Piódão

Piodao
créditos: Food and Travel Portugal

Pouco mais de 60 pessoas vivem nesta aldeia, rodeada de pequenas ribeiras, no coração da serra do Açor. O Piódão, que muitos comparam a um autêntico presépio, foi-se construindo em anfiteatro, com recurso ao xisto, muito abundante na região. A circulação na aldeia faz-se por entre ruas irregulares, curtas e estreitas, ou por escadarias que dão acesso aos pontos mais altos e permitem vistas fantásticas do vale, mas também do casario de portas e janelas de madeira, pintadas de azul, imagem de marca do Piódão. A aldeia é um exemplo vivo da capacidade de adaptação das populações, noutras épocas, mesmo em ambientes de geografia difícil e vias de comunicação quase inexistentes.

Hoje, o Piódão integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal e é uma aldeia aberta ao turismo. No verão, os acessos e zonas de estacionamento em torno da povoação são escassos para acolher os inúmeros visitantes que procuram as águas frescas e as cascatas da região para um mergulho refrescante. É o que acontece na praia fluvial da aldeia, resultante de uma pequena represa que retém as águas da ribeira do Piódão, criando piscinas naturais (bandeira azul desde 2016); ou na Foz d’Égua, outra zona balnear, de águas cristalinas, a poucos quilómetros do Piódão, a que se chega descendo pequenos degraus de xisto.

Na parte cimeira do largo, fica a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, uma construção anterior ao século XIX, mas que foi objeto de uma grande intervenção em 1898, que lhe deu o atual perfil arquitetónico. A cor branca da igreja contrasta com o tom escuro do resto da aldeia o que a distingue, à distância, no meio do casario. Outros dois pequenos edifícios religiosos que merecem visita são a Capela das Almas (séc. XVIII) e a Capela de São Pedro (séc. XVII).

Dornes

Dornes
créditos: Food and Travel Portugal

Há poucas vistas tão inspiradoras como a que se obtém a partir do ponto mais histórico de Dornes, junto à misteriosa Torre Pentagonal Templária, obra do séc. XII. Daqui, as águas mansas do Zêzere e do lago formado pela construção da barragem de Castelo de Bode, são um convite para o mergulho, um passeio de barco ou um dia de pesca.

Por isso, não espanta que viva aqui o único mestre que ainda constrói os barcos de rio em madeira - o abrangel, ou barco de três tábuas -, cuja história nos leva ao tempo dos Descobrimentos, quando eram utilizados para seguir o curso dos troncos cortados nestas florestas e seguiam rio abaixo, só com a força da corrente, para a construção das naus.

Peixes e marisco do rio são depois aproveitados na gastronomia local, em pratos tão populares como a caldeirada, o ensopado e a sopa de peixe ou simplesmente para fritar ou grelhar.

Ao longo do ano, realizam-se vários meses gastronómicos no concelho de Ferreira do Zêzere, eventos em que participam os restaurantes da região e que ajudam a promover os produtos autóctones: em janeiro, as migas; em abril, o lagostim do rio; em maio, a fava; em junho, o ovo (Ferreira do Zêzere garante cerca de 40% do mercado nacional de ovos); e, em novembro, a abóbora.

Subindo as ruas empedradas, chegamos agora ao largo do santuário. A Torre Templária foi construída por Gualdim Pais, a mando de Afonso Henriques, para defesa da linha do Tejo, em cima das ruínas de uma antiga torre romana. Ao lado, a Igreja de Nª Srª do Pranto, datada de 1285, mas alterada significativamente no século XV, é de visita imprescindível, por integrar um órgão de tubos do séc. XVIII, restaurado e em funcionamento, os tetos pintados, os azulejos do séc. XVII e numerosos quadros e figuras religiosas.

Diz a lenda que um cavaleiro, instruído pela rainha Santa Isabel encontrou no meio da floresta uma imagem da Virgem Maria com Jesus Cristo, morto, nos braços. A rainha mandou então construir uma ermida neste lugar, a que foi dado o nome de Igreja de Nª Sª do Pranto. Anualmente, mais de 40 freguesias de vários concelhos limítrofes, fazem as suas peregrinações religiosas (os círios) a partir da Páscoa e com o ponto mais alto a 15 de Agosto,dia de festa grande em Dornes.

Monsaraz

Monsaraz
créditos: Food and Travel Portugal

Vista de alguns ângulos, Monsaraz parece quase uma ilha, dada a proximidade das águas do Alqueva que mudaram a paisagem alentejana. Entrar no velho castelo é como entrar no cenário de uma velha história de princesas e cavaleiros. As pequenas ruas empedradas mantêm a memória de milhares de vidas que por aqui se cruzaram. A meio do castelo, está a Igreja de Nossa Senhora da Lagoa (Igreja Matriz), construção do século XVI, mesmo ao lado do Museu do Fresco, aberto desde 2010, nas instalações de um edifício do séc. XIV (e onde se encontra um fresco do século XV com as figuras do Bom e do Mau Juíz e que esteve tapado centenas de anos até ser descoberto nos anos 50). Ainda no castelo, é de visita obrigatória a Casa da Inquisição – Centro Interativo da História Judaica em Monsaraz, uma das únicas no país, e o pelourinho oitocentista.

Seria preciso recuar vários milhares de anos para chegarmos aos primeiros homens que habitaram a região de Monsaraz. A proliferação de monumentos megalíticos nesta região, leva-nos mais de 5 mil anos para trás no tempo. Já na reconquista, Monsaraz foi tomada aos mouros, por Geraldo Sem Pavor, em 1167, mas logo de seguida foi perdida de novo. Só em 1232 se fez a conquista definitiva. Doada à Ordem do Templo, foi sede de concelho até 1851, ano em que esse estatuto passou para a vizinha Reguengos de Monsaraz.

Hoje, Monsaraz é o centro de uma dinâmica turística forte, atraída pelo rico património, pelos cruzeiros de barco no Alqueva, pela olaria histórica de São Pedro do Coval e pela memorável gastronomia alentejana.

Castelo Rodrigo

Castelo Rodrigo
créditos: Food and Travel Portugal

Lado a lado com a serra da Marofa, as velhas muralhas de Castelo Rodrigo, amparadas em grandes torreões semicirculares (cubelos), vigiam as extensas planícies que se estendem do lado português e se perdem na distância, para lá da fronteira espanhola. A história desta povoação começa muito antes do início da nacionalidade, mas é a 7 de Julho de 1664, em plena Restauração, que se desenha um facto histórico para Castelo Rodrigo: nesse dia, tropas portuguesas comandadas pelo general Pedro Jacques de Magalhães, vieram em socorro da população local, cercada pelo exército castelhano do Duque de Ossuna.

Os portugueses venceram e o confronto ficou conhecido por batalha da Salgadela (o nome do lugar onde aconteceu). Este acontecimento é agora recriado todos os anos em Castelo Rodrigo com a participação de centenas de figurantes trajando roupas da época. E, ao longo de todo o ano, vários atores vestem a pele de figuras históricas como D. Dinis ou D. João I e acompanham os turistas em visitas guiadas ao castelo e à povoação.

Entrando na aldeia de Castelo Rodrigo vamos encontrar casas de traça tradicional beirã, construídas em granito, sem reboco, de um só piso, resistentes ao passar do tempo. No interior das casas, durante o inverno, a cozinha servia de sala de estar, com a lareira a fazer o papel da televisão.

O castelo tem uma alcáçova no interior, transformada em palácio por Cristóvão de Moura, um nobre natural de Castelo Rodrigo que ficou ligado ao poder filipino – e, por isso, o palácio foi arrasado pela população enfurecida, logo em 1640, e está hoje em ruínas. Fora do castelo, temos a Igreja de Nª Sª de Rocamador (séc XIII), onde estão guardados verdadeiros tesouros, como uma estátua de São Sebastião (séx. XIV). O pelourinho manuelino e a cisterna medieval (que terá sido também uma sinagoga), são também pontos de visita obrigatória.

Fajã dos Cubres

Fajã dos Cubres
créditos: Food and Travel Portugal

A aldeia da Fajã dos Cubres está localizada num daqueles lugares improváveis do nosso planeta. Quem a visita fica maravilhado com o enquadramento natural em que foram construídas as casas de basalto, as adegas e a ermida desta pequena povoação da freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, ilha de São Jorge, Açores. O casario dispersa-se entre a falésia, que resguarda a fajã, e o mar.

A separar a aldeia do oceano, está um verdadeiro anel protector de seixos negros rolados, que transformam esta paisagem num cenário único. A completar o quadro, desenha-se a Lagoa dos Cubres, criando uma zona privilegiada para a observação de aves marinhas e migratórias.

A variedade da fauna e da flora local é um dos motivos principais de atração de turistas, seduzidos pela tranquilidade de um lugar onde ainda é possível acordar de manhã com o cântico dos pássaros. Por isso, esta área está classificada como Zona Húmida de Importância Internacional, ao abrigo da Convenção de Ramsar, de 1971.

A pesca esteve sempre ligada ao modo de vida dos habitantes da Fajã dos Cubres. Quando o mar deixa, a pesca faz-se de barco, quando as ondas não o permitem, a solução é a pesca à cana em cima das rochas. Foi assim ao longo dos tempos, numa localidade que também sofreu os efeitos de vários terramotos, como o de 1757, que destruiu a povoação por completo ou, mais recentemente, o de 1980 que também provocou estragos consideráveis.

A ermida de Nossa Senhora de Lourdes, datada de 1908, é um lugar de visita obrigatório na aldeia, até porque a sua construção – patrocinada por um benemérito da terra, emigrado nos Estados Unidos – está ligada a um episódio que ainda hoje leva ali muitos peregrinos: o aparecimento de uma nascente que estava seca há muito. A água, que corre a pouca distância da ermida, ainda é considerada milagrosa por muitas pessoas que aqui vêm banhar-se, procurando cura para vários tipos de males.

Em termos gastronómicos, São Jorge tem um trunfo precioso: a amêijoa gigante da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo, um bivalve cuja introdução na ilha está ainda envolta em mistério. O certo é que estas amêijoas são uma referência culinária e estão presentes em praticamente todos os menus.

Vir a São Jorge e não falar do queijo é impossível. A produção deste verdadeiro símbolo gastronómico da ilha é responsável por cerca de 80 por cento do valor gerado pela economia local. Os queijos são enormes rodas de 10 a 12 quilos, conhecidas no mundo inteiro. O queijo de São Jorge não é a mesma coisa que o queijo da ilha, como gostam de especificar os produtores locais. Este é feito de leite cru, os outros usam leite pasteurizado, e isso faz a diferença.

Rio de Onor

Rio de Onor
créditos: Food and Travel Portugal

De Bragança a Rio de Onor é um saltinho. Tempos houve em que esta distância curta de 26 quilómetros, por falta de estradas, era um obstáculo intransponível. A aldeia, separada pelo pequeno rio que lhe dá o nome, lado a lado com a vizinha aldeia espanhola, Riohonor de Castilla, foi desenvolvendo métodos próprios de organização, formas criativas de escapar ao isolamento e de resolver em comum os problemas que eram de todos. O pastoreio dos animais, o trabalho da azenha ou o forno do pão foram sempre geridos de forma comunitária e os problemas resolvidos no conselho da aldeia, formado pelos cerca de 50 chefes de família.

Em Rio de Onor nunca se usou a palavra fronteira, sempre se passou livremente de um país para o outro. Mesmo quando a guarda-fiscal, a seguir ao 25 de Abril, pôs uma corrente a separar a estrada entre as duas aldeias – e os dois países - os habitantes abriram um caminho mesmo ao lado e continuaram a passar com os seus animais e alfaias agrícolas. A corrente foi retirada em 1990.

Da tradição e do convívio entre os povos das aldeias dos dois países, surgiu uma nova linguagem, o rionorês, dialeto ainda hoje falado por alguns habitantes com orgulho. O casario preservado, de pedra entalhada, todo uniforme, é um convite a apreciar a arquitetura simples desta aldeia integrada no Parque Natural de Montesinho.

Sistelo

Sistelo
créditos: Food and Travel Portugal

Chegar a Sistelo é entrar numa paisagem natural esmagadora. A aldeia, construída junto ao rio Vez, está no centro de um cenário moldado por socalcos, uma enorme escadaria verde cavada pelos homens e que desce dos pontos mais altos até ao vale, criando as condições para a prática da agricultura e da pecuária. Pelas encostas pastam vacas das raças autóctones Cachena e Barrosã, símbolos máximos da gastronomia local. Localizada nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a região de Sistelo, faz parte da reserva da Biosfera Gerês-Xurés e garantiu, no final de 2017, a classificação de monumento nacional, enquanto Paisagem Cultural Evolutiva Viva.

Sistelo é uma antiga povoação medieval. Entrando pela rua principal, passamos por um conjunto de espigueiros, por uma antiga fonte, pela Casa do Castelo de Sistelo, edificada a meio do século XVIII pelos viscondes de Sistelo, e pela igreja de São João Baptista, localizada num dos topos da aldeia e cuja data de construção remontará aos finais do século XV. Ali perto, fica o pequeno café da dona Amélia, centro de convívio da aldeia e lugar frequentado por viajantes que passam pelo Sistelo e querem provar petiscos como o presunto, os pastéis de bacalhau ou a salada de orelha de porco. Aos fins de semana, quando a freguesia aumenta, há posta com batata a murro, cozido à portuguesa ou pica no chão (frango caseiro de cabidela).

Sistelo está integrada no concelho de Arcos de Valdevez cuja área total de paisagem está inserida na Reserva Mundial da Biosfera da Unesco e pode ser admirada de perto por quem percorre a Ecovia, uma linha de passadiços com mais de 30 quilómetros. Outra atração é a Porta do Mezio, uma das cinco entradas para o Parque Natural da Peneda Gerês, onde o visitante recebe todas as informações antes de se aventurar no parque, dispondo ainda de equipamentos de diversão e descanso.

A vila de Arcos de Valdevez orgulha-se da sua história ligada à fundação da nacionalidade. Aqui teve lugar o célebre recontro de Valdevez, em 1141, que opôs, num torneio medieval, os cavaleiros de Afonso Henriques e do seu primo, Afonso VII, de Castela. Para poupar homens, essenciais para o combate aos mouros, em vez de uma batalha entres exércitos, os dois primos decidiram fazer um torneio/duelo entre os seus melhores cavaleiros. Venceram os de Afonso Henriques e, pouco anos depois, em 1143, era assinado o Tratado de Zamora e Portugal ganhava a sua independência. O Recontro de Valdevez é agora recriado anualmente, em julho, no Paço da Giela, um monumento cuja arquitetura foi alterada ao longo de séculos e é hoje visita obrigatória.

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*Artigo publicado em junho de 2018

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