Contando este ano com 35 artistas de Portugal, França e Espanha, o evento tem caráter competitivo e prevê prémios atribuídos por um júri, pelo próprio público e também por uma seleção de fotógrafos profissionais.

"Ao longo destes 20 anos de existência, o Encontro de Estátuas Vivas permitiu em Portugal que esta arte performativa ganhasse outra visibilidade, potenciando o aparecimento de novos criadores e artistas, que tiveram neste evento a possibilidade de mostrarem o seu talento e trabalho", adiantou à Lusa fonte da autarquia.

Por isso mesmo, na sua presente edição o evento adotará "um formato especial", procurando funcionar como "uma pequena homenagem a todos aqueles que ajudaram a construir o Encontro como uma verdadeira festa da criatividade".

Um desses artistas é António Gomes dos Santos, que marcou presença em todas as edições do Encontro de Espinho. "Pelas pesquisas que tenho feito na ‘net’, acho que corro o risco de ter sido a primeira estátua viva no mundo inteiro. Isto já existia no teatro clássico grego, na arte sacra medieval e no circo do século XIX, por exemplo, mas, isoladamente, só por si, parece que fui o primeiro", disse o artista.

Vivendo desta arte performativa a título profissional, mesmo que "a custo, como acontece com quase todas as artes em Portugal e ainda mais com uma marginal como esta", António iniciou-se na imobilidade expressiva nos anos 80, depois de se habituar a longos períodos de quietude na prática intensiva de yoga.

"Comecei por fazer de robot, ao estilo breakdance, ainda com pouca maquilhagem, e, logo da primeira vez, nas Ramblas de Barcelona, fui um sucesso", recordou.

Em 1988 o português já era recordista do Guiness Book of Records, por se ter mantido imóvel durante 15 horas, 2 minutos e 55 segundos, e, embora superado duas vezes por estátuas vivas da Índia, acabou sempre por retirar-lhes novamente o recorde. Só em 2003, quando o Guiness deixou de funcionar como serviço público e passou a cobrar "uns 10.000 euros" pela avaliação de desempenhos, é que deixou de recorrer a esse formato, embora tenha mantido os mesmos rigorosos critérios de apreciação, "com notário e tudo", quando bateu novo recorde: 20 horas, 11 minutos e 36 segundos de imobilidade.

O XX Encontro Internacional de Estátuas Vivas de Espinho concretiza-se em dois grandes momentos: sábado à noite ocupa o Lago da Câmara Municipal a partir das 21:30, para o "Lu(g)ar de Estátuas", onde o público poderá apreciar o trabalho de artistas premiados em anteriores edições da iniciativa; no domingo os participantes distribuem-se pelo mesmo local, mas a partir das 15:00, para a sessão competitiva de 2016.

Este ano a organização também dinamiza um espaço lúdico próprio para crianças, onde essas poderão iniciar-se na arte da imobilização expressiva "na companhia de um simpático habitante de outro planeta".

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