Nos últimos tempos tenho (re)descoberto lugares mágicos que existem bem perto de minha casa. Não preciso nem sair do concelho! É o caso do Palácio de Seteais, onde tive a sorte de me hospedar, no final do verão passado.

Originalmente construído em 1787, em terras cedidas pelo Marquês de Pombal ao cônsul holandês Daniel Gildemeester, o Palácio de Seteais é um elegante palácio neoclássico cheio de História e estórias. Durante o século XIX chegou a ser residência do ilustre Marquês de Marialva, que mandou erguer o famoso arco triunfal que hoje fica entre as duas alas do palácio para comemorar a visita do Príncipe Regente D. João VI e da Princesa Carlota Joaquina em 1802.

Diz a lenda que gritando um “ai” da estrada que leva à propriedade, o eco se repete por sete vezes, daí o nome "Seteais", mas num documento muito antigo, existente na biblioteca de Sintra, admite-se que o seu nome deriva do facto de terem existido ali terras onde se cultivava centeio e dai surgir o lugar de  “Centeais”, como se escrevia antigamente.

Depois de dias de glória, o palácio passou por um período de abandono até que, em 1946, foi adquirido pelo Estado Português, que o salvou da degradação e do abandono em que é descrito na obra de Eça de Queiroz, "Os Maias".

No tempo do escritor o trajeto entre o Hotel Lawrence e Seteais era uma espécie de "passeio público" de Sintra e a rocha do Penedo da Saudade era uma paragem obrigatória para os enamorados.

Foi em 1954, que a propriedade, preservando as suas características originais, foi convertida num hotel de luxo. A sua beleza rapidamente atraiu celebridades nacionais e internacionais e neste hotel hospedaram-se personalidades como Amália Rodrigues, a Rainha Juliana da Holanda, Agatha Christie ou Marguerite Yourcenar.

Acho emocionante entrar num lugar assim, fico sempre a pensar: "se estas paredes falassem...".

O check-in foi rápido e com todos os cuidados que estes novos tempos exigem. Em pouco tempo estávamos a percorrer os corredores silenciosos e as escadarias e a ver alguns dos mais de 2.000  tesouros da propriedade: pinturas a óleo; estátuas; tapeçarias; mobiliário antigo; frescos (alguns atribuídos ao pintor francês Jean Baptiste Pillement); gravuras, porcelanas...

Apesar de seu tamanho e grandeza, Seteais não deixa de ser íntimo e privado. Cada canto respira romantismo e quem se deixa levar pela imaginação, com facilidade sente-se transportado para outros tempos. Tempos mais poéticos, mais calmos.

O quarto também me encantou. Grande, confortável, decorado com delicados tons pastel e com vista para os jardins e para o Palácio da Pena. Apesar de ter essencialmente mobiliário de época, tinha todos os confortos modernos, incluindo uma máquina Nespresso.

As áreas exteriores do hotel são maravilhosas. Há uma piscina com espreguiçadeiras e camas para descansar e jardins tranquilos com bonitas flores para percorrer. Existe também um pequeno jardim de ervas aromáticas e uma plantação de morangos.

O local mais relaxante da propriedade é o SPA e Centro de Bem Estar Anantara, um spa contemporâneo que oferece tratamentos e massagens que prometem ajudar a unir a mente, o corpo e o espírito, à natureza.

O melhor de tudo para mim? O restaurante! O jantar, acompanhado com vinho de Colares foi inesquecível e o pequeno-almoço absolutamente delicioso.

Muito mais do que um hotel 5 estrelas, Seteais é um luxuoso palácio que nos remete para a elegância romântica do século XVIII. É um cenário único, cheio de poesia e beleza, capaz de transforma qualquer estadia numa experiência inesquecível.

Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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