Nantes é a capital histórica da Bretanha. Conhecida ainda por ser o principal porto francês do mercado de escravos, é, porém, o futuro que melhor caracteriza a sexta maior cidade de França. Hoje, o dinamismo económico e a dinâmica social que gravita à sua volta fazem dela um fenómeno. A cidade cinzenta e parada no tempo é agora caracterizada pela criatividade, que fala mais alto e a reinventa, brindando-a de audácia e inovação. Curioso? Não perca tempo e reserve já os seus bilhetes para Nantes.

A cidade de hoje é bastante mais colorida do que a de outrora, mas isso não é razão para que esqueça a sua história. Zona de vinhos e vinhas, em que se destaca o conhecido Muscadet, também vai buscar ao mar uma base importante da sua economia, já que fica a cerca de 50 quilómetros do Oceano Atlântico. A serra e o mar caracterizam a paisagem e dão-lhe contornos únicos.

O elefante no meio da ilha

A cidade natal de Júlio Verne não poderia deixar de prestar a devida vénia ao “artista da terra”. Por isso, juntou o génio do escritor ao de Leonardo da Vinci e o resultado não poderia ser melhor...

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Criatividade equilibrada: orgulho no passado, de olhos postos no futuro

A Ilha das Máquinas é uma das atrações turísticas mais famosas da cidade e nela poderá encontrar muito para além do famoso elefante, fazendo a ponte entre a Nantes de outrora e a Nantes virada para o amanhã. Do passado, o Château des Ducs de Bretagne é o monumento histórico mais importante, graças à sua muralha datada do século XV e aos vários edifícios construídos entre os séculos XIV e XVIII. Aqui encontrará ainda o Museu de História de Nantes.

O Memorial da Abolição da Escravatura também merece a devida atenção: há 1710 placas no chão, ao longo de sete quilómetros de caminho. Cada placa, um navio que partiu de Nantes. A bordo, quantas vidas neles transportadas? Para além destes museus, destaque ainda para a Torre Lu, a Catedral, o Museu de Artes e o Jardin des Plantes.

Do futuro, uma cidade atual, pensada de e para o mundo real. Uma indústria naval afundada deu o mote para que uma nova cidade renascesse das cinzas. Na década de 1990, muitos foram os artistas convidados a contribuir de forma decisiva nesta missão, à partida, impossível; hoje cumprida. O anfitrião, Jean-Marc Ayrault, então presidente da câmara de Nantes, viu na cultura a resposta que a cidade precisava para revitalizar a economia local. O resultado foi excelente.

Sustentabilidade ambiental, sustentabilidade cultural: sinergia perfeita

Nantes fez do ambiente e da relação direta que tem com o desenvolvimento, a sua bandeira. Em 2013 foi eleita “Capital Verde da Europeia” e é protagonista de um projeto original criado por Jean Blaise, que “invade” a cidade durante os meses de julho e agosto. ‘Le Voyage à Nantes’ é um evento cultural que oferece a descoberta constante destes edifícios históricos e inúmeras exposições temporárias. O caminho, traçado literalmente a linha verde, é o trilho artístico proposto, que tanto pode ser percorrido a pé como de bicicleta, durante todo o ano, mas tem maior expressão nos meses estivais. Muitos são os artistas convidados a expressar a sua criatividade em exposições, instalações artísticas, performances, concertos, gastronomia e muito mais, aliando cultura e ambiente.

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Velocidade, espírito competitivo e outros

Se procura emoções fortes, talvez seja uma boa ocasião para visitar a cidade de La Mans. A cerca de duas horas de viagem de automóvel, esta é a cidade mais a norte do Vale do Loire e palco da mais importante corrida de desporto motorizado, as 24 Horas de Le Mans. Poderá visitar o museu e os segredos que se escondem atrás da emblemática competição. Ainda que os automóveis sejam aquilo que mais visitantes leva à cidade, Le Mans não se esgota nas corridas. Vale a pena arriscar um passeio pela zona mais antiga da cidade, uma visita à Catedral e também ao Museu de Tesse. Este museu reúne coleções de pinturas italianas, flamengas, holandesas e francesas, do século XV ao XIX. Para além disso, apresenta móveis, esculturas e uma galeria egípcia. As exposições permanentes contam com peças de entre os séculos XII e XX.

Em 2001, foi inaugurado um espaço dedicado ao Antigo Egipto, onde são apresentadas reconstruções de sepulturas da rainha Nofretari, casada com Ramsés II, e Sennefer, o responsável, à altura, da cidade de Tebas.

Nantes é hoje uma cidade renovada, fresca e que convida ao turismo. Berço de produtos e produtores, diz quem sabe que este é mesmo a sua especialidade: a qualidade senta-se à mesa e apela constantemente à gula. Sabor, saber e aventura, eis as palavras-mestras da cidade mais rápida de todas. Esta é a boleia de que precisava para ver o novo filme de Matt Damon e Christian Bale: “Le Mans ’66”. Ready, set, go!

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créditos: David Merrett/ CC BY 2.0
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