Preparem-se para fazer vídeos e fotografias quase em ‘salto alto’ face à paisagem urbana e frenética de Nova Iorque, desta forma que eu própria provei: atravessar Brooklyn Heights Promenade. Comece a caminhada na ponte de Brooklyn e calmamente vá saboreando o pôr-do-sol mais ‘metropolitano’ do planeta. Agora, com o frio que já lá se sente, inclua mesmo esta travessia na sua lista de atrações turísticas, na viagem a NYC. Das cidades do mundo que mais amo e onde sinto que nasci, noutra vida.

Ainda tem outro ‘smart point’ que considero imperdível e não precisa de ‘estar no topo’: depois da ponte de Brooklyn vá pelas ruas de Dumbo até se encontrar com o rio Hudson. Sente-se e veja a elitista Manhattan de forma serena e soberba. Manhattan é a zona mais desejada de entre as cinco áreas divididas na cidade nova-iorquina. Ir lá ou vê-la através de Brooklyn é indispensável para compreender a dinâmica da metrópole. Essa dinâmica que não é ideal pois os diferentes bairros distinguem-se, de forma clara, com ritmos de riqueza e pobreza. Residi 3 semanas em Manhattan e percorri tudo ‘a eito’. Mesmo em Manhattan tem as duas áreas estratificadas: os ‘upper’ e os que são de comunidades mais desfavorecidos. São realidades que se devem ver destes ‘topos’. Porque viajar é perceber. Não me canso de voltar lá. Já fui três vezes e preparo-me para ir de novo e trazer-vos mais dicas sobre a despedida diária do sol. Como viajante de vários pontos cardeais, especialmente em sítios ocidentais tão industrializados como Nova Iorque, considero muito importante sabermos apreciar o pôr-do-sol.

Os locais e os turistas esquecem-se do sol das grandes cidades porque são consumidas pelo frenesim do conceito populoso, pela sombra dos enormes edifícios e pelas atrações tão variadas e ruidosas. Pode ver as principais atrações, mas depois da espetacular Times Square ou do Soho, mergulhe no pôr-do-sol de Nova Iorque. Aí sim, tem a viagem ‘fechada’ e pode voltar. Ah e tente, se for ousado o suficiente, captar uma foto indo também à ponte de Brooklyn. Eu fiz isso e a fotografia ficou uma imagética típica de poster que todos colam na parede de casa: eu de preto, com sorriso gigante, na ponte acinzentada repleta de táxis amarelos.

Depois ‘deslizo’ para baixo, no continente americano e chegamos a Cuba. Pleno Caribe, quase estou a sentir o calor e a ver de novo as águas esverdeadas deste país sem igual. Centro a minha câmara, agora, em Havana, especificamente no Hotel Nacional. Fiquei ali hospedada e visualizei o pôr-do-sol e o que mais vinha à tona com ele: de um lado vai ver crianças descalças a brincar numa fonte, inocentes e felizes. E prédios com a cara desfeita. Crianças e casas privadas da riqueza que está do outro lado e que do maior hotel prestigiado de Havana consegue perceber: elevados edifícios completamente bem guarnecidos e sem fachadas destruídas. Há dois cenários tão claros à luz ténue do pôr-do-sol que nos atormenta a alma, pois estão lado a lado e consegue ver tudo com um simples movimento do olhar. Não precisa sequer mudar o seu ângulo, do topo do hotel ou da janela do quarto, se estiver nos pisos superiores. Temos ali os dois mundos, numa vista só. Tive vontade de descer do alto do Hotel Nacional e ir para a fonte. O meu lugar era junto das brincadeiras incautas dos miúdos, a justiça das coisas começava ali.

Por fim, em jeito de sugestão de topos ocidentais com vistas para o sol a deitar-se: mais abaixo estamos na América do Sul e temos o exemplo de um ‘topo’: o Cristo Redentor. Um dos miradouros mais alucinantes que já vivi, apesar da confusão diária turística. Todos querem subir e ver os braços abertos de Cristo de pedra. Fui até lá numa carrinha completamente ‘blindada’ atravessando a favela da rocinha. Vi muitas situações desfavorecidas, mas o funk até me desviava a atenção da pobreza e do perigo das favelas. Quis mesmo sair da carrinha para dançar com eles e de havaiana. Mas não foi possível e subimos rapidamente até Cristo. Lá chegando, conte com filas, embora não propriamente nesta altura da pandemia.

Quando subi mais ‘um degrau’ na altura, então fiquei a espreitar todos os lados da estátua e nunca consegui ver o rosto de Cristo Redentor porque o sol impedia-me. Dali, mesmo à hora dourada, vou confessar que não é o pôr-do-sol que o vai cativar mas a grandeza do Redentor e toda a paisagem da cidade maravilhosa. E, tal como em Havana, os dois mundos ‘comendo’ lado a lado: as cerca de seiscentas favelas e as zonas ecléticas como o caso do Leblon. O Brasil é dos países mais complexos que se pode visitar precisamente por causa desta visão de cima: favelas e bairros poderosos. Todavia, Cristo Redentor está de braços abertos para acalmar a desigualdade vibrante.

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