Escolher o visto que melhor se adequa a ti vai depender da tua idade, da intenção ou duração da tua viagem, da tua formação ou experiência profissional e por último do teu nível de inglês. Todas as informações estão no site da imigração australiana de forma simples, mais ou menos clara e com exemplos. Hoje vou descortinar o visto que elegi e usufruo, o working and holiday visa.

A abertura do concurso para candidaturas dá-se a 1 de julho de cada ano, pois na Austrália o ano fiscal compreende se entre 1 de julho e 31 de junho. Por isso qualquer alteração no processo de elegibilidade para os vistos pode ser atualizada pelo governo até esta data. É necessário ficar atento ao site do governo para saber todas as novidades e preparar os documentos.

À data que escrevi, és elegível para o W&H visa se tiveres entre 18 e 30 anos de idade (inclusive) no momento da candidatura e não viajares com nenhum dependente menor. Tens de ter formação académica de pelo menos dois anos completos de universidade (basta pedir o teu certificado de licenciatura em inglês se não o tiveres) e um nível funcional de inglês comprovado.

Entre os diferentes certificados aceites que atestem o nível de inglês, eu fiz o IELTs com a British Council School no Porto. Tem um custo de 236€, deves escolher a opção “General training” e podes reservar online. É necessário uma classificação mínima de 4.5 em 10, o que não é muito difícil. E, se tal como eu, tu fores bastante espontâneo e concorrerem ao visto ainda sem o certificado do exame, não há problema. Só tens de anexar a prova de marcação do IELTs e posteriormente, quando a imigração australiana analisar a tua candidatura, vai te pedir que anexes o certificado num prazo máximo de 28 dias. Se o teu curso superior foi totalmente lecionado em inglês pelo menos dois anos, tu não precisas de fazer nenhum exame. Para saberes tudo o que é aceite como prova de inglês funcional consulta este link.

Todas as regras variam mediante o país de origem e tendo o nosso como critério, não foi precisa nenhuma carta de recomendação e suporte à candidatura nem exames médicos específicos pois o nosso país é classificado como de baixo risco para certas doenças infeciosas. Pode, contudo, ainda assim ser requisitado se estiveste em países de alto risco durante em certo período de tempo antes da tua entrada na Austrália. Assim como te pode ser pedido o registo criminal, além de uma prova financeira exigida assegurando que és capaz de te sustentar na tua chegada e tens o suficiente para deixar o país.

Nesse sentido, a imigração pede um comprovativo bancário no valor de 5000AUD (cerca de 3500€) em teu nome. O que eu fiz não é o melhor exemplo, mas se não tiveres essa quantia podes seguir-me os passos. Eu transferi dinheiro da conta da minha mãe, transformei na minha aplicação o número de conta em meu nome, tirei uma fotografia e anexei na candidatura. Simples quanto isso. Contudo e com muita sinceridade, se tiveres essa quantia só te ajuda. Não sentes tanta pressão para conseguir um emprego num ápice, sentes-te confortável para que se algo correr mal ou mudares de ideias tens o suficiente para voltar a casa. Quanto à morada do teu alojamento é simples, reserva um hostel para uma ou duas semanas e é essa mesmo que vais usar.

Documentos recolhidos, digitalização do passaporte, fotografia tipo passe, preenchimento de formulários e estás pronto para te candidatares ao sonho australiano. O visto tem o custo de 510AUD (cerca de 326€) e permite-te durante 12 meses trabalhar neste país, não mais de 6 meses para a mesma empresa e com opção de estudares até 4 meses. Dá-te a possibilidade de renovar no máximo mais duas vezes o mesmo visto, se realizares trabalho específico nomeado pelo governo. Três anos na Austrália, se por exemplo fizeres trabalho agrícola ou na área do turismo no norte ou zonas remotas do país. Matéria que dá para um novo texto no futuro.

Convém referir que quando recebes a aprovação do teu visto tens um ano para entrar no país e os 12 meses concedidos para ficares por lá contam a partir dessa data. Exemplo prático: candidatas-te a 1 de julho de 2023, recebes o resultado a 13 de setembro de 2023 e por isso tens até 13 de setembro de 2024 para chegar ao país. Durante esse tempo é possível atualizar detalhes como o número do passaporte. Fazes a mala, poupas dinheiro e decides viajar no dia 22 de janeiro de 2024. Isso significa que podes ficar na Austrália até dia 22 de janeiro de 2025. São autorizadas ilimitadas entradas e saídas do país, por isso, sim, podes dar um saltinho a Bali ou visitar a família.

Sydney, Austrália
Sydney, Austrália créditos: Liliana Almeida

Agora pergunta ou resposta para um milhão: mas então ninguém te arranja casa e trabalho? Tens de tratar tudo sozinha?

Na verdade, podes mesmo passar por este processo sozinho, seguindo o passo a passo no website e muitos jovens o fazem. Mas se o teu inglês não é assim tão bom, não tens ninguém que te ajude, sentes insegurança ao preencher e anexar tantos documentos, há uma alternativa que foi a que eu segui: agências e agentes de imigração. Quando eu vi a tal publicidade no Instagram (que contei aqui neste texto) era da Information Planet, a quem eu paguei para me explicar isto que hoje vos escrevo, enviei os documentos e eles anexaram por mim.

Porque é que eu não fiz sozinha? Porque viajar para a Austrália foi um impulso, uma decisão espontânea. Não sabia nada destes vistos, não conhecia ninguém que tenha feito esta experiência e não acreditava que eu pudesse tratar de tudo ou que até fosse possível o fazer. Como esta agência, existem outras que te vão aparecer no motor de busca. Se vale a pena? Depende de ti, se te dá mais confiança alguém te ajudar no processo. Da minha experiência com eles, eu posso dizer que foram muito amáveis, eles têm representantes e escritórios em Portugal e na Austrália, nas maiores cidades onde podes encontrar conselhos, dicas para atualizar o teu currículo, têm alguns serviços gratuitos, podem abrir-te conta bancária e pedir-te um número fiscal-TFN (similar ao nosso NIF), divulgam ofertas de emprego por email e têm grupo de WhatsApp para partilhar informações importantes. Mas conseguir emprego, dar a cara, bater pé porta a porta, isso é contigo. Abordarei este tema no futuro, mas, garanto-te, não é difícil, é um desafio por ser culturalmente diferente de como se faz no nosso país. Mas cá estou, no meu terceiro ano de visto. E se eu consigo, tu também.

Depois deste longo texto de requisitos e certificados, eu sei, “ai, Lili, é muito complicado, tantas regras”, “tenho de ir sozinha, nem te arranjam trabalho”, “e se corre mal? ”e “sem conhecer ninguém”.  “Já tenho mais de 30 anos” ou “não tenho curso Universitário”.

Não tens de ter todas as respostas, só tens de fazer o próximo passo, aquele que está ao teu alcance. O resto vives, constróis, acertas e falhas, choras e aprendes, dás um jeito, cresces e evoluis. Arranjas soluções em vez de desculpas. Não precisas de aprovação de ninguém, pedir ajuda não é fraqueza, muito menos mudar de ideia. Os meus planos estão em constante mutação, quase todos os dias.

Se este visto é para ti? Honestamente, eu não tenho como saber.

Queres conhecer outro país? Evoluir na aprendizagem de outra língua? Não tens receio de trabalhar em áreas que talvez nunca tenhas experimentado, como servir à mesa, colher mirtilos, participar em eventos, ajudante de cozinha ou limpar quartos? Partilhar casa, alojar-te em hostels ou acampar. Comprar um carro e dormir nele, renovar uma van, trocar trabalho por alojamento ou alimentação, conhecer pessoas novas todas as semanas, mudar de emprego ou cidade a cada dois meses, perseguir o sol, aprender a surfar ou um instrumento musical, parece-te bonito só em filmes? São exemplos de realidades que vivi ou presenciei na minha jornada. Isso assusta-te?

Se eu preferia ter começado esta aventura nos meus 20 anos? Sim, claro, mas nunca é tarde, nunca é tarde para viver. Eu segui esta vontade de querer sentir. E continuo a escolher o fazer.

Sabias que podes concorrer ao working and holiday visa para países como o Japão, Coreia do Sul, Argentina, Nova Zelândia ou Tailândia, entre tantos outros? Além de este, existem vistos de estudantes ou programas de voluntariado. Não ter muito dinheiro não é impedimento. É incentivo para procurar caminhos alternativos.

Pessoalmente, eu recomendo isto aos que estão a pensar em que curso ingressar na faculdade e não sabem nada sobre o mundo ou sobre si mesmo. O mundo não está no vosso telemóvel, o mundo é vivo, viaja para descobrir. Não vão perder um ano ou talvez dois. Vão ganhar conhecimento, vão seguramente decidir com mais consciência que área vos interessa estudar depois. Recomendo aos que se julgam já velhos para isso. Não há limite de idade para viver a vossa curiosidade ou sonho. Não tenham medo de perder um emprego onde chegam infelizes, vos causa stress e não aprendem nada de novo. No pior dos cenários voltam a casa e arranjam outro emprego semelhante ou recuperam o antigo. Recomendo a todas vocês, que afinal ele não era o príncipe que pintavam, não têm a melhor amiga que alinha nesta aventura ou que não aceitam esse vazio em vós.

E as responsabilidades? Façam um plano adequado a elas. Há muitos vistos e jornadas possíveis, incluindo os adequados à experiência profissional e há falta de mão de obra especializada em certas áreas neste país, se a vossa intenção de emigração é outra. Há também uma lista de profissionais que a Austrália precisa e que muda todos os anos. Pois claro que é válido que a vossa intenção não seja de aventura ou crescimento pessoal, mas sim de seguir um caminho que têm construído profissionalmente a par da paixão por viagens. Nessa situação aconselho uma consulta com um agente de emigração que vos irá orientar nesse sentido, num visto adequado a ti ou à tua família.

A vossa jornada não é a minha. É a vossa, com todas as possibilidades e soluções que vos façam sentido. Eu apresento-vos apenas uma opção, no meio de tantas. E nada disto tem de vos fazer sentido, não somos todos iguais. Mas se a ti te faz sentir, então, diz-me, do que estás à espera?

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