Tudo para que quem assiste aos espetáculos seja envolvido na magia de dar vida aos bonecos. Além da sua materialidade, nós projetamos afetos e partilhamos as emoções. Só é preciso entrar no mundo da fantasia.

SA Marionetas
Os S.A.Marionetas: Natacha Pereira, José Gil e Sofia Vinagre ©SAMarionetas créditos: Andarilho

Do ponto de vista técnico, Sofia Vinagre, um dos membros da S.A. Marionetas, cita o olhar de quem está atrás dos bonecos: “para passar a magia da marioneta é importante que quem a está a manipular, mesmo que esteja à vista do público, acabe por se tornar invisível e que o foco das pessoas se centre no boneco.

Depois, quanto mais rica for a personalidade da marioneta, que é feita pela voz, pelos tiques, o próprio texto, a forma como é articulado, acaba por criar essa ilusão de que que está vivo, que tem uma maneira especifica de ser.”

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Não só ganham vida como uma personalidade. A dificuldade, aliás, é para quem está a manipular vários bonecos ao mesmo tempo e tem de criar essa personalidade em cada um deles.

Não é fácil. “O núcleo duro da companhia são três pessoas e por vezes temos espetáculos com mais de 20 marionetas. Cada um de nós tem de fazer vários personagens. Isso implica fazer vozes diferentes, os bonecos têm personalidades diferentes, tiques diferentes. O trabalho é complexo.”

Quando estão em cena vários bonecos ao mesmo tempo e é grande a dinâmica e a interação entre eles, fica-se um pouco perplexo como os marionetistas conseguem articular o movimento de cada um deles, os diálogos, a voz, a alma que é preciso dar a cada um. “É uma questão de treino. Nós trabalhamos com muitas técnicas diferentes de manipulação.

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Desde marionetas de luva, fios, varão, sombras… Parece muito mais difícil do que realmente é”. Sofia descomplica mas não me convence.

A S.A. Marionetas é uma companhia de repertório. Cria espetáculos de forma continua e são andarilhos. A sede é em Alcobaça, mas não têm sala própria. Andam por teatros e outros lugares. José Gil, outro membro da companhia, diz que cerca de 60% dos espetáculos são no estrangeiro. Em particular na Ásia e nas Américas. No final do ano passado andaram também por África. Por outro lado, os espetáculos que criam são concebidos para toda a gente.

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“Não temos o conceito de espetáculo infantil. Uma pessoa de 3 ou 80 anos pode ver a mesma peça. Sempre desconstruímos essa ideia de as marionetas serem um tipo de teatro para gente mais nova. Aliás, a génese deste tipo de teatro foi para adultos.”

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Como quase todo o processo criativo é da autoria da companhia, desde a construção das marionetas à encenação e aos textos, têm liberdade para se adaptarem à assistência. “Há margem para algum improviso. Estamos sempre atentos à resposta do público o que nos permite falar diretamente com alguém da assistência. Temos espetáculos que vamos ao público buscar pessoas para interagirem com as marionetas. O nosso propósito é que as pessoas saiam bem-dispostas.

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Noutros casos, como no grandioso Lúmen, a envolvência ainda é maior porque exige um espaço amplo e uma construção cénica que engloba quem assiste ao espetáculo.

O resultado deste trabalho é a continuidade do projeto como companhia profissional e a distinção com cerca de duas dezenas de prémios a nível nacional e internacional.

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O percurso profissional da S.A. Marionetas coincide também, nos últimos anos, com uma renovação do teatro de marionetas. Pelo que diz José Gil, há excelentes companhias em Portugal e o interesse do público também tem vindo a aumentar.

Por último, refira-se que José Gil também faz teatro com D. Robertos.

Os manipuladores do nosso encanto pelas S.A. Marionetas faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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