Somos recebidos pela Inês e pelo Fábio com uma fatia de bolo e um café que tomámos na grande sala envidraçada, enquanto planeámos o que visitar nas redondezas, mas a verdade é que já nem queremos sair. A Villa da Floresta é a maior e tem seis suites, sendo assim possível reservar a casa inteira ou as suites em separado. A sala é um espaço comum, muito bem decorada e acolhedora onde é possível ler, ver televisão e conviver com os outros hóspedes. A quinta não tem restaurante, embora seja um plano para o futuro, mas rapidamente a Inês nos dá sugestões de locais onde podemos almoçar e um roteiro de dois dias do que fazer no Gerês. Precisamos ser sinceros, apesar do roteiro pelas cascatas, miradouros e museus ser muito tentador, a vontade era ficar exatamente onde estávamos: num cenário de sonho.

Acabámos por seguir a recomendação da nossa anfitriã e fomos almoçar ao restaurante Lurdes Capela, no centro da Vila do Gerês. O espaço é acolhedor com um ambiente familiar e a comida não desilude. Vale a pena provar a posta à Lurdes Capela e, para sobremesa, o pudim Abade de Priscos.

No fim do almoço, partimos à descoberta do miradouro da Pedra Bela, um dos locais assinalados no mapa e um dos miradouros mais bonitos e mais visitado do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Situado a 829 metros de altitude tem uma vista deslumbrante para a albufeira da Caniçada e para o vale do Gerês. Aqui é possível respirar o melhor do Gerês num cenário encantador. O dia estava agradavelmente quente, e apesar de um roteiro que incluía várias paragens, acabamos por voltar à quinta e mergulhar na albufeira, à qual podemos aceder através do ancoradouro disponível. Aproveitar o sol e ouvir os pássaros, num cenário que poderia ter sido pintado numa tela, é uma atividade relaxante, que reforça a certeza de que este local é um paraíso bem escondido, que queremos guardar só para nós. Quando a água da albufeira se torna demasiado fria, mas a vontade de nadar ainda não desapareceu, basta pegar na toalha, voltar para casa e entrar na piscina aquecida, com vista panorâmica e teto envidraçado, de onde é possível ver o sol pôr-se.

Apesar do aproximar da hora de jantar, não queremos abandonar o refúgio, pelo que recorremos a uma das sugestões deixadas por Inês, e encomendamos comida de um restaurante que faz entregas por todo o Gerês, podendo assim desfrutar do espaço comum e conviver com os restantes hóspedes. O dia termina com jogos de tabuleiro e muitas conversas, na grande e envidraçada sala de estar, no conforto de uma casa acolhedora, ouvindo a água a correr lá fora.

A manhã seguinte começa com um agradável pequeno almoço servido na luminosa sala de jantar, o pão e os croissants foram feitos no local e os aromas locais invadem os corredores. Fazemos a refeição com calma, enquanto desfrutamos da vista e do som dos pássaros lá fora. Estamos num cenário de sonho, no meio de um paraíso natural, num ambiente familiar e num local acolhedor. Sabemos que dentro de poucas horas estaremos com as malas feitas e a conduzir para fora do Gerês mas, por enquanto, sentimo-nos em casa.

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