Não teria maior lógica do que entrevistar a Ana Abrão enquanto fotógrafa mundialmente conhecida, luso-brasileira, no Dia Mundial da Fotografia.

O seu foco é a viagem e as pessoas como viagens em si, pois as próprias pessoas são histórias mutáveis a cada visita. A lente da Ana Abrão está atentíssima e foi isso que lhe valeu os prémios mundiais deste ano (@ana.abrao.photo) e que já reportámos em artigos anteriores. Ela ‘mistura’ paisagem, rua, retratos. E é a receita maravilhosa que nos faz mirar mais do que 30 segundos cada foto da sua galeria e do seu livro.

Numa era em que fazemos um like ou um scroll rápido nas imagens das redes sociais, o tempo que dedicamos a fotografias de qualidade implica perceber como foram produzidas. É inerente, não é totalmente consciente enquanto observadores.

Ela deixa algumas dicas:

“Compreender e dominar os conceitos básicos da fotografia".

“Escolher um tema que seja apaixonante. A motivação faz uma pessoa ultrapassar as barreiras para o crescimento".

“Buscar a excelência na técnica desta área".

“Sair do vulgar. Procurar uma abordagem nova ao tema. Introduzir elementos inovadores". Tal como esta série de fotografias abaixo, feitas em várias cidades cubanas.

O que é preciso para ter destaque?

Surpreender o observador com uma forma nova de apresentar o tema.

Produzir séries de imagens

Contar histórias através das imagens.

O nível da fotografia no mundo está cada vez mais alto. Há muitos criativos a expressar o seu talento através da fotografia. Por isto, os grandes concursos mundiais, nos últimos anos, começaram a abrir categorias onde, em vez de imagens individuais estonteantes, o artista apresenta séries de imagens. Imagens que contam uma história.

"As séries, para que tenham impacto, devem ser construídas com uma linha condutora entre as imagens. Estes elementos dão à série um sentido de continuidade e de fluidez, que acabam por ter um impacto estético. Qualquer característica pode ser utilizada como ponto de ligação como, por exemplo, a cor (ou a ausência de cores), o movimento, um elemento humano, um contexto ou um enquadramento específico, um estilo de edição, etc.".

Gosto muito quando nos fala sobre storytelling enquanto play-role na forma de fotografar. Ela é uma contadora de histórias megalómana. Pedi mais e saciou-me as questões:

“O storytelling tem um papel muito importante na fotografia. No entanto, contar uma história, numa única imagem, não é tarefa fácil. Uma grande imagem consegue contar uma história e responde, visualmente, as possíveis cinco questões que o observador pode ter: O quê? Quem? Quando? Onde? Porquê? E, não necessariamente, é preciso haver um elemento humano nas imagens para que seja possível contar uma história".

Releiam estas “estratégias”, como lhe chama a Ana Abrão, pois ela confirma que “foram estas as estratégias que utilizei e, muito provavelmente foram estas as razões de ter sido conseguido chegar à final em três concursos de prestígio mundial: "contei 11 histórias em séries de imagens e em texto, revelei o contexto.” Essas histórias estão no livro “Outros Mundos”.

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