Um romance que ganha forma e se estende ao longo de uma viagem no tempo com contornos imprevisíveis. Uma saga que inicialmente teve a forma de livro pelas mãos de Diana Galbaldon mas que hoje marca o tempo e o espaço de um dos grandes sucessos da Netflix. Claire é uma enfermeira britânica que serviu na II Guerra Mundial. No fim da guerra, consegue misteriosamente viajar no tempo e em 1740 chega à Escócia. Por lá, vê o seu coração dividido entre dois homens de séculos diferentes. Hoje propomos uma viagem pela Paris de Outlander, sejam cenários reais ou inventados. A série conta já com cinco temporadas e a fotografia é, sem dúvida, uma das mais-valias que oferece. As paisagens que proporciona, as montanhas, os lagos, castelos de contos de fadas.

Entre a ficção e a realidade, França entra diversas vezes na trama, propondo sugestões que darão ao seu périplo um original ponto de partida. Apesar de real, as filmagens de Outlander supostamente decorridas em solo francês foram subdivididas entre a Escócia e a República Checa. Uma oportunidade para conhecer alguns dos locais verídicos por onde a acção passa e os locais onde verdadeiramente foram filmados. Percorrer este caminho é viver, de forma especial, personagens de outros tempos.

Quando a verdade abraça a ficção

Comecemos a nossa incursão pelas ruas de Paris do século XVIII. A casa na Rue Tremoulins ajuda a dar-lhe vida. Jared Fraser é o dono desta casa, que serviu de habitação a Michael Murray e Lilliane, tal como para Jamie e Claire. É a recriação de uma elegante casa, tanto na decoração como nos costumes. Tudo se passa num bairro, também ele, dotado de elegância e bom gosto. Uma aproximação bastante real da dinâmica tão característica da capital francesa — ajudada em muito pelas filmagens feitas ao longo de algumas ruas de Praga.

Assim como a casa do primo de Jared, também em Paris, que corresponde ao edifício do Ministério da Cultura da República checa. De Paris partimos para Achy. Na adaptação televisiva há alguns locais que são fictícios e um desses casos é a Abadia de Ste. Anne de Beaupré, um mosteiro beneditino localizado na costa norte francesa. Na verdade, as cenas que se passaram na abadia foram gravadas na vila de Aberdour, na costa sul de Fife, na Escócia. É uma mansão fortificada que remonta ao século XIII e que tem vindo a sofrer trabalhos de ampliação ao longo de vários séculos. O jardim murado e o terraço com que é dotado ajudam a fazer dele um edifício imponente.

le havre

Na região de Achy encontrará a Abbaye de Beaupré que, porventura, terá inspirado a série. Continuando junto à costa e tendo o mar como pano de fundo, uma outra solução para quem está em Paris é partir rumo à zona costeira e descobrir Le Havre, a 1h30 da capital. Quando Claire, Jamie e Murtagh conseguem fugir da Escócia chegam a Le Havre. A zona escolhida para lhe dar viva em Outlander foi a cidade de Dysart e as caves são da Deanston Distillery. Porém, por muita aproximação que exista, a realidade é sempre mais saborosa.

Le Havre verdadeira localiza-se a cerca de 2h30 de Paris. Da próxima visita à capital francesa, porque não fazer um desvio pelo caminho? A certeza é a de que não haverá arrependimentos. Desconhecida para muitos, a sua história é longa. Foi reconstruída depois da II Guerra Mundial e localizada na Normandia, hoje apresenta uma arquitetura moderna: destacando-se a igreja Saint-Joseph e espaço cultural Oscar Niemeyer, facilmente reconhecível pelos dois edifícios em forma de vulcão. Projetado pelo arquitecto Auguste Perret, este conjunto pertence ao Património Mundial da UNESCO. Aproveitando a visita, deslumbre-se com Museu de Arte Moderna André Malraux, famoso pelas suas pinturas dos séculos XIX e XX. Le Havre foi um importante polo económico durante os séculos XVIII e XIX e, para quem quiser compreender tem que passar por aqui.

Back to basics ou bienvenu à Versailles!

De regresso a Paris, uma passagem pelo L'Hôpital des Anges. Este hospital é fictício, ainda que inspirado no verdadeiro Hôtel-Dieu, em Paris. Considerado o mais antigo hospital da cidade — e do mundo! — fundado por São Landerico de Paris, em 661. Sujeito a construções e reconstruções entre os séculos VII e XVII, a arquitectura que ainda hoje mantém remonta a 1877 e foi até esta altura, aproximadamente, que se dedicou aos mais pobres e desprotegidos. A Catedral de Glasgow cedeu o cenário interior e as gravações dos exteriores deste hospital decorreram na igreja militar de St. John of Nepomuk, em Praga, na República Checa.

versailles

Para fechar com chave de ouro, o museu que dispensa apresentações, tanto pelo contributo histórico que deu ao Mundo como pela importância que tem na trama: Versailles. Deixando o melhor para o fim, de uma só assentada, é possível descobrir três cenários em Versailles que, na ficção, tiveram três locais de gravação diferentes: os jardins foram gravados no Drummond Castle, a Wilton House cedeu o cenário para as cenas no interior do Palácio e a Gosford House as cavalariças.

Valência desde 41€