Na antiga tinturaria da Fábrica Real de Panos, do século XVIII, podemos ver vários poços cilíndricos onde se fazia o tingimento de panos.

Museu dos Lanificios da Covilhã
créditos: andarilho.pt

É uma das salas onde se ilustra de forma eficaz toda a atividade dos lanifícios na fase pré-industrial.

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O trabalho era artesanal. Logo à entrada, deparamo-nos com um tear muito grande. Há mais no interior do museu e são todas peças originais da região da Covilhã.

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Além da Fábrica Real, havia muitas pessoas a produzir nas suas casas. Com o fim de algumas dessas fábricas muitos teares foram destruídos. A Universidade da Beira Interior, há cerca de 50 anos, quando da inauguração do museu, fez uma pesquisa e conseguiu obter algumas destas peças que são de finais do século XVIII, início do século XIX.

A algumas dezenas de metros encontra-se o outro núcleo do Museu, na Antiga Real Fábrica Veiga, e a exposição é quase toda dedicada à mecanização no processo de produção de lanifícios.

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Grandes caldeiras, teares enormes e com processos mecânicos cada vez mais complexos e ao mesmo tempo mais produtivos. Percebe-se a evolução tecnológica e é também dado o enquadramento da transformação do artesão em operário de grandes fábricas, uma visão complementar ao da produção artesanal.

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De certa forma, o acervo do Museu os Lanifícios é também a história da comunidade judaica e dos cristãos novos na Covilhã. Nos séculos XV e XVI formaram um centro de conhecimento que ultrapassava fronteiras.

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No entender de Elisa Pinheiro, investigadora de História Contemporânea e que esteve na criação do Museu dos Lanifícios da Universidade da Beira Interior, do qual foi diretora durante vários anos, foi a aplicação desse conhecimento conjugado com os recursos naturais da serra da Estrela que tornaram a Covilhã, até aos dias de hoje, um polo inovador na indústria dos lanifícios.

“Os judeus desempenham um papel fundamental. Temos de considerar que o regime de produção doméstica já era especializado. Depois, a partir do século XV, passa a ser mais especializado. Sobretudo com a iniciativa dos cristãos novos de se criarem oficinas de acabamentos. O tecido é apurado ao nível da última fase. É aí que nós vemos prosperidade nos lanifícios. São essas oficinas que vão tornar o processo mais complexo e vão dar origem às fábricas.”

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Algumas dessas famílias têm descendentes que chegam aos dias de hoje e, por outro lado, “as mais importantes fábricas de lanifícios, ainda hoje, foram de cristãos novos no século XIX.”

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No presente, a Covilhã tem dois complexos fabris de dimensão europeia e um deles é a mais importante fábrica de lanifícios da Europa. Sublinha Elisa Pinheiro que muito se deve ao legado cultural e científico, à aposta no conhecimento.

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“É importantíssimo. Os têxteis técnicos, inteligentes são desenvolvidos nesses polos industriais. Houve um período em que os lanifícios da Covilhã estiveram ao serviço do fardamento do Exército, praticamente até meados do século XX. Depois, com a diminuição da produção, houve um salto tecnológico para os têxteis inteligentes e técnicos. Mais uma vez ao nível dos acabamentos. Este é um processo que evolui desde o século XV. As primeiras empresas capitalistas na Covilhã começam nessa altura e o caminho fez-se até ao século XXI onde existem dois importantes complexos especializados a esse nível. Por alguma razão isso acontece.”

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Museu e a herança judaica nos lanifícios da Covilhã faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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