As portas abrem-se e a viagem começa. A música apoteótica de Ennio Morricone, Ecstasy of Gold, anuncia que a noite será épica. Ecstasy of Gold tem os ingredientes necessários para marcar o ritmo, lançar suspense e nos deixar ansiosos com o que se segue.

O cenário intimida. Há uma senhora deitada, pálida, inanimada. Ficamos com receio de pegar nos bolinhos, com ar de croquetes redondos, que estão junto a ela.

Em a Filha de Atlas circulamos à volta de uma mesa. Há bolinhos recheados com azeitona verde, presunto pata negra, cogumelos e salmão. Para acompanhar, Poseidon, um cocktail que junta Porto seco, água do mar e citrinos.

Chegados à Ilha, relaxamos ao som de Vulevo al sur (koop remixe) de Astor Piazzolla. Em cima da mesa, agora já sentados, uma colher com caviar; yuzo e ouriço-do-mar. É tudo para degustar. Para acompanhar, o espumante da região do Douro, Vertice Pinot Noir de 2007.

Segue-se a Descoberta. Primeiro, tapam-nos os olhos. Escuta-se Light of the Seven, composta por Ramin Djawadi e que pressagia uma tempestade. Na mesa: ostra, mexilhão, camarão e perceves. Mergulhamos agora no mar e não há regresso. Bebemos dos Açores um Terrantez do Pico (2015).

Atenas. Quase que nos perdemos com o polvo, a cebola defumada e as ervas. Mas a música de Skinny Vegetarian Boy, da banda sonora de “A Vida de Pi”, quase que nos deixa enigmáticos. O que será que vem a seguir? O que o chef Luís Mourão terá preparado? Aconchegamo-nos com a reserva da Quinta de Saes, um vinho branco de 2015.

Guerra. Um cenário dramático. Começa Come with me de Puff Daddy. Na mesa, líchia. Parece um olho perdido, arrancado a alguém. Há fogo no meio da mesa onde se finaliza a espetada de carabineiro, moleja e lula. Agora, escuta-se Pink Floyd, Dogs of war. Bebe-se Sem Vergonha (Alentejo, 2015), o único vinho tinto da noite.

Os olhos são vendados novamente. Não sabemos o que vem a seguir, mas, há pouco, Light of the Seven anunciava uma tempestade. Ouvimos um relâmpago. O tempo muda. Sentimos gotas a cair no rosto e vento nas costas. E depois da Tempestade, a bonança. Retiramos a venda do olhos. A música La Femme D’Argent dos Air convida-nos a relaxar. Somos presenteados com lavagante, bisque e gnocchi de batata-doce. Para acompanhar, Bebes Comes (Dão, 2015).

Ao som de Cold little heart, de Michael Kiwanuka, entramos no Mundo Submerso. Há um frasco sob a mesa com uma vieira. É também servido risoto de ervilha. Bebe-se Quinta do Boição Vinhas Velhas, de Bucelas (2000).

Da mesa, que parece um aquário e onde há peixes a nadar, surge-nos a flutuar a sobremesa: maçã, verde e bolo de vinho branco. É a Busca da Cidade Perdida.

E assim nasce o Mito. É-nos colocado em cima da mesa uma máscara dourada, que, afinal, é chocolate e conta com amendoim, limão e pêra. A última sobremesa da noite é acompanhada por um cocktail com metaxa, Fernet branca, redução de cerveja preta e canela. O jantar termina ao som de On the nature of daylight, de Max Richter.

Ao contrário do que aconteceu em 2016, com o tema Sete Pecados Capitais, em que Luís Mourão e a sua equipa entraram na sala e dando pistas do que viria, este ano, os clientes são incentivados a interagir mais com o cenário e com a mesa.

“É uma experiência completamente diferente”, descreve o chef, que, em conjunto com a sua equipa, começou a trabalhar no conceito há cerca de dois meses.

Para Luís Mourão, o desafio foi criar a sensação de que se está dentro de um barco e jogar com os temas de forma a estimular os cinco sentidos e a resultar na sala de jantar.

Sons, sabores e cheiros do mar vão se cruzar a 03 de novembro, no restaurante Al Quimia, para um jantar único e com lotação máxima de 24 pessoas. O jantar tem o valor de 150 euros por pessoas.


Jantar Sensorial do Al Quimia

Data: 03 de novembro às 19 horas

Lotação: 24 pessoas

Preço: 150 euros por pessoa

Morada: Avenida da Praia da Falésia, 8200-593 Albufeira

Informações e reservas: info.algarve@epic.sanahotels.com // +351 289 104 301

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