Apenas a três quilómetros da cidade da Figueira situa-se o Parque Florestal da Serra da Boa Viagem, uma área com cerca de 400 hectares de enorme valor ambiental, paisagístico mas também arqueológico. É um espaço de eleição para os amantes da natureza que ali se deslocam para passear, correr, andar de bicicleta, praticar desportos ao ar livre ou observar a fauna e a flora. Dotada de uma floresta essencialmente constituída por pinheiro-bravo e cipreste-português e onde o Tojo e a Urze abundam, a Serra da Boa Viagem oferece inúmeros caminhos pedonais bem como vários circuitos cicláveis. Existem diversos equipamentos de usufruto público associados a atividades desportivas e de recreio, tais como parques de merendas e parques infantis, bem como informação ambiental. Dentro do parque encontram-se também algumas construções como as antigas casas dos guardas florestais, a capela de Santo Amaro, o edifício do Abrigo da Montanha e o Farol do Cabo Mondego, construído no século XIX. Um lugar obrigatório é o Miradouro da Bandeira onde, em dias de céu limpo, é possível avistar as praias de Quiaios, Tocha e Mira.

Mar, Figueira da Foz
Mar, Figueira da Foz créditos: Amilcar Pereira | Dreamstime.com

O Cabo Mondego fica na ponta ocidental da Serra da Boa Viagem que aqui termina a pique, sob a forma de falésias que irrompem mar adentro. Mas muito mais do que um cenário dramático, o Cabo Mondego encerra em si um enorme tesouro geológico, de valor científico reconhecido a nível internacional. Considerado Monumento Natural, o afloramento do Cabo Mondego é reputado como o maior afloramento (de calcários, margas, arenitos e argilas) do Jurássico, da Europa. Isto significa que é um importante testemunho para a compreensão da história geológica do planeta Terra, uma vez que ilustra importantes episódios ocorridos durante o Jurássico, num período que está compreendido entre os 185 e os 140 milhões de anos. Como se isso não bastasse, estas rochas milenares guardam marcas dos nossos antepassados, já que ali são visíveis icnofósseis de dinossauros, mais propriamente de pegadas de sáurios do género Megalossaurus, uma espécie de dinossauros carnívoros que chegavam a atingir os 8 metros de comprimento. As pegadas são visíveis na zona conhecida como pedra da nau, devido a uma formação rochosa que se encontra no mar e que faz lembrar um barco encalhado.

Farol do Cabo Mondego, Figueira da Foz
Farol do Cabo Mondego, Figueira da Foz créditos: Wessel Cirkel | Dreamstime.com

De volta à floresta, desta vez em plena mata nacional na zona norte do concelho da Figueira, é tempo de descobrir as lagoas das Braças, da Vela e da Salgueira, locais de abundante vegetação frequentados por diversas aves aquáticas de fácil observação, das quais se destacam várias espécies de patos invernantes. A Lagoa das Braças tem um nível de água muito variável, podendo mesmo chegar a secar completamente nos anos em que a chuva escasseia.  Quando a água é abundante, não faltam aves como os maçaricos-bique-bique e, no inverno, garças-brancas-grandes. Na vegetação que envolve a lagoa é comum verem-se toutinegras-de-barrete-preto e pequenos bandos de chapins-rabilongos e, nos pinhais circundantes, é frequente a presença do pica-pau-malhado-grande, do chapim-azul e o chapim-real. A maior e mais interessante das três lagoas é a da Vela. Ali é possível, no inverno, observar aves tais como o galeirão e o pato-coelheiro, no outono, o maçarico-das-rochas e a chilreta sterna e no verão chegam a garça-vermelha e a garça-real. Na Lagoa da Salgueira, a melhor época para a observação de aves é de outubro a maio, altura em que se pode facilmente avistar o mergulhão-pequeno, a marrequinha e a galinha-d’água. Para além de serem locais preferenciais para observação de aves, estas lagoas são também muito procuradas durante os fins-de-semana de verão como alternativa às praias da região.

Lagoa da Vela
Lagoa da Vela, Figueira da Foz créditos: Wilsonmorgado| Public Domain

Regressando ao mar, a última proposta destina-se a quem procura atividades com mais adrenalina e não dispensa o poder revitalizante da água salgada. Surf, bodyboard, windsurf, kitesurf e stand-up paddle, são alguns dos desportos que podem ser praticados nas praias da Figueira da Foz. Há, no entanto, duas que se destacam a nível internacional, uma vez que já fazem parte do roteiro dos amantes do surf: Buarcos e Cabedelo. A praia do Cabedelo tem sido escolhida para acolher diversas competições da modalidade, nomeadamente a Liga Mundial de Surf e provas do circuito nacional e regional. Localizada junto à foz do Mondego proporciona uma vista privilegiada para a Figueira da Foz e é graças ao molhe que origina ondas rápidas e ocas, que esta praia é destino de eleição para surfistas de todo o mundo. Ainda um tanto desconhecida por muitos praticantes da modalidade, a praia de Buarcos é uma praia urbana, com ondas fáceis, talhadas e com algumas secções tubulares. Apresenta uma onda com pelo menos três pontos perfeitos que se cruzam com a ondulação de direita (ondas que quebram da esquerda para a direita na perspectiva do surfista que está virado para a costa), formando uma onda verdadeiramente grande. Na verdade, a onda que ali se forma é considerada a “direita” mais longa da Europa, com cerca de uma milha comprimento.

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