O principal motivo pelo qual as companhias aéreas pedem para os dispositivos eletrónicos serem desligados ou colocados em modo avião durante os voos é para evitar a interferência potencialmente perigosa entre os sinais desses equipamentos e os sistemas eletrónicos a bordo. Como esses aparelhos se ligam à internet e aos serviços de telefonia móvel através de ondas de rádio, poderiam interferir com o cockpit, sistema de radares e com as comunicações dos pilotos entre eles e entre o avião e o exterior.

No entanto, nenhum avião sofrerá um acidente por alguém se esquecer de desligar o telemóvel. Na verdade, uma pesquisa revelou que quatro em cada dez passageiros nos Estados Unidos admitiram nem sempre desligar os aparelhos eletrónicos nos aviões. As companhias aéreas, os reguladores de segurança e até os fabricantes de aeronaves partem do princípio que em cada voo há uma percentagem de dispositivos que estão fora do modo de avião.

Não há nenhum registo de acidente aéreo que tenha sido provocado por interferências desse tipo, no entanto, as causas de alguns acidentes podem ficar desconhecidas para sempre. A caixa-negra pode não identificar que um sistema falhou por causa da interferência eletromagnética dos aparelhos dos passageiros e há vários casos que demonstram que os riscos têm que ser encarados com seriedade e é necessária  precaução.

James Reason estabeleceu um precedente na explicação dos fatores de risco que foi chamado de Modelo Queijo Suíço. No setor aéreo, existem muitas barreiras de segurança para evitar acidentes e, de acordo com o modelo de Reason, cada uma delas é representada por uma fatia de queijo. No entanto, esses elementos não são perfeitos e possuem falhas e fraquezas, que são representadas como os buracos de um queijo suíço.

queijo suíço de reason
créditos: Wikimedia Commons

Quando essas fraquezas se alinham em todas as fatias criando um "buraco" comum em todas as camadas, é quando o acidente acontece.

Esta é uma das razões pela qual a aviação é mais segura do que viagens rodoviárias, do que atravessar a rua ou até ficar em casa (o número de acidentes domésticos é muito maior): o setor aéreo trabalha com muita cautela, onde prevenir nunca é demais e se eliminam ao máximo os "buracos do queijo".

E as companhias aéreas que oferecem Wi-Fi?

Algumas companhias aéreas como a Norwegian oferecem Wi-Fi gratuito a bordo das aeronaves desde 2011, outras cobram o serviço por um preço exorbitante e oferecem uma ligação muito ruim. Como ficam as interferências nesses casos? Foi necessário superar um rigoroso processo de testes, antes das redes Wi-Fi chegarem aos aviões. Através desses testes, foi gerada interferência eletromagnética suficiente para simular um avião cheio de dispositivos variados, desde um livro eletrónico a um telemóvel ou um computador.

Obviamente, todos os aviões passaram no teste com uma grande margem de segurança e, atualmente, o Wi-Fi não representa nenhum perigo para a segurança de um voo.

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