Sou fascinada por aviões, foguetões e por todo o esforço científico, de engenharia, vontade e cooperação que, em pouco mais de meio século, levou o Homem a chegar à Lua, há precisamente 50 anos. Quatro meses antes de Armstrong, Aldrin e Collins completarem com êxito a Missão Apollo 11, a Europa alcançava também um marco na história da aeronáutica: com André Turcat aos comandos, o magnífico avião supersónico Concorde descolava de Toulouse para o seu voo inaugural. Os avanços e inovações da aeronáutica protagonizados pela França podem hoje ser vistos ao vivo numa visita à linha de montagem da Airbus, onde se finalizam os gigantes A380 e A350, conjugada com um viagem que percorre todos os marcos desta galopante evolução, no Museu Aeroscopia.

O Aeroscopia possui uma colecção de aeronaves de valor inestimável. Entre os 30 aviões históricos expostos no grande pavilhão, estão pioneiros como o Blériot XI de 1909 (em réplica) e caças como o russo Mig 15 Bis, o americano Lockheed F104 e o franco-britânico Sepecat Jaguar. Mas o melhor é que, neste museu, vai mesmo poder entrar em aviões icónicos como o enorme transportador Super Guppy, o avião de carga A400M Atlas e, imaginem, o Concorde – o museu tem 2 dos 18 aviões expostos em todo o mundo! Ou seja, vai ser difícil querer sair – pelo menos foi o que me aconteceu.

Concorde
Concorde créditos: Vera Dantas

Entrar num Concorde

O Aeroscopia divide-se entre um grande pavilhão e um espaço exterior. Na área coberta o avião que mais me impressionou foi o Concorde F-WTSB – a estrutura de plataformas do museu permite vê-lo de cima e aceder ao seu interior – algo que nunca pensei poder fazer.

Lembro-me bem do dia em que, ao passear no Hyde Park em Londres, tive o privilégio de ver um Concorde acabado de descolar. A elegância natural do avião a subir num céu azul e o som grave dos potentes motores que lhe permitiam alcançar a velocidade máxima de 2179 Km/H é algo que não se consegue descrever completamente, pois ao vivo sentiam-se as vibrações do ar na pele.

No Aeroscopia, pude entrar no Concorde 201 F-WTSB, um exemplar usado para testes. O espaço interior para os passageiros é maior do que imaginava, tendo em conta que se tratava de um avião supersónico em que o peso tem ainda mais impacto nas operações. Os assentos são largos e pode-se andar em pé lá dentro. Extraordinário mesmo é o cockpit, um espaço apertado repleto de instrumentos e controlos que era operado por 3 pessoas altamente especializadas: o piloto, o primeiro oficial e o engenheiro de voo. Ao nível do chão, é espantoso estar debaixo das asas gigantes deste avião e ao lado dos motores Rolls Royce, geradores de 19 toneladas de impulso cada um.

No exterior, o museu expõe ainda o Concorde 209 F-BVFC, um avião que esteve ao serviço da Air France entre 1976 e 2003. Quando o virem, saibam que este mesmo avião fez a circum-navegação da Terra por duas vezes. A primeira, em 1989, completou-se em 37 horas e 25 minutos e aconteceu 470 anos depois de Fernão Magalhães partir para a 1ª circum-navegação do globo, por mar.

O Concorde já não voa, mas será sempre um símbolo dos maiores avanços da aeronáutica e um testemunho da primeira grande empreitada de cooperação entre países europeus para desenhar e construir um avião – e que avião!

Concorde
Concorde créditos: Vera Dantas

Na barriga do Super Guppy

O Super Guppy deve a sua existência aos vários projectos da NASA nos anos 1960, em particular ao Programa Apollo para enviar o Homem à Lua. O transporte das partes do maior foguetão do mundo – o Saturno V – entre a Califórnia, onde foi fabricado, e o Cabo Kennedy na Florida, onde seria lançado, era feita por navio, o que era insatisfatório para a NASA, sobretudo devido à corrosão do ambiente marítimo. Um engenheiro, um empreendedor e um veterano da II GM californianos conceberam uma solução invulgar para o problema: uma aeronave de carga gigante, e apresentaram-na ao chefe de programas da NASA, Werner von Braun, em pessoa.

Muitos não acreditavam que tal avião pudesse voar, mas em 1962 o Guppy descola pela primeira vez, tendo sido criadas posteriormente várias versões, das quais a maior foi o Supper Guppy SGT. E é este modelo colossal que pode ser visitado, por dentro, no Aeroscopia. Mesmo depois de o ter visto, ainda me custa acreditar que tenha realmente não só voado, como transportado inúmeras grandes partes de aeronaves.

O sucessor do Supper Guppy, o Beluga, além de não menos impressionante, tem um design futurista inspirado numa beluga, até com olhos e um sorriso azul. Tive a sorte de o ver a sobrevoar a estrada em que viajava ao chegar a Toulouse… foi preciso inspirar fundo para processar a magnitude do feito de engenharia que faz voar esta “baleia dos ares”.

Dos aviões a tela que voavam a poucos metros do solo aos gigantes dos ares capazes de circum-navegar a Terra, passar uma tarde no Aeroscopia é mesmo viajar no tempo, com o futuro sempre no horizonte.

Super Guppy
Super Guppy créditos: Vera Dantas

Informações úteis

Localização: 1 Allée André Turcat, 31700 Blagnac, França

Website: http://www.musee-aeroscopia.fr

Reservas online: http://www.billetterie.manatour.fr/

Preço das Entradas: Crianças até 6 anos: grátis; tarifa reduzida (menores, estudantes, séniores, pessoas com deficiência e famílias numerosas): 10 €; Adultos: 12,5€.

Contactos: Email – info@musee-aeroscopia.fr | Tel.: 05 34 39 42 00

Horário de Funcionamento: 9h30-18h00; Férias escolares locais: de 9h30-19h

Existe um parque de estacionamento gratuito e espaçoso junto ao museu.

O museu é acessível a deficientes motores e tem um percurso de visita guiada táctil para invisuais.

Pode adquirir um bilhete conjunto para visitar o Aeroscopia e a Linha de Montagem da Airbus, que fica mesmo ao lado.

Texto e Fotos:
Vera Dantas – blog PortoEnvolto

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