Tendo como base o Google Maps, decidi seguir a rua 82 até bem perto do lago Taung Tha Man, onde se encontra a ponte. Demorei cerca de 1h30 a chegar ao destino final, com algumas paragens para fotos. O caminho faz-se bem pois não tem grandes subidas.

O início do trajeto é feito nas ruas movimentadas e atarefadas da cidade, onde passo por vários mercados locais que vendem todo o tipo de frescos, desde legumes a frutas, carne e peixe. Uma correria… já o cheiro não é muito agradável. Durante esta parte do caminho, sinto que não há muitos turistas a passarem por ali de bicicleta pois as pessoas olham muito.

Já depois de vários quilómetros pedalados, os caminhos começam a ficar mais estreitos, com mais buracos e pedras para contornar, onde não há espaço para carros. Aconteceu por acaso, pois não sabia que o caminho que estava a tomar era no meio de aldeias. Esta sim é a parte interessante. É aqui que se tem mais contacto com a genuinidade dos birmaneses. Se nos primeiros quilómetros de viagem as pessoas olhavam, então agora nem se fala… Tenho a certeza que estes aldeões não estão minimamente habituados a ver turistas passar. Sente-se. Até porque também não vi mais nenhum estrangeiro numa bicicleta por estas bandas a não ser eu.

De bicicleta no Myanmar
créditos: While You Stay Home

Sorrio para cada pessoa por quem passo e me acompanha com os olhos. Eles sorriem de volta e também há cumprimentos como um simples “Olá” que me põem um sorriso de orelha a orelha ou um “Mingalarbar” que tem o mesmo efeito. Não importa o que vejo, já sei que a consequência é usar o mais puro sorriso na cara. É engraçado ver como ficam tímidos e riem de forma ingénua assim que nos cumprimentamos mutuamente. É quase como um: “olha acabei de cumprimentar um estrangeiro”.

O sorriso na cara dos birmaneses transcende o meu. Esta é a parte gira do Myanmar, o contacto com a autenticidade dos locais e facto de saber que, estando entre eles, o sorriso estará presente todo o dia. É quase como se nos sentíssemos especiais por estar ali. Não senti isto em mais nenhum país, e ainda me lembro que muitas recordações que trago da primeira viagem ao Myanmar é o facto de estar sempre a sorrir e a rir.

De bicicleta no Myanmar
créditos: While You Stay Home

A ponte U-Bein é um sítio muito turístico, mas como lá cheguei pela hora de almoço, mal se avistavam forasteiros.

Infelizmente, não fiquei até ao pôr do sol, pois sabia que o caminho de volta era longo e sem luz na maior parte do trajeto. Ainda assim, rever a ponte e o lago foi bom. Desta vez contornei um dos lados do lago na bicicleta portanto consegui ter uma vista diferente e ver como os locais o usam para pescar ou descansar.

O caminho de volta foi igualmente aconchegante, acabando então este dia com a sensação de que sim, foi este tipo de experiência que me fez voltar cá e, ao vir de bicicleta, era isto que procurava. Que dia maravilhoso!

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