"No Vêneto, a região mais turística da Itália, que fatura milhares de milhões com as praias, falar de praia é uma questão de vida ou de morte para a economia", advertiu esta semana Luca Zaia, presidente desta região do nordeste do país, onde fica Veneza.

O governo, consciente da importância do setor turístico, que representa 13% do PIB, anunciou este sábado, dia 16 de maio, que vai reabrir a partir de 3 de junho as fronteiras com a União Europeia e que vai suspender o isolamento obrigatório de 14 dias para os visitantes estrangeiros na península.

Também elaborou esta semana uma série de normas para evitar o contágio: distância de pelo menos 4,5 metros entre os guarda-sóis, desinfeção de todas as áreas comuns, como duches e bares, distribuidores de álcool em gel nos locais de passagem, entradas e saídas separadas...

Em Cesenatico (nordeste), cidade natal do ciclista Marco Pantani, os estabelecimentos à beira-mar estão fechados apesar dos dias ensolarados e apenas três dos 310 hotéis estarem abertos. Mas todos preparam-se para reabrir o quanto antes.

A cidade de Fellini

"Normalmente, deveria ter aberto no ínicio de março", explica à AFP Simone Battistoni, cuja família dirigiu Bagno Milano desde 1927. Juntamente com o colega Guido Gargiulo, ex-jogador de futebol de 37 anos que se tornou empresário do setor do turismo, estão a testar a instalação de guarda-sóis e espreguiçadeiras respeitando as distâncias de segurança.

"Guido, dá gosto de ver todos estes guarda-sóis!", diz, com sorriso nos lábios, Simone. Os dois chegam à mesma conclusão: as novas normas vão obrigá-los a diminuir o número de guarda-sóis em pelo menos 30%, reduzindo assim os lucros.

Embora costume empregar 120 pessoas por época, este ano vai contratar apenas 70. Uma decisão dolorosa para Battistoni.

"Esta situação é assustadora", queixa-se Fiorenzo Presepi, dono do hotel La Dolce Vita. "Normalmente, tinha que estar cheio a partir do domingo. A Volta da Itália tinha uma etapa aqui e os alemães tinham reservado há um ano e ficavam pelo menos uma semana".

O mesmo acontece em Rimini, imortalizada por Federico Fellini em "Amarcord", onde as persianas do Grande Hotel estão fechadas. As praias estão vazias. Apenas alguns surfistas aproveitam as ondas. "Aqui tudo gira à volta turismo", resume Marco Vannucci, designer gráfico de 62 anos, de pé ao lado da sua prancha.

A costa adriática e as dezenas de quilómetros de praias tornaram-se destino obrigatório graças a uma eficiente rede de hotéis, restaurantes e estabelecimentos que oferecem aos visitantes fácil acesso a uma ampla gama de atividades.

Nova tecnologia contra o vírus

Em Jesolo, ao leste de Veneza, há dezenas de hotéis alinhados ao longo da praia, ao estilo de Miami Beach. Aqui, a aposta é na tecnologia para manter o vírus à distância: os guarda-sóis abrem-se por controlo remoto, sanitários desinfetam-se sozinhos após cada uso...

"Nas últimas semanas, trabalhamos num novo conceito para as praias (...) Com precauções especiais com a desinfeção, não só nas casas de banho e outras áreas comuns, mas também nos equipamentos da praia", como as espreguiçadeiras, enumera Alessandro Berton, presidente do sindicato Unionmare Veneto, em entrevista à AFP.

Além disso, "aumentamos e reforçamos as ferramentas de reservas online para evitar que as pessoas se aglomerem na entrada dos estabelecimentos", explica o empresário, enquanto fuma um charuto.

Christofer De Zotti, gerente do hotel Mondial, está focado nos preparativos, mas preocupado com o futuro da temporada. "O verdadeiro ponto de inflexão será a abertura das fronteiras porque para pessoas como nós, que trabalham 60% com clientes estrangeiros, é importante saber quando poderão passar férias em Itália".

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