Durante 48 horas, circularam rumores de que a fronteira entre o leste e o oeste de Berlim estava prestes a ser encerrada. Com o passar das horas, a notícia revelou-se verdadeira.

Na sexta-feira anterior, o Parlamento, ou Câmara do Povo da comunista República Democrática Alemã (RDA), aprovou a adoção de medidas necessárias para conter o êxodo da sua população para o lado ocidental.

Ao longo de 12 anos, mais de três milhões de cidadãos fugiram do regime comunista e optaram pela liberdade e pela prosperidade oferecidas pela Alemanha Ocidental.

Novos alertas

Às 4h01 de domingo um alerta da AFP proveniente de Berlim afirmava: "O Exército e a Volkspolizei (Polícia Popular Alemã) estão a reunir-se nos limites das áreas oriental e ocidental de Berlim para bloquear a passagem".

Um segundo alerta confirmava a informação. "Os comboios metropolitanos de Berlim não circularam nas últimas duas horas entre uma área e outra".

Na sequência, são divulgados vários alertas:

- 4h28: "O conselho de ministros da RDA decidiu estabelecer nas suas fronteiras, incluindo as da área leste de Berlim, controlos comuns nas fronteiras de Estados soberanos".

- 4h36: "Uma ordem do Ministério do Interior da Alemanha Oriental proíbe que os habitantes do país entrem em Berlim Ociental, caso não trabalhem na área".

- 4h50: "Os habitantes de Berlim Oriental não poderão trabalhar em Berlim Ocidental, de acordo com a decisão das autoridades da cidade de Berlim Oriental".

Arame farpado e armas

No início da manhã, o correspondente da AFP descrevia a situação na cidade.

"Arame farpado e mecanismos de defesa foram instalados durante a noite para encerrar hermeticamente a fronteira entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental".

"A estrada está praticamente bloqueada para os refugiados".

"A maioria dos pontos de passagem entre os dois lados da cidade foi bloqueada desde o amanhecer, e patrulhas de policias com armas vigiam os locais".

"Apenas 13 passagens da fronteira permanecem abertas entre as duas partes de Berlim, controladas por várias unidades reforçadas da polícia armada".

Fuga dramática

"Os alemães do leste de Berlim não podem seguir para o oeste sem uma autorização especial. Os controlos são muito rígidos".

"Enquanto a rede cai sobre a parte comunista da cidade, um jovem berlinense do leste consegue, contra todas as probabilidades, derrubar com o seu carro o arame farpado que separa os dois lados da cidade".

Surpresa ao observar o jovem a avançar em alta velocidade com um Volkswagen, a polícia não consegue parar o carro, que "arrasta o arame farpado para o outro lado da rua, até o lado francês", escreveu a AFP.

"Faixa da morte"

Pouco a pouco, os quilómetros de arame farpado deram lugar a 43 quilómetros de um muro de cimento que dividiu a cidade em duas, do norte ao sul.

Outro muro externo de 112 quilómetros isolava o território de Berlim Ocidental e os seus dois milhões de habitantes da RDA.

Sempre a ser aperfeiçoado durante os seus 28 anos de existência, mais de 100 quilómetros de muro foram construídos com blocos de betão armado de 3,60 metros de altura, coroados por um cilindro sem nenhum ponto de contato que tornava praticamente impossível escalar.

O resto foi feito com arame farpado.

Ao longo do lado leste do que ficou conhecido como o "muro da vergonha", encontrava-se a "terra de ninguém", de 300 metros de profundidade em alguns trechos.

Ao pé do muro, a "faixa da morte", construída com um piso fino que permitia ver as pegadas, estava equipada com instalações que ativavam armas e minas de forma automática.

Apesar do hermetismo da "muralha de proteção antifascista", como é conhecida oficialmente, cerca de 5.000 pessoas conseguiram fugir até à queda do muro em 9 de novembro de 1989. Quase 100 pessoas morreram a tentar passar a barreira.

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