"Em 2030, haverá 1,8 mil milhões de turistas no mundo. Uma coisa é certa: este crescimento infinito é impossível num espaço que é limitado, o que gera cada vez mais conflitos visíveis", constata Roland Conrady, diretor científico da ITB.

De 1995 a 2016, o número de viajantes internacionais passou de 525 milhões para mais de 1,2 mil milhões graças às companhias aéreas low cost, e aos turistas de mercados emergentes como os da China, da Índia e dos países do Golfo.

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O ano de 2017 esteve marcado por um aumento recorde de 7% no número de turistas no mundo, e por inéditos movimentos contra o turismo de massa, que desfigura ou expulsa as populações locais dos lugares onde vivem.

E as primeiras consequências ou medidas não demoraram a chegar: na Tailândia, os corais da famosa Maya Bay não sobreviveram aos banhistas, agora,  as autoridades comunicaram o encerramento da praia durante os meses de junho a setembro para permitir a regeneração dos corais. No Butão, o governo impõe quotas e em Dubrovnik, na Croácia, a autarquia decidiu reduzir, em 2017, a entrada de turistas na cidade medieval para quatro mil pessoas (por dia), metade do valor recomendado pela UNESO (cerca de oito mil).

Descubra mais locais que estão a limitar a entrada a visita de turistas

10% do PIB mundial

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"Fala-se muito hoje do 'turismo excessivo', pois aumentou em vários destinos, principalmente devido aos cruzeiros", diz à AFP o professor de economia do turismo, Torsten Kirstges, que cita o caso de Maiorca, onde podem desembarcar "cinco barcos de 4.000 passageiros que acostam ao mesmo tempo para visitar a catedral".

O setor considera ao menos quatro caminhos para garantir que o turismo não se vai autodestruir. A mais evidente - e a mais positiva para as economias locais - é repartir melhor o fluxo de visitantes.

Por exemplo, Veneza - com 265.000 habitantes e 24 milhões de visitantes por ano - limita o acesso aos imensos barcos de cruzeiro.

A cidade edita um guia mensal chamado "Deturismo", que realça outros locais secundários com o objetivo de dissuadir os turistas de se concentrarem em massa na praça de São Marcos.

"São sempre os mesmos 'tours', os mesmos lugares... No México, as pessoas só pensavam em Cancún, mas finalmente conseguimos levá-los à rota dos maias", explica na ITB Gloria Guevara, presidente da federação internacional do turismo (WTTC). Guevara recorda que o turismo representa 10% do PIB mundial.

Preços segundo a hora

Outra solução é aumentar os preços para dissuadir. A Torre Eiffel conseguiu financiar as suas obras de renovação ao aumentar 50% o valor do ingresso. No Dubai, a torre Burj Jalifa propõe quatro tarifas diferentes segundo a hora do dia, sendo a mais cara ao pôr-do-sol.

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A tecnologia também permite regular melhor os fluxos. Em Amesterdão, um site informa em direto aos visitantes o tempo de espera que há nas filas. Em breve, deverá existir uma aplicação a alertar os lugares a evitar.

Mas a internet também impulsionou o alojamento local com o surgimento de plataformas como o Airbnb, que fizeram os preços do setor imobiliário disparar. Esta nova realidade e, por vezes, o tipo de turista que fica alojado, mais festivo, faz com que cresça apatia entre a população local, como o caso de Barcelona.

Segundo o primeiro estudo sobre o "turismo em excesso", realizado pela empresa de consultoria McKinsey, 36% dos habitantes das zonas que sofrem deste fenómeno consideram que "os visitantes internacionais" geram uma "pressão excessiva". Há seis meses, eram apenas 18%.

O turistas entre os 18 e os 35 anos são agora a nova esperança do setor. De acordo com o relatório da McKinsey, esta geração é mais aventureira que a dos baby-boomers, por isso, "vai andar mais dispersa, pois terá receio de ficar desiludida se visitar apenas um lugar" ou terá medo de existirem muitos turistas ao mesmo tempo no mesmo sítio.

Veja ainda quais foram as cidades mais visitadas no mundo em 2017

Reportagem: AFP

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