Primeiro passo: poupar antes de partir

Sabia que todo o dinheiro fruto de um ordenado mínimo nacional que pudesse poupar iria ajudar nos primeiros meses de adaptação. Também não queria preocupar ou necessitar da ajuda financeira da família — ainda que tivesse o seu total apoio.

Li blogs, assisti a vídeos no YouTube e considerei uma ou outra resposta do Google sobre qual a melhor cidade para viver e trabalhar na Austrália. Quase optei por Sydney. Não por ser uma cidade grande, que por si só não me atrai, mas por ser um lugar onde residem oportunidades e portugueses. Além disso, quem não tem a famosa imagem da Opera House em celebração de ano novo na sua mente?

Também aderi a dois grupos de Facebook: um de portugueses e outro de brasileiros na Austrália e continuei com o apoio da agência que tinha contratado para abrir a conta bancária e conseguir o TFN (como vos disse aqui). Reforço a ideia de que não têm de fazer isto antes de chegarem ao país, é um processo simples e não muito demorado.

Sobre a escolha do destino, obtive uma resposta honesta sobre ser uma decisão pessoal. Afinal, o que valorizas? O que pretendes desta aventura? Estar no centro de uma cidade rodeada de negócios, empresas, todos os serviços de fácil acesso, transporte público impecável, com diversas oportunidades de emprego inclusive na tua área de estudos, ou queres estar à beira mar e usufruir de uma vida mais tranquila numa cidade mais pequena? Respondendo a isto, descartei Sydney como primeira opção.

Tomar decisões traz-nos ansiedade, às vezes, parece tão difícil e avassalador que quase nos vemos a querer que alguém decida por nós. Mas querias mesmo que alguém decidisse o rumo da história por ti? Respira e continua passo a passo.

Dicas para quem quer viver na Austrália
Sydney créditos: Liliana Almeida

Reservar e planear o voo

Neste ponto, entra o segundo plano da equação. Abordei a Rita sobre se tinha decidido para que cidade iria voar. “Espera, quem é a Rita? Não ias sozinha?”.

Conheci a Rita no exame Ielts, no Porto. Na última fase da prova, dividimos o mesmo banco enquanto esperávamos a avaliação da oralidade. No curto período, houve somente tempo para saber que estávamos no mesmo barco: conseguir o visto W&H Austrália. A Rita foi chamada para fazer a prova e eu, na minha espontaneidade (sempre), entreguei um papel com o meu email à sua amiga para que pudéssemos falar mais sobre o assunto se ela assim quisesse.

Nunca nos encontrámos até ao dia da viagem. Trocas de emails, partilha de informação e expetativas até que decidimos iniciar esta jornada juntas.

Viajar com um desconhecido é um tremendo mergulho às escuras. Mais desafiante do que qualquer exemplo de relação que tenhamos, pois vais compartilhar a tua vida, a forma de ser e privacidade com alguém que não conheces nada. É desconfortável e de um potencial crescimento pessoal incrível. Um dia conto-vos, em jeito de homenagem, as peripécias, alegrias e lágrimas desta história. Duas mulheres que, viajando sozinhas, se acompanharam uma à outra.

Fez sentido a ambas planear a viagem para o final de dezembro ou início de janeiro, o que significava aproveitar o Natal com a família, fugir do inverno português e aterrar no verão da Austrália.

A estação do ano em que viajas tem de ser considerada no teu plano. Pois, e de uma forma resumida e simples, no verão australiano, tu vais encontrar uma melhor precisão meteorológica no sul do país acompanhada da época alta ideal para encontrar emprego sazonal nas áreas do turismo e restauração. Enquanto que, no inverno, o ideal é fugir do frio do sul e conhecer o norte do país onde será quente e não tão húmido (o norte no verão é muito húmido, verás muitas pessoas a não querer viver lá as famosas wet season). E sim, é verdade. Aqui está a forma de viveres sempre de t-shirt na Austrália, se te dispuseres a viajar pelo país ao ritmo das estações (secas e húmidas).

A Gold Coast foi então a eleita. O nome dá um bom indício a par de uma imaginação fértil sobre mim de pele dourada numa prancha a aprender a surfar  e a viver numa casa de frente para o mar. Feito. Poderíamos então avançar com a reserva de alojamento e voos.

Recomendo que comparem os preços usando o Google flights e o Skyscanner (um dia explico como encontram as melhores combinações de preços) e reservem as primeiras duas semanas num hostel de forma a conhecer o lugar, verificar se vos faz sentido viver lá e, depois, procurar outras soluções.

Eu viajei a 29 de dezembro de 2019, à data não era tão difícil a parte de encontrar alojamento como acontece agora pós- COVID. Parece óbvio o que vou escrever, mas confirma os teus dados, horas e datas de tudo que reservares. Pois aqui a “Lili” no seu regresso teve a habilidade de marcar para o mês errado numa altura em que vos juro é tão mais fácil encontrar trabalho do que quartos. Isso trouxe consequências como escolher entre “pagar um rim” por umas noites num Airbnb ou dormir na rua por não haver alojamentos baratos disponíveis.

O que não pode faltar na mala

O meu próximo passo foi marcar uma consulta do viajante. Se é essencial para viajar para a Austrália? Não. Contudo, recomendo, especialmente se fores para países menos desenvolvidos. Mediante o destino, o médico indica potenciais riscos para a saúde, receita medicamentos que possam ser úteis ou mesmo vacinas.

Todos os medicamentos mais utilizados por nós sem receita médica, como analgésicos ou anti-inflamatórios são muito fáceis de comprar por cá. Assim como marcar uma consulta num médico de medicina geral no caso de necessidade, como por exemplo, a pílula anti-contraceptiva, ao contrário de Portugal, aqui é exigida receita médica para a compra. O que me leva a outra dica fundamental: se viajares com medicamentos traz a receita de todos sem exceção pois pode ser te pedida quando aterras no país.

Aproveito para referir que comida é outro tópico sensível, não é aceite que entres com muitos artigos por receio de contaminação. Só por curiosidade, podes pesquisar no Google a multa que uma pessoa pagou por ter sido vista a entrar no país com restos de Mac Donald provenientes da sua escala num outro país.

Mini farmácia pronta, é hora de preparar a mala. Outra matéria senhoras, digna de um livro. Todas concordamos que se exagera e se fizéssemos a mala novamente para o mesmo destino não se escolhia 80% das coisas por motivo de não as usarmos, mesmo.

Optei por não comprar muita coisa até porque precisava do dinheiro, porém, há essenciais que não podes esquecer: transformador universal, porque as tomadas são diferentes, um cartão de débito tipo N26 ou Revolut (é muito bom para viajar seja onde for por não pagares tantas taxas e poderes facilmente manipular online), se tiveres um telemóvel antigo extra não é uma má opção, uma powerbank carregada porque nem sempre encontras tomadas disponíveis mesmo em certos aeroportos (eu sei, não faz sentido) e um coração cheio de confiança em ti mesmo.

Seja lá o que acontecer na viagem, tu tomaste a decisão e passaste à ação. Se estás neste processo, foi porque em alguma situação ou por algum motivo percebeste que era isto que querias. E mesmo que não gostes, não te identifiques e queiras voltar para casa, só o processo de planeamento, a viagem e adaptação, o pousar dos teus pés no destino já é tão enriquecedor, para não mencionar tudo o resto que vem depois.

Podes não encontrar o que procuras, não te esqueças, eu tenho vindo a mencionar que continuo na busca, mas o caminho já ninguem te tira. O caminho, esse, muitas vezes é o achado, o tesouro no final do arco íris, é o que te faz crescer e viver, e quando um dia olhares para trás e recordares todas as experiências, tu vais saber que era quando te achavas mais perdido que estavas na verdade mais vivo.

31 de dezembro de 2019, Surfers Paradise, estou aqui. Um policía tirou me uma garrafa de cerveja da mão em plena passagem de ano na rua porque no estado de Queensland é proibido beber em locais públicos. Ups, bem-vinda à Austrália.

Liliana Almeida
Liliana Almeida

A reter sobre o planeamento de viagem:

- Poupar dinheiro (mínimo de 2500€, idealmente 3500€);

- Ter em conta a estação do ano em que viajas para a escolha da cidade destino e encontrarás mais oportunidades de trabalho. Chegar antes das férias da escola australiana também é mais vantajoso nesse sentido;

- Não queiras trazer tudo na mala, aqui encontrarás tudo o que precisas e lembra te quem tem de carregar a bagagem és tu;

- Traz a receita médica dos medicamentos queue viajam contigo;

- Não te preocupes se não abrires conta bancária antes de chegares ou TFN, podes tratar de tudo cá;

- Seguro de saúde, podes contratar um online para 6 meses ou 1 ano para ficar mais barato (eu fiz com a CareMed online). No entanto, tu podes aderir facilmente Online a um autraliano quando cá estiveres, o Bupa;

- Transformador universal, powerbank e cartão bancário como o Revolut são essenciais para a maioria das viagens pelo mundo todo.

- Uma boa dose de fé, de resiliência e de capacidade para ouvir e aprender também vão ser fundamentais.

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