Primeiro presidente indígena

Ex-território do império inca localizado no planalto andino, a Bolívia é o país da América Latina com a maior proporção de população indígena: 41% dos 11,5 milhões de bolivianos (Censo de 2012).

Em 22 de janeiro de 2006, Evo Morales, líder do Movimento ao Socialismo (MAS) nascido na pobreza no altiplano, pastor de lhamas e depois líder sindical cocaleiro, tornou-se o primeiro presidente indígena da Bolívia.

A Constituição de 2009 procurou reparar séculos de injustiça dando maior destaque aos indígenas: reconhecimento de 36 idiomas oficiais (Quechua, Aymara, Guarani, entre outras), reconhecimento da justiça indígena com os processos e costumes próprios, no mesmo nível da justiça educação comum e multicultural.

Instabilidade política

Reeleito em 2009 e 2014, Morales foi autorizado a candidatar-se à reeleição indefinidamente em 2017 por uma decisão polémica do tribunal constitucional, opção que havia sido rejeitada em 2016 por plebiscito.

Desde a sua independência em 1825, a Bolívia já foi palco de 200 golpes ou tentativas, chegando a três em menos de 48 horas, segundo historiadores.

Até 1982, a nação vivia imersa em grande instabilidade política.

A instabilidade voltou em 2019, quando a oposição denunciou fraude numa nova reeleição de Morales.

Depois de três semanas de protestos, Morales renunciou após perder o apoio dos líderes militares.

Morales foi sucedido pela política direita Jeanine Áñez, que convocou novas eleições.

Esta campanha é marcada pela polarização na figura de Morales, pela deterioração económica e pela pandemia do coronavírus.

Nacionalização da economia

O crescimento do PIB boliviano é um dos mais importantes da região nos anos Evo Morales, especialmente graças à nacionalização dos hidrocarbonetos em 2006.

As receitas de hidrocarbonetos aumentaram de 673 milhões de dólares em 2005 para 2,28 mil milhões em 2018.

O controlo estatal estendeu-se às telecomunicações, fundos de pensão, usinas hidrelétricas, aeroportos e mineração.

O governo investiu os lucros em programas sociais e infraestrutura pública.

Pobre apesar dos recursos

A Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina, mas o nível de pobreza caiu de 45% da população em 2010 para 34,6% em 2018 (Banco Mundial).

Evo Morales aumentou várias vezes o salário mínimo.

O país tem a segunda reserva de gás mais importante da América Latina, apenas atrás da Venezuela; as primeiras reservas de lítio do mundo e importantes depósitos de metal (ferro, cobre, estanho).

A Bolívia multiplicou os acordos de investimentos com o exterior, especialmente com a China, para a exploração de gás natural e principalmente de lítio, do qual espera tornar-se o quarto maior produtor mundial.

Com 25.500 hectares de cultivo de coca (matéria-prima para a fabricação da cocaína) em 2019, é o terceiro país produtor, depois da Colômbia e do Peru, segundo a ONU.

Sem saída para o mar

A Bolívia (1.098.581 km2) fica entre Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Peru, sem acesso direto ao mar para os seus produtos.

Em outubro de 2018, a Corte Internacional de Justiça de Haia acabou com as mais recentes esperanças dos bolivianos de ganhar acesso ao mar perdidas na Guerra do Pacífico (1879-1884) contra o Chile.

Metade do território é coberto por florestas, principalmente a Amazónia. Recentemente, os incêndios florestais destruíram milhões de hectares de vegetação.

Os defensores do meio ambiente censuram Morales por ter permitido o desmatamento com fogo para expandir a agricultura. Mas o governo de Morales culpou a seca, o vento e as queimadas ilegais.

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