O diretor Leo Pakarati e a produtora Paula Rossetti, autores do documentário "Te Kuhane o Te Tupuna" - O espírito dos ancestrais, lançaram uma campanha para recuperar o Hoa Haka Nana'ia, uma das estrelas do museu britânico, que em língua rapanui (dos habitantes nativos da Ilha de Páscoa) significa "amigo roubado ou escondido". A campanha foi lançada depois das reações do público ao documentário.

O moai de Londres, um gigante esculpido em rocha, com 2,5 metros de altura e com cerca de quatro toneladas, foi construído em algum momento entre os séculos XI e XV. Foi retirado de Orongo, uma aldeia cerimonial, onde travava o ímpeto das ondas.

Nas suas costas, junto aos entalhes de remos de pá dupla, símbolo de poder, e vulvas, símbolo da fertilidade, estão esculpidos representações do homem-pássaro, o que o situa numa época de evolução para o sincretismo religioso da ilha, onde os primeiros habitantes, navegantes polinésios, chegaram entre os anos 800 e 1000.

Ilha de Páscoa
créditos: Pixabay

Segundo a tradição rapanui, os moai e os objetos sagrados eram animados pelo 'mana', uma força espiritual que protegia a tribo, atribuída a todos os chefes e pessoas importantes da comunidade. "Uma forma de recuperar o 'mana', para devolver o bem-estar à ilha, é trazer o espírito do Moai Hoa Kaka Nana'ia de volta a sua terra", é explicado no documentário.

Pakarati e Rossetti já recolheram mais de 500 assinaturas na ilha e aguardam "outras tantas que devem chegar do continente", informou a produtora à AFP.

Mais de 4.000 objetos extraídos

Embora estejam conscientes de que não é uma tarefa fácil recuperar os mais de 4.000 objetos da cultura rapanui espalhados por museus do mundo e coleções privadas, os promotores da iniciativa esperam que, com as assinaturas, o "Estado chileno faça a petição formal" para recuperar seu património.

Além do British Museum, o Quai Branly de Paris também conta com um moai. "Acho que é difícil que voltem", admitiu Rossetti. Principalmente porque nem todos concordam com o casal. Há uma corrente de opinião na ilha que considera que estas figuras imponentes e frágeis "estão melhor cuidadas" nos museus estrangeiros.

Os Moai Aringa Ora, como são chamados no idioma original, que significa "rosto vivo dos ancestrais", são a "memória, a recordação" dos antepassados, diz a produtora.

Dos cerca de 700 moai encontrados na ilha, poucos estão inteiros. A erosão marinha, a passagem do tempo e o vandalismo fizeram estragos na imagem mais universal da Ilha de Páscoa, situada a seis horas de voo de Santiago, a cerca de 3.500 km do continente.

Ilha de Páscoa
créditos: Pixabay

No sítio onde eram retiradas as pedras para os moais, Rano Raraku, localizada no sudeste da ilha, ainda restam 400 unidades em diferentes fases de elaboração, como se os escultores tivessem terminado o trabalho abruptamente, por volta do ano 1600.

O transporte, um mistério

Com que instrumentos contaram os nativos para transportar por toda a ilha esses blocos que chegavam a pesar, nalguns casos, até 90 toneladas?

Quase todos estão colocados ao longo da costa desta ilha triangular que é o cume de uma cadeia montanhosa subaquática, situada no meio do Pacífico sul.

Às vezes em grupos, outras solitários, os moais sobre pedestais ou plataformas quase sempre olham para o interior da ilha, como guardiões de um passado que se mantém omnipresente, apesar do turismo de massas. Cerca de 95.000 pessoas chegaram no ano passado a esta ilha de 6.500 habitantes.

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