A recolha das memórias surge no âmbito do projeto “Há Festa na Aldeia” e arrancou em três aldeias do distrito do Bragança, estando previsto percorrer outras durante os próximos meses.

Este trabalho resulta de um parceria com o programa “Memória para Todos”, um projeto de formação e investigação colaborativa e de ciência cidadã desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro República e Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova (NOVA FCSH) e pela Associação Keep.

De acordo com os responsáveis, trata-se de “um programa de registo em áudio e vídeo de testemunhos orais e de digitalização de documentos e objetos que permitem contextualizar e integrar de forma transversal os diferentes protagonistas na narrativa histórica”.

“São as histórias que muitas vezes a História não conta. São as memórias e as recordações das pessoas, enquadradas no tempo e no espaço”, como indicou à Lusa a Associação Aldeias de Portugal, responsável por estas iniciativas.

Este trabalho de recolha começou nas aldeias de Talhas, em Macedo de Cavaleiros, Paradela, em Miranda do Douro e Rio de Onor, em Bragança, “com a recolha de cerca de 40 testemunhos e mais de 200 documentos e objetos”.

“O Há Festa na Aldeia tem uma premissa clara sobre a qual incide todo o seu trabalho e que tem a ver com a importância de ir ao encontro das expectativas da comunidade. Ouvindo as suas memórias, aprendemos mais sobre o território e sobre nós próprios. As memórias da vida na aldeia, partindo do individual para construir o coletivo, indica-nos o caminho que devemos seguir para uma dinamização sólida e honesta do interior do país”, considerou Teresa Pouzada, presidente da Aldeias de Portugal.

O projeto “Memórias da Aldeia” tem por missão “identificar, patrimonializar e divulgar as histórias e memórias relacionadas com a vida nas aldeias recorrendo à história oral e ao registo de coleções pessoais, contextualizada”, como sustentou Maria Fernanda Rolo da NOVA FCSH e coordenadora científica do programa “Memória para Todos”.

“Queremos conhecer a história do país pela voz de quem viveu estes territórios, os construiu e percorreu, é um projeto de afetos”, vincou.

O projeto pretende evidenciar “a importância da história de vida para o conhecimento e compreensão da história local e para a construção de identidade e o fortalecimento de dinâmicas comunitárias”.

A responsável científica refere ainda que “este é um projeto de investigação científica, feito de forma colaborativa, integrando as diferentes formas de conhecimento, valorizando-os”.

Rio de Onor, a aldeia comunitária do concelho de Bragança, é uma das abrangidas pela iniciativa e o presidente da junta de freguesia, José Preto, acredita que “é importante envolver a comunidade para que percebam estas ações como parte de um plano de combate à desertificação e potenciador de um novo tipo de turismo, associado que é genuíno e autêntico”.

O “Há Festa na Aldeia” é o nome do projeto inspirado no filme de Jacques Tati e coordenado pela ATA - Associação de Turismo da Aldeia, que envolve oito localidades do norte do Portugal e que tem como missão principal “combater o isolamento”, trabalhando com os parceiros locais na recuperação de tradições e organização de eventos para levar vida às aldeias.

Fonte: Lusa

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