Começamos a nossa aventura com um passeio de barco pelo Parque Natural do Tejo Internacional, com Portugal de um lado e Espanha do outro. Embarcámos no cais de Malpica do Tejo num barco da Beira Baixa Inesquecível, e fomos deslizando pelas águas calmas deste rio intemporal, ladeados de azinheiras e sobreiros. Com a ajuda de um binóculo e de um guia conhecedor vamos observando as aves que por aqui habitam como a águia-imperial, o grifo, o abutre-do-Egito, a pega-azul, a cegonha-preta, o guarda-rios, as poupas e as cotovias, entre outros.

Na água, são várias as espécies de peixes que por aqui vivem, a par de uns lagostins pequenos, que fazem as delícias dos comensais dos dois lados da fronteira.

Uns lagostins, cujo sabor pudemos comprovar bem perto, na Tasca da Maria Faia, nome inspirado na música de Zeca Afonso, que homenageia as valentes e trabalhadoras mulheres da região. Aqui, para além destes singulares lagostins, pode provar umas migas com peixe do rio frito ou uma mista de carnes grelhada, e para sobremesa, uma tigelada típica (diferente da de Abrantes).

À tarde, continuamos o passeio até Cebolais de Cima onde está instalado o MUTEX – o Museu dos Têxteis de Castelo Branco, um dos mais recentes museus da região e também dos mais interessantes. Rico exemplar da museologia industrial, o museu está instalado numa antiga fábrica de lanifícios - “Empresa de Cardação e Fiação da Corga Lda., datada dos anos 50 do séc. XX -, e preserva a memória do trabalho e dos operários que por aqui passaram.

MUTEX – o Museu dos Têxteis de Castelo Branco
MUTEX – o Museu dos Têxteis de Castelo Branco

O museu é composto por um espaço onde foi preservado a maquinaria original da firma, que contempla as fases de produção relativas à cardação e fiação, toda ela ainda a funcionar, e apta para demonstrações, gerando uma interatividade rica com os visitantes, tornando-o muito atrativo e interessante, especialmente os de palmo e meio. O museu inclui ainda oficinas de restauro e manutenção das peças e das máquinas. Este é, sem dúvida alguma, um dos museus e pontos de atracção mais interessantes e ricos da região.

Para o segundo dia da nossa visita preparámos um roteiro mais cultural e dedicado às tradições da terra, onde os têxteis, a fiação e a produção da seda ocuparam em tempos um papel de destaque.

Começamos o passeio pelo alto, no Castelo Templário que vigia a cidade, O Castelo de Castelo Branco foi construído em 1220 pela Ordem dos Templários, e faz parte da Linha de defesa da Raia ou Linha do Tejo, a par do Castelo de Almourol, do Castelo de Monsanto, do Castelo de Pombal, do Castelo de Tomar e do Castelo do Zêzere. Da construção original resistem o Torreão Românico, a Torre gótica, a Igreja de Santa Maria do Castelo e o Arco. Daqui podemos observar toda a cidade, até onde os olhos permitirem.

Castelo Branco
Centro histórico de Castelo Branco

Descemos depois até à zona histórica cidade, onde se encontra por exemplo a Sé de Castelo Branco, também conhecida como Igreja de S. Miguel, que remonta ao século XIII/XIV; e embrenhamo-nos pela zona antiga, que remonta até à Idade Média, e descobrimos as ruas e o casario quinhentista, caracterizado pelo estilo Manuelino “pobre” ou “popular”, onde ficam os famosos Portados Quinhentistas. Da época resistiram até aos dias de hoje os lintéis dos portados e das janelas, em alto e baixo-relevo, que indicavam o ofício ou estatuto económico e social do morador.

Continuamos o passeio e vamos até a um dos principais pontos de atração da cidade, o Jardim do Paço, um dos jardins mais ricos e bonitos de todo o país, também conhecido como Jardim de S. João Baptista – de estilo Barroco, mandado construir pelo bispo da Guarda, D. João de Mendonça, cerca de 1720, depois da sua chegada de Roma, onde vivera três anos. Dividido em quatro partes: entrada, o patamar do buxo, o jardim alagado e o plano superior, sobressaem aqui as estátuas dos deuses, dos santos e anjos, dos signos, estações do ano, e os lagos. Este é certamente um dos locais incontornáveis da cidade.

Jardim do Paço
Jardim do Paço

Contíguo ao Jardim fica o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, criado em 1910 pelo arqueólogo de quem recebeu o nome, e detentor de uma rica coleção arqueológica, Arte Têxtil, para além de peças de arte sacra, etnografia e mobiliário. Se tiver tempo, o museu merece definitivamente uma visita.

E terminamos a nossa visita de hoje pelos museus da cidade no Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, o ex-libris da cidade, inaugurado em 2017. Esta é uma visita obrigatória, aqui aprendemos e ficamos a saber todo sobre os famosos bordados e colchas da região.

Bordado de Castelo Branco
Bordado de Castelo Branco

O Bordado de Castelo Branco é feito em tela de linho artesanal e bordado com fios de seda de cores vivas com pouca torsão. Os seus desenhos têm uma simbologia própria como a Árvore da Vida, os pássaros, os cravos, as rosas, os lírios, a peónia, o lótus, o crisântemo, o botão de ameixieira, a túlipa, as romãs ou os corações, de estilo naturalista

O museu está instalado no Domus Municipalis, antiga Casa da Vila, antiga Cadeia e, mais recentemente, Biblioteca Municipal, situado na Praça de Camões, ou Praça Velha, que delimita a Zona Histórica, de traça medieval, e a cidade nova, e acolhe a área museológica, uma loja, e a Oficina-Escola de Bordado de Castelo Branco, onde é possível ver a trabalharem algumas das mais aptas bordadeiras.

Museu da Seda
Museu da Seda

Se tiver tempo nestes dois dias sugerimos ainda que visite o Museu da Seda – matéria prima utilizada nas telas e linhas dos Bordados de Castelo Branco, onde é possível aprender sobre a história da produção de seda em Portugal, o ciclo de vida do bicho da seda, as aplicações convencionais e de tecnologia de ponta, nomeadamente ao nível da biologia e da medicina.

Para visitar há ainda o Museu Cargaleiro, instalado no Solar dos Cavaleiros (na zona antiga), com pintura, cerâmica, escultura, azulejaria, e tapeçaria do artista português.

E para terminar, não deixe de passar na Casa da Memória da Presença Judaica, que homenageia a antiga comunidade judaica que viveu na cidade e contribuiu fortemente para o desenvolvimento comercial e económico da urbe e um tributo à memória de todos os que foram perseguidos ou mortos à mão da Inquisição.

No segundo dia pela cidade, recomendamos uma visita ao Restaurante Palitão (que fica na Avenida de Espanha), um espaço pequeno mas muito agradável, quer pelo ambiente, quer pelo pessoal simpático e prestável, e é claro pela comida. Começamos a refeição com um rodízio de entradas, entre as quais se destacam uns saborosos ovos com farinheira, uma salada de tomate, entre outras. Seguimos depois para os pratos quentes, e aqui escolhemos uns saborosos Secretos de porco preto, Plumas e Abanicos, se preferir carne de vaca peça um Bife da vazia que vem acompanhado com diversos molhos. Para acompanhar é escolher o que lhe vão passando pela mesa: batata frita, arroz de feijão, arroz branco, feijão preto… um verdadeiro rodízio. E para terminar, deixe-se tentar pelo mousse de chocolate Caffarel, a Tarte de requeijão, o Bolo rançoso, o Manjar de Abade, o Toucinho do céu, Sericaia, entre outras iguarias. A garrafeira do espaço é bem variada, com exemplares de várias regiões do país, de gama média, média alta, o difícil é escolher.

Para descobrir mais sobre a cidade e sobre o que visitar na região pode ver aqui.

Depois desta sugestão, só falta mesmo fazer as malas e partir à descoberta, bom passeio!

Reportagem de Elsa Furtado (Texto e Fotos)

O C&H agradece à Câmara Municipal de Castelo Branco e ao Hotel Tryp Colina do Castelo

Artigo originalmente publicado em Canela e Hortelã

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