A Palhota terá sido um dos primeiros assentamentos dos pescadores de Vieira de Leiria que sazonalmente vinham ao Tejo pescar sável.

A aldeia foi formada há cerca de um século, o nome estará associado a uma estalagem e situa-se na margem direita do rio Tejo.

Nas últimas décadas sofreu muitas alterações, como adianta Manuel Gregório, natural da Palhota, “nasci aqui em 1957. A Palhota era diferente, havia casas de madeira na parte sul. Hoje está um pouco alterado com as construções, mas as ruas foram sempre iguais.”

Foram as cheias de 1979 que fizeram desaparecer o pequeno núcleo de casas na zona sul.

Palhota
créditos: andarilho.pt

As ruas são em terra batida e dão o protagonismo a algumas casas com tons vivos de azul e verde. A maioria tinha o revestimento de madeira, colocada em linhas verticais, mas nos últimos anos a reconstrução tem sido em alvenaria. Era o caso da habitação que Manuel Gregório estava a remodelar.Há alterações nas construções porque com as intempéries as madeiras apodrecem. A arquitetura é a mesma, não se altera. Muda-se apenas o material para ser resistente a mais anos. São casas pequenas. Aqui é um quarto, uma sala, casa de banho e varanda.”

Palhota
créditos: andarilho.pt

No início, os pescadores dormiam nos barcos. Quando se fixaram construíram palafitas e, como refere Filipa Almeida na sua tese de tese de doutoramento dedicada ao tema 'Aldeias Palafíticas Fluviais em Portugal, urbanismo e arquitetura Avieiras', a Palhota chegou a ser designada de Mouchão das Casas Altas devido às palafitas, por prevenção das cheias do rio Tejo. "Eu ainda me lembro de ficar com água até ao joelho numa cheia. Está ali a marca do nível da água em 1979. Foi a cheia maior que existiu e nós ficamos aqui no meio da água. A água chegava à altura dos pilares. Nós tínhamos os barcos atados com uma corda às varandas das casas.”

Palhota
Rio Tejo créditos: andarilho.pt

Agora, mesmo com o controlo do nível da água, através de barragens, Manuel Gregório mantém os pilares na casa. “Vamos manter, tal como estava, que a gente não sabe se um dia vier uma cheia como antigamente. Antigamente os pilares eram em madeira e agora são em tijolo.”

Palhota
Cais longo para o Tejo créditos: andarilho.pt

Próximo do rio há também um cais palafítico. É um excelente miradouro para o Tejo. É onde atracam os barcos com turistas.

“Há barcos que vêm de Escaroupim e de vez em quando atracam aqui com turistas de vários países. Aparecem alemães, franceses, italianos, brasileiros... Aparece muita gente a visitar a Palhota. Mais para o verão.”

Palhota
créditos: andarilho.pt

Ao lado do cais palafítico, há pequenos barcos de pesca. A principal atividade no passado deixou de ser atrativa e o que fez diminuir o número de famílias residentes. “Há duas a três famílias, as minhas irmãs... talvez 12 pessoas. Eu não sou permanente, eu sou emigrante.”

Palhota
créditos: andarilho.pt

Com o objetivo de preservar o património imaterial e físico, uma associação criou um polo museológico numa casa avieira. Preserva a arquitetura antiga e objetos da pesca tradicional. “Tem lá as redes e por dentro alguns objetos de pesca que se usavam antigamente. Chama-se a Casa Museu.”

Num dos pilares da casa está uma homenagem a Alves Redol.

Palhota
créditos: andarilho.pt

“Um dia consegui a promessa de viver numa barraca da Palhota, lá mais acima, perto de Valada do Ribatejo, em casa de Manuel Lobo. Escritor de domingo, já autor, então, de três livros publicados, fui à cata do meu poiso para férias próximas, marcadas para a época do sável. Falei aos meus anfitriões. Tudo ficou aprazado, com a condição de eu levar mulher comigo; doutra forma a aldeia não me poderia receber. Assim fiz. E por ali andei com eles, pescando à noite...”

O resultado, publicado em 1942, é uma obra notável com o título “Avieiros”.

Palhota
Manuel Gregório créditos: andarilho.pt

É um retrato vivido da cultura avieira que muito orgulha Manuel Gregório e com a qual quer manter uma ligação perene. “Até à morte. Eu nasci avieiro, sou filho de pescador, embora não sou um grande pescador porque há cerca de 47 anos fui para o estrangeiro. Mas sou do mesmo sangue do avieiro. Venho das famílias de Caneiras de Santarém. Toda a minha família, da parte do meu pai e da minha mãe é de pescadores. Tenho orgulho em pertencer à família de avieiros.”

Palhota
créditos: andarilho.pt

Palhota uma das mais bonitas aldeias avieiras faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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