O estádio Kim Il-sung, com capacidade para 40.000 espectadores, estava lotado quando os participantes completavam a corrida, que é, provavelmente, o evento turístico internacional mais importante da Coreia do Norte.

A corrida fez parte, neste ano, das celebrações do 105º aniversário, no dia 15 de abril, do nascimento de Kim Il-sung, fundador do regime, o que explicou a presença de várias autoridades na tribuna de honra durante o evento.

No total, cerca de 2.000 corredores participaram da maratona, mais de metade, estrangeiros. Descubra as fotos do evento na galeria acima.

"É surreal estar aqui", afirmou Richie Leahi, um irlandês de 35 anos, que gosta que as férias sejam "uma aventura". "Participei de uma competição desportiva em Pyongyang. Nem toda a gente pode dizer o mesmo!", sorri.

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No percurso, que atravessa vários lugares emblemáticos da capital, os retratos e estátuas de Kim Il-sung e do filho, Kim Jong-il - ex-líder norte-coreano e pai do atual dirigente, Kim Jong-un - eram omnipresentes. "Os grandes líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il sempre estarão connosco", confirmava um obelisco que os maratonistas ultrapassavam no início da corrida.

"Estar perto do povo"

"Foi bastante impressionante", declarou à AFP Kiliam LePors-Ebner, um jurista parisiense de 26 anos que participou no evento com um amigo. "As pessoas estavam aglomeradas nos dois lados. Todas estavam ali para saudar-nos, para tocar na nossa mão, para encorajar-nos", contou.

Os encontros espontâneos com a população norte-coreana são incomuns durante as visitas de estrangeiros, daí o entusiasmo dos corredores, que multiplicavam os cumprimentos com o público.

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"Estar perto do povo, tocá-lo, é qualquer coisa", explicou Soleiman Dias, funcionário de uma escola em Fortaleza, para quem esta maratona é "a experiência da sua vida".

Críticas ao turismo na Coreia do Norte

Existem várias críticas ao turismo na Coreia do Norte, por um lado, porque é uma fonte de receitas estrangeiras para Pyongyang, e, por outro, porque estimula um regime acusado de grandes violações dos direitos humanos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou uma série de sanções para tentar forçar a Coreia do Norte a renunciar aos seus programas nucleares e balísticos. Estas medidas buscam esgotar as fontes de receitas estrangeiras do regime, mas não proíbem o turismo.

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O departamento de estado dos Estados Unidos convoca os seus cidadãos a não viajar para a Coreia do Norte. Os EUA e a Coreia do Norte vivem um momento de tensão, com ameaças de ambas as partes. Para Tamara Bedford, uma artista americana e participante da maratona, "o retrato do país que os meios de comunicação estrangeiros fazem é diferente da realidade". "O facto de tanta gente estar ali para encorajar-nos é realmente uma honra", afirma.

Também para a população, a presença de turistas estrangeiros é uma mais-valia, acredita o participante francês Kiliam LePors-Ebner, uma vez que os norte-coreanos têm uma ideia errada dos estrangeiros por causa da propaganda veiculada pelo regime. "Quando nos veem pessoalmente, veem que não somos necessariamente maus, que somos simpáticos, que sorrimos", explica Kiliam.

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Nick Bonner, diretor da Koryo Tours, uma agência de viagens que administra as deslocações de europeus e de outros ocidentais para a maratona, estimou que, sem contar com os chineses, cerca de 5.000 turistas estrangeiros visitam a Coreia do Norte anualmente.

Isto significa que apenas a maratona acolhe um quinto dos turistas que viajam para o país todos os anos. Uma parte do dinheiro gasto pelos turistas estrangeiros acaba nos cofres do Estado, reconhece o responsável da agência de viagens.

A maratona de Pyongyang terminou com a vitória do norte-coreano Pak Chol, que venceu na categoria masculina (2h, 13 min e 56 segundos) e da também norte-coreana Jo Un-ok, na maratona de mulheres (2h, 29 min e 23 segundos).

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