Castelo de Zamora

Terá sido construído no século XI, após a reconquista da cidade aos Mouros que haviam tomado quase toda a Península Ibérica. Para servir de proteção à cidade foi concebido como um castelo fortaleza, aproveitando a sua localização a uma cota elevada, estando rodeado por um fosso de grande profundidade e dispondo de três torres, duas pentagonais e uma heptagonal. O acesso faz-se por uma ponte, que em tempos foi levadiça, que conduz a uma porta de arco apontado. A partir do castelo pode contemplar-se o rio Douro e em torno deste encontra-se o Parque do Castelo composto por bonitos jardins e miradouros.

Castelo de Zamora
Castelo de Zamora créditos: Absente | Dreamstime.com

Um dos episódios mais significativos da história deste castelo teve lugar no século XV, aquando da batalha de Toro, que se deu no âmbito da Guerra da Sucessão de Castela, um conflito que teve por base a disputa de duas mulheres pelo trono . De um lado estava Joana a Beltraneja, alegada filha do falecido rei, e do outro Isabel, meia-irmã do mesmo. Dado que Joana era casada com o rei Afonso V de Portugal, este conflito acabou por se tornar numa guerra entre Castela e Portugal, já que ambos competiam pelo domínio do Oceano Atlântico e das terras até então descobertas na costa Africana. A paz entre os dois reinos foi alcançada com o Tratado das Alcáçovas-Toledo, no qual Portugal abdicou das suas pretensões aos reino de Castela, mas em compensação viu reconhecido o seu domínio sobre o arquipélago da Madeira, dos Açores, de Cabo Verde e da costa da Guiné, enquanto Castela ficou com as ilhas Canárias.

Catedral de Zamora

Esta joia do Românico começou a ser construída em 1140, sobre as ruínas da antiga basílica que ali existia. Conserva a maior parte da sua estrutura original apresentando alguns elementos inusitados, dada a época em que foi construída, tais como os arcos dobrados peraltados e inclusive já apontados (antecipando o início do estilo gótico), ou o zimbório que se eleva sobre o cruzeiro para iluminar todo o interior do templo e que serviu de inspiração a outras catedrais. A sua torre, localizada junto às muralhas da cidade, denota a sua dupla função: religiosa e militar. A chamada Porta do Bispo é a única das três portas da catedral românica que chegou até aos dias de hoje e onde se podem apreciar influências clássicas, francesas, orientais e hispano-muçulmanas. A catedral alberga ainda um Museu Diocesano que vale a pena visitar.

Catedral de Zamora
Catedral de Zamora créditos: Alvaro German Vilela | Dreamstime.com

Foi na catedral de Zamora que, no dia de Pentecostes de 1125, D. Afonso Henriques se armou cavaleiro, num gesto simbólico de emancipação e oposição à sua mãe, D. Teresa, que mantinha uma relação com o galego Fernão Peres de Trava, grande aliado do rei de Leão e Castela. Querendo governar o Condado Portucalense, que estava sob a regência da mãe durante a sua menoridade, D. Afonso Henriques armou-se cavaleiro, reuniu outros tantos e derrotou a mãe na Batalha de São Mamede, assumindo a liderança do condado. Estava dado o primeiro passo para a fundação da nacionalidade Portuguesa.

Plaza de Viriato

Esta praça da cidade de Zamora deve o nome à estátua que ali se encontra em homenagem ao líder da tribo Lusitana que derrotou os romanos em diversas batalhas, tendo conseguido conter a expansão Romana na Península Ibérica. Ficou conhecido como o “Terror dos Romanos” por se opor e, em alguns casos, derrotar a superpotência da época que se intitulava arauto da civilização. Certo é que os Romanos não podiam contar com a submissão dos povos da Península Ibérica, tendo sido forçados a ocupar permanentemente o território com quarenta mil homens. Roma ainda terá chegado a pactuar com Viriato, como que reconhecendo-o como soberano, todavia, à traição, compactuou com três dos seus aliados para que o assassinassem. Sem a forte oposição de Viriato, os exércitos romanos puderam atravessar o rio Douro e chegar à Galiza. A estátua de Viriato que se encontra nesta praça de Zamora apresenta o herói lusitano fazendo uma saudação com o braço direito e segurando uma túnica e uma espada com o esquerdo. Uma estátua semelhante, mas em tamanho reduzido, encontra-se em exposição no Museu de Zamora.

Outros locais de interesse

A cidade de Zamora é considerada a capital do Românico, uma vez que tem a maior concentração de edifícios e vestígios do período Românico de toda a Europa. Ao todo são 24 igrejas, a catedral (já referida), dois palácios, uma ponte e cerca de uma dezena de casas. Vale a pena fazer a rota do Românico e conhecer este enorme património arquitectónico.

Azenhas de Zamora
Azenhas de Zamora créditos: Luca Quadrio | Dreamstime.com

O Museu de Zamora é um local de visita obrigatória onde ficará a conhecer a história da cidade desde os primórdios. Ainda para mais está sediado num dos edifícios de arquitetura civil mais interessantes da cidade, erguido em princípios do século XVI.

As Azenhas de Zamora constituem-se com um dos conjuntos de azenhas mais antigos de toda a Espanha. A sua origem remonta à Idade Média e algumas delas funcionaram durante mais de mil anos. Uma visita à cidade não fica completa sem conhecer um destes engenhos hidráulicos que tiveram um papel importante na atividade económica desta província Espanhola.

Fotografia de destaque: Grantotufo | Dreamstime.com

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