Restam os alicerces e pequenas pistas daquilo que foram outrora. Deixados ao abandono, são hoje atrações alternativas que não deixam de atrair turistas. Ninguém diria que já foram grandes destinos de férias. O The Telegraph recolheu as histórias de cinco resorts abandonados. Fique a conhecer.

Grossinger, Estados Unidos

Belt Borscht era o nome de um conjunto de resorts que ficavam nas montanhas Catskill. Durante as décadas de 1929 e 1980 receberam milhares de turistas da cidade de Nova Iorque. Famosos pelos bailes de dança, terão inspirado o filme Dirty Dancing.

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Entre os maiores e mais famosos resorts, estava o de Grossinger, que recebia 150 mil visitantes por ano. Com a crescente acessibilidade das viagens aéreas, em 1986, a procura diminuiu e o resort acabou por fechar as portas.

Grossinger era tão famoso que tinha a sua própria pista de aterragem e um posto de correios. Foi também o primeiro resort do mundo a usar neve artificial, em 1952, para atrair praticantes de ski. O resort era frequentado por estrelas de Hollywood, como Elizabeth Taylor, e serviu também de local de treino do grande pugilista Rocky Marciano.

Grossinger
créditos: Stevenbley| CC| Flirck

Lentamente, o resort tem vindo a ser reivindicado pela natureza. A antiga piscina está rodeada de musgo e ervas daninhas, e os "hóspedes" já não são os mesmos. Hoje são artistas de graffiti e fotógrafos. Para além das instalações de ski, o Grossinger tinha campos de ténis, uma pista de patinagem no gelo, uma piscina de tamanho olímpico ao ar livre, salões de beleza, salões de festas e um campo de golfe profissional.

Grossinger encerrou em 1986 e o filme Dirty Dancing, lançado um ano depois (com ambiente dos anos 60), é visto como uma homenagem a Borscht Belt. O mesmo destino aconteceria a dezenas de outros resorts da região, incluindo o Lesser Lodge, Nevele Grande Hotel  e o The Concorde. No livro The Borscht Belt: Revisiting The Remains of America’s Jewish Vacationland, Marisa Scheinfeld fala sobre o declínio do resort.

Consonno, Itália

Consonno
créditos: Flickr| Dapog| CC

Mario Bagno, um empresário de Milão, tentou tirar proveito de um boom económico na década de 1960 e comprou a aldeia de Consonno, próxima da capital da moda. Os prédios antigos da aldeia de Consonno deram lugar a um resort inspirado em Vegas.

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Bagno queria criar a "Cidade dos Brinquedos" com shoppings, restaurantes, um hotel de luxo - e até um minarete. O empresário tencionava incluir um aeródromo e um jardim zoológico, contudo um deslizamento de terra em 1976 impediu-o.

O empresário não desistiu e reparou os danos causados pelo deslizamento. Tentou relançar a "Cidade dos Brinquedos", mas sem sucesso. O resort está abandonado desde 1995, ano em que o empresário faleceu. Desde então, Consonno atrai artistas de graffiti e é palco de raves entre jovens.

Kupari, Croácia

Kupari, Croácia
créditos: Even Harbo| Flickr| CC

Do outro lado do Adriático fica Kupari, uma cidade turística a alguns quilómetros da costa de Dubrovnik. Enquanto o seu famoso vizinho torna-se cada vez mais popular, Kupari está em ruínas e é um testemunho do período mais sombrio da história moderna da Croácia.

Kupari abriu portas aos turistas em 1919, mas teve o seu auge nos anos 60 altura em que serviu de resort de férias de membros do alto escalão do exército jugoslavo de Josep Tito.

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Milhares de oficiais e as suas respetivas famílias vinham até Kupari apanhar banhos de sol, ficando num dos seus cinco hotéis, vilas ou acampamento.

Quando a guerra estourou em 1991, o resort foi saqueado, queimado e entregue a sua sorte. Enquanto hoje os turistas disputam espaço na Cidade Velha de Dubrovnik, a poucos quilómetros da costa, os corredores de Kupari estão estranhamente vazios.

De acordo com o The Telegraph, acredita-se que Kupari consiga recuperar a sua antiga glória, até porque, e segundo informou, em 2017, o Dubrovnik Times, o governo croata andou em conversações com um investidor, o Avenue Group, para a construção de um novo resort nesta cidade. A construção poderá começar em 2019, afirmou.

Varosha, Chipre

Varosha, Chipre
créditos: Yee-Kay Fung| Flickr| CC

Antes da invasão turca no Chipre, em 1974, Varosha, ao lado da cidade Famagusta, da costa leste, era o lugar mais visitado da ilha.

Recordada como a Riviera Francesa do Chipre, Varosha viu o seu destino mudar com a invasão turca. Assim que as tropas turcas aproximaram-se, os moradores de Varosha fugiram.

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Quarenta anos após ter sido cercado por militares turcos, o resort continua encerrado. Varosha é hoje uma cidade fantasma de hotéis em ruínas e espreguiçadeiras desocupadas, que permanece fortemente vigiada pelo exército turco e por cercas de arame farpado.

Varosha não foi o único lugar do Chipre a congelar no tempo. O principal aeroporto da ilha também foi forçado a encerrar em 1974 após ter sido bombardeado.

Bokor Hill Station, Camboja

Bokor Hill Station
créditos: Patrik M. Loeff| Flickr| CC

Construído nos anos 20 como um refúgio de montanha para os colonos franceses que procuravam fugir do calor sufocante de Phnom Penh, a Bokor Hill Station consistia num hotel, casino e igreja. Este resort ficou ao abandono no final da década de 1940, durante a Primeira Guerra da Indochina, e renasceu na década de 60.

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Deixou de funcionar como resort com a ascensão do Khmer Vermelho. A partir daí, passou a funcionar como uma espécie de base militar, tendo sido um dos últimos redutos do regime antes da sua queda no final dos anos 90.

Bokor Hill Station foi uma espécie de playground para os colonos ricos, segundo partilhou Simon Worlding, uma visitante recente, ao Telegraph Travel.

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