Por norma os turistas vão em passeios de barco explorar a zona do lago em si e as aldeias flutuantes que se espalham ao longo deste. Portanto, toda a zona das aldeias circundantes à cidade não é muito explorada pelos turistas e viajantes. Digo isto, porque quando me aventurei na minha bicicleta Ympek por estes caminhos não cruzei com um único estrangeiro. Além do mais, nota-se na cara dos birmaneses por quem passo que não costumam ver turistas por estes lados. Vou pelos caminhos esburacados e nada suaves no meio das aldeias quando avisto um grupo de crianças e paro, também para beber um pouco pois faz muito calor. A garrafa de água nunca pode faltar na mochila.

De bicicleta no Myanmar
créditos: While You Stay Home
De bicicleta no Myanmar
créditos: While You Stay Home

Quando me veem, este grupo de crianças começa a cumprimentar-me, com sorrisos muito estridentes, depois acabam por se aproximar. Tiro fotos com eles, pois vejo que não estão habituados a forasteiros, nem tão pouco a ver fotos. Cada vez que tiro fotos tenho de lhes mostrar e a reação deles não tem preço. Riem como se não houvesse amanhã. Impossível tirar o sorriso da cara também, daí dizer muitas vezes que no Myanmar o sorriso está sempre presente. Foi um momento muito bom, com muitas risadas e trocas de olhares amigáveis, mas não é possível conversar com eles, portanto prossigo caminho.

Crianças no Myanmar
créditos: While You Stay Home

Sigo por uma estrada maior, onde não passa uma alma, as poucas pessoas que encontro estão a trabalhar no campo, todo um trabalho ainda manual que se vê no Myanmar debaixo de um sol extenuante. Este caminho vai dar a uma aldeia onde sou novamente cumprimentada com “olás” e “mingalarbars” (expressão usada no Myanmar para cumprimentar). É engraçado ver como riem timidamente quando os cumprimento de volta. Mais um dia passado com um sorriso na cara e onde nem dou conta do cansaço.

Percorro ainda as ruas da cidade em si, e encontro um grupo de noviças na rua. Seguem alinhadas, vestidas de cor de rosa. Param nas portas de várias casas onde uma pessoa lhes oferece arroz ou outros bens alimentares. Esta é uma vista comum no Myanmar. Ver grupos de monges ou noviças de porta em porta com uma taça e em cada porta têm uma oferenda. Creio que estas sejam para as suas refeições que levam de volta para o monastério onde estão. Enquanto percorrem as ruas cantam e abrigam-se do sol em chapéus de sol vermelhos que fazem as delícias de muitos turistas fotógrafos amadores que se encantam com a passagem destas noviças.

Noviças
créditos: While You Stay Home

Regresso ao Ostello Bello onde estou hospedada para um pôr-do-sol no rooftop! Para além das instalações serem boas, a vista que se tem durante o pôr-do-sol em Nyaung Shwe é bem agradável, portanto um bom spot para relaxar e apreciar os sons da cidade misturados com os dos pássaros que se fazem ouvir por todo o Myanmar.

Foi mais um dia com um sorriso inegável no rosto em que fiz das coisas que mais gosto no Myanmar: esta interação genuína com os locais. O lago Inle é dos locais mais visitados pelos turistas no Myanmar e é um sítio único que vale sem dúvida a pena visitar. É incrível como 99% dos turistas fazem todos as mesmas atividades e estes recantos mais genuínos ficam por explorar. Ainda bem que visitei uma segunda vez pois foi bem diferente da primeira e igualmente surpreendente.

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