Alguns dos 34 menires do cromeleque têm um aspeto gracioso, outros são mais pequenos e com formas distintas e na região de Évora até são conhecidos como pedras talhas devido à forma ovóide.

O cromeleque, no seu conjunto, tem a forma de uma elipse, está orientado a nascente e os menires mais altos, com cerca de 2 metros de altura, estão também no ponto mais elevado da pequena encosta.

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

São estes com que deparamos primeiro, após um curto desvio da estrada nacional 370 que liga Escoural a Arraiolos.

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

O cromeleque de Vale Maria do Meio está num lugar isolado, tem pouca visitação e ambiente natural, com os menires a partilharem o espaço com as azinheiras e com o silêncio.

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

Convidam-nos a ficar serenos e mais contemplativos. Dois dos menires têm inscrições, um báculo e a Lua. Tal como no Cromeleque dos Almendres, que não fica distante.

Há um terceiro cromeleque nesta zona, a cerca de 1km, o da Portela de Mogos. A estes cromeleques juntam-se muitos mais monumentos megalíticos, como salienta o arqueólogo Mário Carvalho, “o Alentejo central tem a terceira maior concentração de monumentos megalíticos na Europa, a seguir à Bretanha francesa e ao sudoeste de Inglaterra”.

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

Para Mário Carvalho, que faz visitas guiadas a alguns destes monumentos megalíticos, há várias explicações para esta concentração de sítios arqueológicos.

Uma tem a ver com geografia, “temos o único ponto de contacto entre as três bacias hidrográficas do sul de Portugal, o que explica a confluência de caminhos naturais que vêm da costa até ao interior e que se encontram neste ponto à volta de Évora. Associa-se a abundância de terrenos agrícolas férteis, de água e matéria prima. Terão sido fatores determinantes para a qualidade e antiguidade do património arqueológico que temos nesta zona".

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

O cromeleque do Vale Maria do Meio foi identificado em 1993 pelo arqueólogo Manuel Calado, durante os trabalhos de acompanhamento arqueológico da construção da A6. Alguns dos menires estão deitados. Outros, de grandes dimensões, foram reerguidos com cordas e troncos e a força de cerca de 70 pessoas.

Agora, imaginem dar forma aos menires a partir de rochas de granito e colocá-los de pé, há 7 mil anos, sem o recurso da nossa tecnologia e saber.

Cromeleque Vale Maria do Meio
créditos: andarilho.pt

O gracioso Cromeleque de Vale Maria do Meio faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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