A emblemática residência, que pertencia a um rico padeiro, conta com jardim, moinho, estábulos e o fresco sumptuoso de um beijo carinhoso entre dois namorados.

Localizada na via dell'Abbondanza, uma das mais visitadas na antiga cidade romana, a propriedade ficou soterrada assim como com o resto de Pompeia no ano 79 pela violenta erupção do Vesúvio.

Pompeia abre casa romana dos namorados para o dia de São Valentim
créditos: ROBERTO SALOMONE

Como uma homenagem aos namorados, as autoridades italianas autorizaram a abertura do local este fim de semana até 14 de fevereiro, para que os visitantes possam admirar uma das residência mais interessantes de Pompeia, património da Humanidade.

Após a breve abertura, o local de 1.500 m2, será novamente fechado durante quatro anos para uma grande restauração, no âmbito de um projeto de conservação de Pompeia, financiado na sua maior parte por fundos da União Europeia.

"O complexo resume a beleza e os desafios de Pompeia", disse à AFP a arqueóloga Alberta Mattelone.

"Há o património arqueológico - as casas e os frescos - assim como os vestígios da erupção, os depósitos vulcânicos. Também temos que encarar problemas complexos de conservação, dos telhados, escarpas, e proteger os frescos", afirmou.

O fresco do beijo decora uma das paredes do triclinium, a pequena sala de jantar onde os antigos romanos se acomodavam para beber e saborear alimentos como queijo e mel, sempre acompanhados de pão quente saído do forno.

Pompeia abre casa romana dos namorados para o dia de São Valentim
créditos: AFP PHOTO / Eliano IMPERATO

A padaria ficava próxima ao triclinium e ainda se pode ver as pedras utilizadas para moer os grãos e um grande forno onde se assava o pão, que era vendido numa loja ao lado.

Logo na entrada da loja, há contas rabiscadas na parede, de clientes que deviam ao padeiro o dinheiro do pão, que provavelmente teriam consumido com azeitonas e frutas secas vendidas na barraca de alimentos em frente.

Seis mulas e um burro que garantiam o funcionamento do moinho de pedra morreram no estábulo quando as cinzas e a lava incandescente soterraram a cidade.

"Os restos mortais foram analisados por uma equipa de arqueozoólogos que chegou à conclusão de que morreram sufocados, com exceção de um, que morreu com um golpe na cabeça quando o edifício desabou", contou Mattelone, acrescentando que os animais estavam "em excelente estado de conservação".

Atrás do estábulo encontra-se a Casa dos Pintores no Trabalho, onde decoradores de interiores estavam a trabalhar num dos quartos quando o vulcão entrou em erupção, bem como um jardim que está a ser recriado exatamente como era por arqueobotânicos.

O complexo foi explorado pela primeira vez em 1912, mas as poucas estruturas reveladas então foram mais tarde danificadas por bombardeamentos de aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

As escavações começaram verdadeiramente em 1982 e continuaram até 2004. Em 2010, a residência foi aberta ao público por um breve período, mas depois disso permaneceu fechada.

Pompeia abre casa romana dos namorados para o dia de São Valentim
créditos: AFP PHOTO / Eliano IMPERATO

"Estamos a abrir para o dia de São Valentim porque queríamos que o público pudesse entrar antes de fecharmos o local para reabilitar o telhado e a estrutura de apoio", disse Michele Granatiero, 61 anos, arquiteto-chefe do projeto.

Pompeia, a segunda atração mais visitada de Itália depois do Coliseu de Roma, recebeu em 2016 um recorde de 3,2 milhões de turistas, embora o local tenha sofrido nos últimos anos uma série de desabamentos devido à falta de manutenção e ao mau tempo.

As barras de metal enferrujadas que sustentam as paredes da Casa dos Amantes Castos serão substituídas por suportes externos e subterrâneos.

Pompeia abre casa romana dos namorados para o dia de São Valentim
créditos: AFP PHOTO / Eliano IMPERATO

Os visitantes explorarão o local a partir de uma passarelle recentemente erguida sob um teto de alumínio e acrílico.

Aqueles que tiverem a sorte de entrar na residência durante esta abertura poderão percorrer, em grupos de até 20 pessoas, o complexo encantador, com os seus mosaicos de mármore colorido, vasos de cerâmica e frescos de pássaros, plantas e de um dos beijos mais doces da época romana.

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