Da semente ao fio no tear: são apenas três as mulheres de Limões que completam o ciclo do linho, uma tradição muito antiga que foi passando de geração em geração nesta aldeia do concelho de Ribeira de Pena.

No total, são 15 as tecedeiras que se mantêm ativas em Limões e em Cerva, onde o linho é uma tradição muito antiga.

Mas esta é também uma arte em risco de desaparecer. Por isso, a marca “Verde Novo”, da empresa Motivos e Memórias, está a desenvolver um projeto de valorização e de revitalização da tecelagem em linho.

“A produção de linho de forma artesanal tem vindo progressivamente a perder expressão e a perder vendas e o objetivo é pegar nesta arte, que está em risco de desaparecer, e tentar revitalizá-la e promovê-la para que as tecedeiras continuem a ter uma fonte de rendimento”, afirmou à agência Lusa Sandra Teixeira, da “Verde Novo”.

Uma das fortes apostas do projeto é no segmento do turismo criativo, transformando o linho num fator de atração ao território.

António Luís, também ligado à iniciativa, referiu que se está a organizar a oferta existente, a partir da qual serão criados roteiros e pacotes turísticos, um trabalho que envolve os agentes locais, desde os hotéis, restaurantes e empresas de animação.

A primeira oferta deste turismo criativo, que permite “às pessoas conhecer a raiz dos territórios, a sua identidade e participar em atividades”, vai decorrer no final de abril.

É durante aquele mês que se fazem as sementeiras de linhaça (semente do linho) e, por isso, os visitantes vão ser desafiados a participar nesta atividade que dá início ao ciclo do linho.

Quem quiser poderá também participar nos ateliês, sentar-se num tear e aprender a tecer, ou participar na caminhada que quer revelar as paisagens deste território do distrito de Vila Real.

Lá para julho é arrancada a planta que, em molhos, é submersa em poços ou tanques durante nove dias e depois fica mais nove dias a corar ao sol e a apanhar nove orvalhos. Depois é preciso maçar, espadar antes de ir à roca, ao sarilho, passar na dobadoura, nas canelas e só depois chega ao tear.

O projeto de valorização das tecedeiras do linho de Cerva e Limões foi selecionado pelo programa CREATOUR, coordenado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, na vertente de turismo criativo.

Sandra Teixeira referiu que, no âmbito do projeto, já foi criada também uma imagem comum e uma logomarca para o produto “Linho de Cerva e Limões”, estão a ser desenvolvidas novas plataformas de vendas ‘online’ e de distribuição, novos contactos comerciais e está a ser criado um ‘website’.

A publicação do Livro “Linho de Cerva e Limões: tecendo o futuro” funcionou como ponto de partida para este projeto, pois permitiu fazer um diagnóstico da arte da tecelagem.

António Luís adiantou que foi apresentada uma proposta ao município de Ribeira de Pena com vista à criação de uma Indicação Geográfica Protegida (IGP) para o linho, uma certificação oficial regulamentada pela União Europeia.

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