A Austrália fez um pequeno, mas significativo ajuste ao seu hino nacional, de forma a valorizar o seu passado indígena. De acordo com a CNN, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison anunciou que o hino nacional do país, "Advance Australia Fair", foi ligeiramente alterado para incluir mais as comunidades indígenas da Austrália.

O primeiro verso que diz "Australians all let us rejoice, for we are young and free" (Australianos, vamos todos celebrar, pois somos jovens e livres) foi alterado para "Australians all let us rejoice, for we are one and free" (Australianos, vamos todos celebrar, pois somos unidos e livres). Esta pequena mudança reconhece o passado antigo do país, antes da colonização pelos britânicos em 1788.

“No espírito de unidade, é justo que agora reconheçamos isso e garantamos que nosso hino nacional reflita essa verdade e apreciação partilhada. Mudar 'jovem e livre' para 'unido e livre' não tira nada, mas acredito que acrescenta muito ", escreveu Scott Morrison num artigo para o Sydney Morning Herald. "A Austrália como uma nação moderna pode ser relativamente jovem, mas a história do nosso país é antiga, assim como as histórias de muitos povos das Primeiras Nações, cuja administração reconhecemos com razão e respeito", acrescentou.

O hino tem sido objeto de controvérsia há vários anos, tanto que uma organização sem fins lucrativos chamada Representation In Anthem tem feito campanha por letras mais inclusivas desde 2016. Peter Vickery, fundador da Representation In Anthem tem trabalhado com líderes no governo da Austrália e em comunidades indígenas locais para encontrar uma solução para a letra. "Isto atinge o objetivo principal do nosso trabalho, que era transformar palavras de mágoa ou exclusão em palavras de inclusão e abraçar uma sociedade multicultural do século XXI", explicou  Peter Vickery.

No entanto, há quem considere que a mudança da letra não é suficiente. Ian Hamm, presidente da organização indígena First Nations Foundation, disse à CNN que a mudança foi "um bom passo, mas afinal, é apenas um passo", acrescentando que "o hino em si é apenas isso - é uma música. Há muitas outras iniciativas e mudanças e esforços a serem feitos para criar igualdade de oportunidades para os povos aborígenes".

Linda Burney, a primeira mulher indígena no Parlamento australiano também elogiou a alteração, mas ressaltou que não é suficiente, defendendo que o mais importante seria o reconhecimento na Constituição.

Com a colonização da Austrália pelos ingleses, as 500 tribos indígenas tornaram-se uma minoria discriminada que continua a lutar pela conscientização, inclusão e igualdade.

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