A revista alemã Der Spiegel publicou, esta semana, um artigo extenso sobre as consequências do turismo de massa e como os turistas estão a destruir os locais que amam. É este o título do artigo: "How Tourists Are Destroying the Places They Love".

Porto é o exemplo usado na abertura do texto. Uma cidade fantástica, com um centro histórico encantador, que atrai turistas de todo o mundo. Muitos acabam por ficar à espera nas longas filas que dão acesso à Livraria Lello. A antiga casa de livros portuense é, hoje em dia, uma das principais atrações turísticas da cidade. Cobra uma entrada de cinco euros e recebe, em média, entre 4 a 5 mil visitantes por dia, estando mais parecida com um "museu" do que com um "lugar real", escreve a Der Spiegel.

O turismo no Porto cresceu exponencialmente nos últimos anos, muito ajudado pelas companhias aéreas de baixo custo. A cidade ainda não pode ser comparada a Barcelona ou Amesterdão, onde os cidadãos locais protestam contra o excesso de turistas, mas já se sente esta linha que divide os turistas dos habitantes locais. Aliás, quando foi a última vez que um morador do Porto visitou a Livraria Lello?

O turismo deixou de ser um luxo para fazer parte das rotinas de muitas pessoas. É cada vez mais fácil e barato reservar umas férias numa cidade europeia. Muitas destas cidades transformaram-se em "museus e parques temáticos" com "áreas próprias para os turistas, onde os locais podem trabalhar mas provavelmente não podem viver".

Por exemplo, os turistas tomaram conta de muitos cafés tradicionais onde se sentam a observar outros turistas e não habitantes locais, como acontecia antes em muitas cidades da Europa.

Quando o turismo é um problema: lugares que estão a limitar a presença de visitantes
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"Há certas alturas em que se parece mesmo com uma invasão turística. Eles chegam, ficam por pouco tempo e vão embora, mas agem como se dominassem a cidade por onde passaram", refere a revista alemã.

Além de uma descaracterização dos lugares e do descontentamento dos habitantes locais, muitos países não têm infraestruturas para receber tantos turistas. O artigo dá como exemplo, o colapso de vários aeroportos na Alemanha durante este verão - exemplo que poderia se estender a outros aeroportos na Europa.

Os números impressionam: cerca de 670 milhões de pessoas viajaram na Europa durante o ano passado. Enquanto o setor já começa a pensar em soluções para o excesso de turismo, muitas cidades manifestam-se contra este fenómeno e ainda é possível que o número de viajantes continue a aumentar, principalmente com o desenvolvimento de alguns países asiáticos.

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