É o Cantinho das Aromáticas, um projeto de agricultura biológica que começou com duas pessoas, atualmente emprega 12 e produz, em média, cinco a seis toneladas por ano, de perpétuas, erva príncipe, lúcia-lima, entre outras espécies que, depois de colhidas à mão são transformadas em infusões, tisanas e condimentos.

“Somos o único projeto de agricultura biológica da Europa a produzir de forma profissional plantas aromáticas”, descreveu à agência Lusa Luís Alves, fundador da empresa, um agrónomo de profissão que, depois de seis anos como encarregado geral do jardim de Serralves, no Porto, decidiu dedicar-se à agricultura e instalou campos de ervas aromáticas na Quinta do Paço, uma propriedade de época medieval localizada em Canidelo, às portas do centro urbano de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

A empresa portuguesa venceu este ano, em Londres, pela sexta vez consecutiva, os prémios nos Great Taste Awards, uma espécie de “Óscar da indústria alimentar”, através de um concurso de prova cega avaliado por um júri constituído por chefes de restaurantes e profissionais com experiência no setor.

Segundo Luís Alves, os jurados tiveram acesso ao produto, sem vislumbrarem a marca, concentrando-se no sabor, qualidade, textura e aspeto.

“Conquistar uma estrela que seja nos Great Taste Awards é sinónimo de qualidade e fazê-lo seis anos consecutivos torna-nos únicos em Portugal”, considerou Luís Alves, especificando que o espaço que, além muros, está rodeado de prédios e recebe cerca de 5.000 visitantes/ano, não é uma quinta pedagógica.

“Trabalhamos para que o consumo das infusões se democratize no ano inteiro. Primeiro como estratégia de hidratação e depois porque é muito mais sensato consumir infusões do que consumir chá que muitas vezes dá a volta ao mundo e viajou mais nos últimos meses do que nós nos últimos anos”, descreveu o responsável quando questionado sobre um dos objetivos do projeto: combater a pegada ecológica.

Numa quinta onde resiste uma velha torre de pedra que terá sido o pombal das aves correio que só as famílias nobres de outros séculos tinham, o Cantinho das Aromáticas produz, ao ar livre, e perto de touros garranos, cavalos e vacas barrosãs, três dezenas de espécies diferentes de plantas sobre telas de plástico porosas e premiáveis, técnica que de acordo com Luís Alves é “inovadora” porque, como em agricultura biológica não se pode usar pesticidas, permite combater as ervas daninhas e infestantes.

“Isto ajuda a resolver um dos principais problemas do agricultor que optou por este tipo de produção. Estas plantas são muito rústicas e muito resistentes a pragas e doenças. É mais fácil fazer aromáticas do que alfaces em estufas. O maior problema são as ervas daninhas”, descreveu o agricultor.

Formado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Luís Alves destacou, também, a relação que a empresa tem mantido com a academia, ao servir de base a projetos académicos, apontando que o principal objetivo é “elevar estes ingredientes ao estado da arte”.

“Como condimentos já usamos ervas há milhares de anos. Mas agora, até mais do que das suas propriedades medicinais, temos de saber tirar partido do prazer que nos dá beber uma boa infusão. E hoje, o Cantinho das Aromáticas, ajuda a inspirar centenas de agricultores que estão espalhados pelo país”, disse o fundador de um projeto que em 2012 foi distinguido pelo Presidente da República por constituir “um novo paradigma de agricultura”.

“Recebemos futuros novos agricultores, mas também urbano-depressivos de varanda que querem experimentar o que é estar no meio da natureza sem sair da cidade ou mesmo pessoas que simplesmente procuram a vitamina D, o sol”, concluiu.

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