34 anos após o acidente nuclear, que marcou para sempre a história da antiga União Soviética, da Europa e do mundo, muito mudou, mas há lugares que permanecem em suspenso.

Na cidade-fantasma de Pripiat, a ausência de vida humana dá lugar à vegetação que conquista terras abandonadas. O cenário de abandono adensa o mistério e a curiosidade sobre Chernobyl que se transformou em atração turística, existindo várias agências ucranianas que organizam tours.

Percorra a galeria de fotos e veja algumas imagens que retratam o estado atual de Chernobyl - uma seleção publicada no site Unsplash.

Em outubro do ano passado, a sala de controlo do reator 4 abriu ao público, juntando-se a outros espaços da zona que já podiam ser visitados. O programa inclui visitas à nova cúpula de confinamento sobre o reator, a aldeias abandonadas, ou alimentar siluros que vivem nas águas radioativas de um canal de arrefecimento da central.

Em alguns locais, os medidores de radiação portáteis de alguns visitantes assinalam ruidosamente elevadas taxas de radiação O ponto alto da visita é Pripiat, cidade-fantasma situada a alguns quilómetros da central evacuada em três horas a 27 de abril de 1986. Na altura do acidente, era habitada por 50 mil pessoas, que nunca mais voltaram.

Chernobyl, de lugar proibido a atração turística
Pripiat créditos: Unsplash

No total, cerca de 350.000 pessoas foram retiradas ao longo de anos de um perímetro de 30 quilómetros em redor da central. O balanço humano da catástrofe ainda hoje é controverso, com estimativas que vão de trinta a 100.000 mortos.

Vida selvagem

A ausência de humanos também transformou a zona numa reserva de vida selvagem única.

Logo após o desastre, cerca de 10 km² de pinhais que rodeavam a central foram destruídos devido a terem absorvido um alto nível de radiação, e os pássaros, roedores e insetos que viviam ali também desapareceram.

O local do "Bosque Vermelho", chamado assim pela cor das árvores danificadas, foi arrasado com escavadeiras e os pinheiros mortos enterrados como dejetos nucleares.

Há vida animal a prosperar em Chernobyl
Um grupo de cavalos foi trazido para esta região em 1990 e tem prosperado desde então. créditos: AFP PHOTO / GENYA SAVILOV

Contudo, desde então, surgiu no mesmo local um novo bosque de pinheiros e videiras, mais resistentes à radiação. E a natureza experimentou transformações bastante curiosas.

Por uma lado, desapareceram as espécies dependentes dos dejetos produzidos por humanos, como as cegonhas, os pardais e os pombos. Ao mesmo tempo, ressurgiram espécies nativas que haviam prosperado muito antes da catástrofe, como lobos, ursos, raposas, linces e águias.

Em 1990, alguns cavalos de Przewalski, em vias de extinção, foram levados ao local para ver se poderiam reproduzir-se. O experimento foi tão bom que hoje em dia mais de cem exemplares pastam tranquilamente nos campos vazios.

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