Amarante, Baião, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Marco de Canaveses, Mondim de Basto e Resende, da região demarcada dos Vinhos Verdes, unem forças num “Verde Sentido” que não só faz todo o sentido, como apura os sentidos, que só um bom vinho e um bom prato conseguem despertar.

A peculiaridade e intensidade de um bom vinho verde advém, não apenas, das suas castas autóctones, mas também de um terroir único e da influência marítima que chega ao território. Ingredientes celestiais para produzir um vinho único, que estimula sentidos e cria harmonizações perfeitas com qualquer prato.

São também sete os principais motivos para escolher o vinho verde: versatilidade, frescura, carisma, genuinidade, juvenilidade, fidelidade e singularidade. Existem outros, muitos mais! Razões que sobejam na companhia da gastronomia típica da região e que tornam este vinho tão especial.

Partimos à aventura por estes sete municípios e fomos sempre tão bem recebidos. Acolhidos com um bom copo de vinho verde e um prato típico, que tornam cada lugar um pequeno pedaço de céu e cuja visita sensorial é mandatória para provar em primeira mão (ou no primeiro copo) o que só a visão, o olfacto, o paladar, o toque e a audição conseguem explicar.

A região está determinada - e bem! - a criar e oferecer experiências únicas em torno do vinho, que não passam “apenas” por restaurantes ou produtores, mas que incluem estadias em casas de alojamento local, provas comentadas, visitas às adegas, participação nas vindimas e oficinas sobre vinho verde e as suas castas, entre muitas outra atividades, que este território pode proporcionar. 

Sem correlação com o vinho verde e, ainda assim um ótimo pretexto para visitar estes sete municípios, são os seus monumentos, o seu património, a sua história, as suas tradições, a sua cultura e a sua gastronomia, entre serras, miradouros e montes, numa paisagem ímpar, berço de poetas, escritores, pintores, músicos e outros tantos artistas, cuja sensibilidade e obra também se explicam pela região onde nasceram e cresceram.

Mondim de Basto

O périplo enogastronómico inicia-se no Restaurante Céu da Boca bistrô, em Mondim de Basto. Se passar por lá, prepare-se para uma viagem aos anos 50, 60, num espaço repleto de detalhes únicos que o tornam verdadeiramente exclusivo, aconchegante e especial.

O restaurante, de cozinha tradicional de autor, não tem menu, sendo os pratos uma partilha de petiscos, sempre com produtos da época. Um conceito inovador, que apresenta «o sabor tradicional português com a alma de quem gosta de cozinhar», numa refeição preparada na hora, que combina os melhores ingredientes e se traduz em pratos simples e verdadeiros, harmonizados com o melhor vinho verde.

O toque final de quem sabe (e gosta) de cozinhar torna cada petisco singular: da lousa de cogumelos recheados, pimentos, melão e presunto, pataniscas e tiras de frango com molho agridoce, cuidadosamente ornamentada, aos secretos com ananás, da alheira com puré de maçã: uma combinação excelsa digna do palato (céu-da-boca) às bochechas com puré de abóbora e feijão verde. O manjar rega-se com o vinho verde Quinta da Raza Alvarinho Trajadura, Grande Escolha 2021, um vinho elegante e equilibrado, cuja frescura e sabor frutado acompanham na perfeição os petiscos servidos.

A sobremesa - milhos e doce caseiro de chocolate - é regada com um Dom Diogo Padeiro, um vinho verde rosé produzido pela Quinta da Raza, cujo aroma a frutos silvestres e o sabor intenso combinam com a doçura dos pratos.

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Restaurante Céu da Boca bistrô. créditos: Paulo Soares

Cabeceiras de Basto

 A Casa da Tojeira, em Cabeceiras de Basto, próxima paragem nesta viagem, é uma combinação de tanto, que quase faltam palavras.

A mansão do século XVII, que alberga atualmente sete quartos; a herdade de sete apartamentos com kitchenette; os vinte hectares de vinha, com castas alvarinho, trajadura, loureiro (casta protegida na região de vinhos verdes), azal, arinto, chardonnay, vinhão, padeiro de basto, pinot noir, entre outras; as experiências enoturísticas, das provas de vinho aos menus de degustação; o espaço de eventos, são alguns dos aspetos que engrandecem o espaço, com uma paisagem de verde a perder de vista.

A casa da Tojeira, produtor de vinho verde branco, tinto, rosé e espumante, tem apostado em experiências turísticas de curta duração, que o espaço e a vinha permitem, entre jantares vínicos, dia de portas abertas, caminhadas e tours culturais e sunsets, para além da aposta no turismo local, com ocupação que ronda os 95% nos meses de julho a setembro, proporcionado pela mansão e pela herdade e potenciado pelas características únicas do espaço e da região.

As propostas enoturísticas passam por um menu de degustação que inclui não só a refeição harmonizada com vinhos verdes e espumantes, como também visitas às vinhas e à Casa da Tojeira, que conta com museu de armamento e capela. 

Acrescem ainda as diversas provas de vinhos, de experiências premium à exclusive, em provas onde o vinho verde branco Tojeira e o vinho verde Rosé Tojeira imperam, acompanhados dos produtos regionais, das tostas com mel ou das sopas de vinhos, que apuram sentidos.

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Casa da Tojeira. créditos: Paulo Soares

O Paço Restaurante & Garrafeira, em Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto, abre as portas não só às principais regiões vinícolas de Portugal, onde o vinho verde é (obviamente) rei, com uma espetacular garrafeira e um lobby distinto, complementados por salas de jantar espalhadas pelo enorme espaço.

As propostas gastronómicas, servidas em louça de ferro fundido e bases de madeira, passam pelo arroz de grelos com polvo panado, pelo bife de vitela com batata frita, com entradas exímias, dos camarões às favas, do presunto aos cogumelos e finda com sobremesas celestiais, das rabanadas ao doce de noz, do tentúgal à explosão de chocolate, sem esquecer os codornos.

Ao longo da experiência gustativa os vinhos verdes, branco alvarinho e arinto, para as entradas, tinto vinhão para os pratos de carne e rosados para as sobremesas, numa harmonização e adaptação ideais.

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Paço Restaurante & Garrafeira. créditos: Paulo Soares

Celorico de Basto

O cartão de visita de Celorico de Basto passa pela Quinta da Chouza - Agroturismo e Enoturismo. Um espaço paradisíaco, com enoteca, adega, alojamento, piscina e praia fluvial, com barco e uma vinha com produção de cerca de 9000 garrafas ano, de Chão do Rio, com castas arinto, alvarinho, trajadura, padeiro, em verdes e rosés, escolha e premium.

O espaço, atravessado por ribeiro, conta com três casas independentes, dois deles em moinhos totalmente recuperados, e ainda a casa principal, com três quartos e casa de banho privativa e convida ao descanso, entre vinhas, bosque e jardins. A água vai correndo harmoniosamente e produz sons de embalar, que espreguiçadeiras e camas de rede sustentam, para um repouso retemperador.

Os vinhos Chão de Rio ali produzidos, numa vinha com 5,4 hectares, distinguem-se pela elegância e harmonia, resultado de um terroir único e de um processo de vinificação que alia modernidade e tradição, numa adega totalmente renovada, com crescimento à vista para produção de um espumante Chão de Rio.

A enoteca/sala de provas da Quinta da Chouza acolhe provas comentadas, uma prova vertical dos vinhos Chão de Rio, entre outras iniciativas levadas a cabo para divulgação do vinho, complementadas como visita à quinta, à vinha e as suas castas e à adega, com momentos vínicos que se pretendem exclusivos e enriquecedores.

 As experiências vínicas podem ser aliadas com degustação dos produtos típicos da região, onde não faltam os enchidos e queijos ou os produtos em torno da Camélia. Nota ainda para as experiências turísticas que a paisagem envolvente proporciona, como trilhos dos miradouros ou atividades de rafting/canyoning, que provam que o vinho verde combina com todas as propostas.

Ainda a propósito das Camélias, Celorico de Basto é conhecido pelos seus jardins de camélias (ou japoneiras) e «capital da camélia», com festa dedicada há 17 anos, no terceiro fim de semana de março, num mês dedicado à temática. Entre camélias de chá e camélias ornamentais que abundam nos solares de Celorico, com uma arte ancestral, surge o doce a flor de camélia, que tem por base a massa do pão-de ló regada com licor de camélia e outros doces ou ainda o uso da flor em inovadores produtos de cosmética.  

Celorico de Basto pretende, aliás, reformular a sua marca para “Capital das Camélias e Solar de Vinhos Verdes”. Um brinde ao Verde!

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Quinta da Chouza - Agroturismo e Enoturismo. créditos: Paulo Soares

Amarante

O centro histórico de Amarante é, por si só, uma ótima razão para visitar a cidade. 

Potenciam a visita os afamados doces conventuais harmonizados com vinhos verdes da Região Demarcada de Vinhos Verdes, onde as lérias, os foguetes, os papos de anjo, o bolo de S.Gonçalo ou as Brisas do Tâmega se regam com o vinho velho Quinta da Calçada, a «parcela mais antiga da região dos Vinhos Verdes»

«Setembro da abundância…

Velhice que parece nova infância

São Miguel das vindimas, sol divino.

negros frutos do nectar purpurino»

Teixeira de Pascoaes

Resende

A Quinta do Outeiro, uma pérola junto ao rio Douro, com cinco hectares de cultivo, oferece várias opções de alojamento, numa propriedade com vinha, olival, bosques, capela, adega e jardins, com propostas turísticas premium, num espaço que esteve em obras durante sensivelmente 15 anos, para remodelação e reestruturação dos edifícios adjacentes e da casa principal e foi inaugurada em 2014.

A casa principal alberga cinco suítes com serviço de pequeno almoço incluído. A Quinta prevê em breve abrir um restaurante, para comodidade dos hóspedes, mas aberto ao público em geral. O espaço conta ainda com três casas separadas, com lotação para seis pessoas em duas delas e 10 pessoas, na outra, permitindo fechar uma das casas em quartos individuais.

A Quinta apresenta ainda o Salão Rocaille, um espaço majestoso para grandes eventos, onde o requinte e a modernidade se aliam.

Uma nota muito especial para o jardim histórico, datado de 1906, com canteiros e relvados cuidadosamente concebidos, com um miradouro, uma gruta e um lago que o tornam num espaço bastante distintivo, revestido em alguns locais com calçada à portuguesa.

Os vinhos Rocaille, nome de origem francesa numa alusão aos jardins históricos da Quinta, são produzidos desde 2016, com produção influenciada pela localização da vinha, entre a Região Demarcada dos Vinhos Verdes e a Região DOC Douro. Os vinhos Rocaille são vinhos de elevada qualidade, numa combinação de castas roriz, sousão, sauvignon, syrah, chardonnay, arinto e loureiro, com produção anual de aproximadamente 30 000 garrafas.

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Outeiro Rocaille. créditos: Paulo Soares

O cuidado no processo de vinificação, com equipamentos e técnicas estudados e aplicados ao mais ínfimo pormenor, resultam em vinhos “ricos em aromas e sabores”.

Uma passagem por Resende implica a prova das famosas cavacas de Resende, com festa anual das cavacas, doce típico com primeira referência em 1890, com uma lenda associada à sua origem, que inclui um bolo guardado no tempo, partido e regado, mais tarde, com calda de açúcar, farinha e água para o tornar mais macio. O doce é cozido em forno a lenha e partido à mão. Para harmonizar um vinho verde branco Fontaltas Namora ou um vinho rosé Encostas do Formigal, numa combinação de regiões demarcadas que se cruzam em Resende. Nota ainda para as cerejas de Resende, com festival dedicado, no fim de maio ou início de junho e produtores de cereja que promovem uma série de atividades em torno deste fruto, incluindo a participação na apanha da cereja.

Baião

A Pensão Borges, em Baião, com deliciosos pratos regionais, carece de visita com tempo para degustação dos pratos típicos que preservam o sabor natural, numa experiência gastronómica ímpar.

As entradas, de peixinhos da horta, cogumelos recheados, alheiras, pastelão de salpicão e bolinhos de bacalhau regam-se com um rosé Duas Margens cuja tonalidade e sabor casam na perfeição com os petiscos.

O anho assado, com batata assada e arroz em forno a lenha pode acompanhar-se com um vinho Patacão, com casta avesso, de aroma frutado e fresco. 

A sobremesa, uma mistura angelical de fruta natural e fruta assada, com bolo de amêndoa e gelado rega-se com um verde Tormes, da Fundação Eça de Queiroz em parceria com a Lima & Smith, de frescura inigualável, num aroma jovem e intenso, da sub-região de Baião.

De Baião e com rótulo da autoria do arquiteto Siza Vieira, responsável pelos projetos de restauro do mosteiro e de requalificação do adro da Igreja de Santo André de Ancede, o vinho verde Lagar do Convento, da casta avesso, é o companheiro perfeito para uma visita à Quinta, de 19 hectares, do Mosteiro de Santo André de Ancede.

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Pensão Borges. créditos: Paulo Soares

Marco de Canaveses

A viagem pelo Verde Sentido encerra-se na Quinta de Santo António, em Marco de Canaveses, um espaço de alojamento turístico, inaugurado em 2020, banhado pelo rio onde a tradição e a modernidade ocupam o mesmo espaço, para experiências turísticas únicas, que passam por passeios de barco ou piqueniques na vinha.

A Quinta possui dez vilas e doze quartos no edifício principal, com zona de restauração própria, para hóspedes e público em geral, e espaço dedicado para grandes eventos.

A vinha ocupa cerca de 1,5 hectares, dividida em quatro castas: alvarinho, arinto, loureiro e fernão pires e conta ter produção própria para consumo na Quinta, no próximo ano e uma adega a construir a breve trecho, num projeto que aposta essencialmente no enoturismo.

O restaurante Olivietto e o Foz Hotel Bar são dois dos espaços abertos à comunidade, com o melhor da cozinha duriense, sempre harmonizada com os vinhos verdes da região.

Tchim, Tchim, Ao Verde!

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