A Basílica de São Pedro abriu ao público nesta segunda-feira (18), símbolo do retorno a uma relativa normalidade na Itália, onde o desconfinamento vai acontecendo com a retoma das missas e reabertura tímida de lojas e cafés.

Na presença de vários polícias a usar luvas e máscaras cirúrgicas, alguns visitantes, guiados pelas marcações no chão para respeitar uma distância mínima de 1,5 m, entraram na Basílica, fechada desde 10 de março, depois de medir a temperatura e desinfetar as mãos com álcool em gel, constatou a AFP.

Sob a enorme cúpula com mármore esculpido, os fiéis podiam ser contados com os dedos de uma mão, alguns recolhidos em oração de joelhos diante do túmulo do falecido papa João Paulo II.

"A Itália acende as luzes após 69 dias de confinamento", resumiu o jornal La Repubblica. "Sinal de esperança" para o papa Francisco, as missas e as celebrações religiosas foram retomadas nas igrejas de Roma e no resto do país, com medidas adequadas de distanciamento social.

Gôndolas voltam aos canais de Veneza, Basílica de São Pedro reabre no Vaticano. Itália
Basílica de São Pedro passou por um desinfeção antes da reabertura créditos: AFP

Alguns devotos assistiram a uma celebração matinal na igreja de Santa Maria em Transpontina, perto do Vaticano, com separação obrigatória nos bancos e comunhão "sem contacto". Nenhuma celebração pública está prevista oficialmente na Basílica de São Pedro.

Emoção na reabertura da Galeria Borghese

"Um museu não é uma atividade de lazer, é uma necessidade vital", explica Anna Coliva, diretora da Galeria Borghese em Roma, depois de ter reaberto nesta terça-feira uma das mais belas coleções de arte da Itália.

Entre as obras-primas que podem ser vistas novamente, após dois meses e meio de encerramento devido à pandemia, estão as esculturas de mármore de Bernini ou criações de Caravaggio, Rafael ou Canova.

Emoção na reabertura da Galeria Borghese
Galeria Borghese em Roma créditos: AFP

"Não esperávamos tantas pessoas, pensávamos que ninguém viria porque as pessoas perderam o hábito, ou por medo", disse a responsável à AFP, com "esperança" ao ver grande fluxo na reabertura do museu.

"Isso realmente comoveu-nos, porque significa que, quando abrimos, tomamos a decisão certa, que as pessoas queriam isso, estavam esperando por isso. Vimos famílias com crianças, isso comoveu-me muito. A primeira ideia foi levar as crianças a uma museu", disse.

Galeria Borghese
Galeria Borghese em Roma créditos: AFP

Como em todos os locais públicos fechados, o uso de uma máscara de proteção é obrigatório, além de desinfetar as mãos na entrada e respeitar a distância de segurança com outros visitantes. O número de visitantes também foi reduzido.

Em Roma, pizzarias, confeitarias e outros estabelecimentos comerciais também reabriram ao longo desta semana.

Veneza sem turistas mas com gôndolas

Veneza sem turistas mas com gôndolas
Veneza créditos: AFP

As famosas gôndolas em Veneza reapareceram no Grande Canal para transportar principalmente moradores devido à longa ausência de turistas por causa do coronavírus.

Devido à ausência desde março de turistas, principal fonte de receitas da cidade, e ao reduzido tráfego de embarcações, táxis, vaporetos e embarcações particulares, as águas dos canais estão cristalinas, de cor turquesa.

Veja na galeria de fotos abaixo como estava Veneza no período de confinamento.

Pela primeira vez em décadas, os venezianos desfrutam da cidade e de suas joias arquitetónicas, como a Ponte Rialto e os becos circundantes, entre os setores mais movimentados, sem a horda de turistas.

Conforme ordenado pelas autoridades, os gondoleiros marcaram os espaços que devem ser ocupados pelos passageiros para garantir a separação de um metro. Sem muitos clientes, os gondoleiros esperam que, com a abertura das fronteiras para os europeus, o turismo, um setor afetado pela pandemia, seja retomado.

Para já, pode-se caminhar tranquilamente pelas ruas mais centrais e, além de supermercados e livrarias, algumas lojas de roupas, fotografias, equipamentos eletrónicos e móveis foram abertas.

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"Precisamos de ajuda ou morreremos", lê-se numa placa na porta de uma das lojas. Uma declaração que resume o sentimento de muitos comerciantes, sufocados por altas rendas e falta de turistas.

A próxima etapa do desconfinamento está prevista para 25 de maio, com a reabertura de ginásios, piscinas e centros desportivos.

A 3 de junho, o país reabre as fronteiras aos visitantes do espaço Schengen e, portanto, aos turistas europeus, com o objetivo de relançar o setor do turismo o mais rápido possível.

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