O fascínio é a primeira sensação quando se sobe ao primeiro piso do Museu da Máquina de Escrever na Golegã.

Museu da Máquina de Escrever
Entrada do museu créditos: Who Trips

O manequim com as mangas de alpaca, o carimbo, a máquina de escrever e um telefone antigo remete-nos para um passado que não está muito longe.

Algumas das mais de três centenas de máquinas de escrever que estão expostas são-nos familiares e induzem uma outra sensação, um convite para o nosso envelhecimento. Mas não é verdade. É apenas o testemunho da passagem do analógico para o digital na forma de escrever, de um sistema mecanizado para um processo digital.

Museu da Máquina de Escrever
Máquina de escrever de 1924 e contou ainda com o envolvimento de Wellington Parker Kidder créditos: Who Trips

Para a Geração Z é uma novidade e quase todos se confrontam com a mesma dúvida quando experimentam uma máquina de escrever: onde está o enter?
Outra novidade é o papel químico.

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Máquina alemã lançada no mercado em 1905. Foi muito popular e inovadora créditos: Who Trips

O fim da produção industrial da máquina de escrever é recente. Foi em Bombaim, em Abril de 2011, que a Godrej Boyce finalizou a produção industrial. Há menos de uma década.
A massificação do computador extinguiu o uso da máquina de escrever que teve o seu auge em meados do séc. XX.

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Colecção de máquinas em exposição créditos: Who Trips

Foi um objecto importante para o comércio, os serviços e em particular para a Administração Pública. É, aliás, curiosa a decisão do governo de Salazar que, em 1939, impôs um teclado, o HCESAR, nome pelo qual ficou conhecido e que correspondia às primeiras letras do teclado. Peritos fizeram um estudo das letras mais comuns do português e o HCESAR passou a ser o teclado do regime.

Museu da Máquina de Escrever
Máquina com teclado HCESAR créditos: Who Trips

Todos os fabricantes nacionais foram obrigados a seguir esta tipologia e só excepcionalmente era admitida a importação de máquinas de escrever com teclado diferente. Conforme está escrito no Decreto-Lei não há que estranhar a intervenção do Estado nesta matéria porque cabe na sua orientação de imprimir uma feição nacionalista a todos os ramos de actividade, disciplinando-os em benefício do País.

Nesta sociedade fechada e conservadora a máquina de escrever foi um instrumento importante para a entrada da mulher no mercado de trabalho. Era uma actividade socialmente aceite para as mulheres e foi um caminho para a emancipação, para diminuir a dependência das mulheres e exercerem uma profissão. Aprenderam em escolas de dactilografia e era uma competência determinante para quem queria seguir a carreira de secretariado.

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Caixas onde se guardavam e transportavam as máquinas de escrever créditos: Who Trips

A máquina de escrever era um objecto relativamente caro e os modelos icónicos, que apostavam no design, eram para as grandes empresas.
Algumas dessas máquinas eram pesadas e muito bonitas. O museu tem várias e a máquina mais antiga que está em exposição é uma Remington, de 1895. É contemporânea do processo de massificação do uso destas máquinas.

O Museu tem máquinas mais recentes e dirigidas a um público mais jovem e segmentado em função do género.

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Fitas para máquinas de escrever créditos: Who Trips

Além das máquina o museu tem ainda em exposição um conjunto assinalável de acessórios como borrachas para tinta, correctores, fitas, caixas e instrumentos de limpeza.

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O coleccionador Artur Azinhais créditos: Who Trips

Todo este material é de um particular que fez o legado à Câmara Municipal da Golegã por um período de dez anos. Artur Azinhais recolheu as máquinas e os acessórios durante 30 anos.
O Museu foi inaugurado em 2013 e está inserido no edifício da Biblioteca Municipal da Golegã.

Onde está o enter na máquina de escrever? faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Onde está o enter na máquina de escrever?, pode ouvir aqui

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