Lembro-me bem dos meus tempos de faculdade: o Porto ainda era um segredo bem guardado. Havia turistas, sim, mas eram poucos e concentravam-se, sobretudo, na zona da Ribeira. Andava pela Baixa, pelos Clérigos, por Cedofeita e por outras zonas da cidade com tranquilidade. A Livraria Lello ainda era “apenas” um lugar (lindíssimo, é verdade) que vendia livros e onde ia passar o tempo nos intervalos das aulas. Não havia restaurantes e cafés da moda e, a partir de uma certa hora da noite, as ruas ficavam desertas.

Passados pouco mais de dez anos, o Porto já não é um segredo bem guardado. A Invicta tornou-se num dos destinos mais desejados para um “city break”, muitas ruas foram completamente reabilitadas, em prol do turismo, novos negócios abriram e o movimento turístico na cidade é frequente (sem contar com a paragem forçada causada pela pandemia).

O Porto é só um exemplo, mas um pouco por todo o país o turismo cresceu imenso nos últimos 15 anos. E, com este crescimento, surgiu também a atribuição de prémios. Tal como em outras áreas, neste setor existem distinções variadas e Portugal tem se destacado em muitas categorias.

Recentemente, o país conquistou 25 galardões nos World Travel Awards, aqueles que são conhecidos como os óscares do turismo. A Madeira foi considerada o melhor destino insular da Europa pela oitava vez e o Algarve foi eleito o melhor destino de praia do velho continente pela terceira vez.

Também este ano estalou o verniz sobre os prémios de turismo com algumas notícias que questionavam a credibilidade dos mesmos, alegando que seriam comprados pelos concorrentes, bem como qual seria o seu verdadeiro impacto. Notícias que causaram alguma polémica na altura, mas que ficaram esquecidas na espuma dos dias, sem nunca se ter provado nada em concreto.

De facto, qualquer prémio pode ser questionado, mas a visibilidade que estes trazem a um destino é indubitável. Uma prova evidente é a quantidade de notícias que são feitas sobre os prémios. Notícias, publicações nas redes sociais, tudo isso significa mais visibilidade.

Por falar em notícias, outro grande aliado de Portugal tem sido a imprensa internacional através da publicação de artigos a mostrar que motivos não faltam para visitar este retângulo à beira-mar plantado. Aliás, voltando ao início do texto, a Lello começou a ficar famosa quando foi eleita a livraria mais bela do mundo pelo jornal The Guardian em 2008, seguiram-se distinções de vários outros media internacionais (Lonely Planet, CNN e Travel&Leisure). O cúmulo do sucesso veio com a associação da livraria à saga Harry Potter.

Prémios à parte, é inegável o potencial turístico luso e a beleza do país que, sendo pequeno em escala, tem uma enorme variedade de paisagens e tradições. É verdade que os prémios acabam por ser um pouco repetitivos, deixando de fora outras regiões que têm de lutar mais para conseguir a tão desejada promoção turística.

Aos poucos, vamos deixando de ter segredos bem guardados, embora estes ainda existam e preferimos que fiquem mesmo longe dos radares dos prémios. Que sejam os viajantes a descobri-los por conta própria.

P.S.: Nunca mais entrei na Livraria Lello, que começou a cobrar entrada e tem sempre uma fila quilométrica à porta. É um outro lado do turismo que fica já aqui apontado como tema para um próximo artigo.

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