10 quilómetros para além de Peniche deparamo-nos com um arquipélago único.

Berlengas
créditos: andarilho.pt

Está classificado como Reserva Natural e há quase uma década a Unesco definiu-o como Reserva da Biosfera.

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A Berlenga é a ilha maior, onde atracam os barcos. Logo em rente do cais vemos a bonita praia do Carreiro do Mosteiro, o destino de muitos visitantes no verão. “A grande maioria das pessoas visita a ilha para fazer praia. A água é muito fresca, normalmente ronda os 16, 17 graus”, diz Carlos Franco, guia nas Berlengas.

A praia é uma piscina natural, um anfiteatro natural protegido por enormes arribas e a água é transparente e fria.

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O areal é um pequeno anfiteatro de areia em direção ao mar e as arribas lugar de pousio de muitas aves. Um pouco acima fica o parque de campismo e a meio da subida a pequena urbanização dos pescadores.

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O granito rosa que rodeia a praia contrasta com o verde suave da água, mas, em outras partes da ilha, a erosão provocada pelo mar criou grutas que dão novas formas ao granito.

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Há pequenos barcos que nos levam à descoberta da ilha e das grutas. “É uma das partes mais interessantes que temos na ilha. É um passeio muito bonito e que eu recomendo. Por exemplo, temos uma, a gruta azul, que durante a tarde espelha na água uma cor azul que é espetacular”.

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O tamanho das grutas varia muito e na deslocação de barco temos perspetivas de formas nas rochas esculpidas pela erosão e a percepção do interior das grutas depende muito das marés. “Temos algumas mais pequenas, durante a maré vazia é possível entrar.

Outras são apenas visitáveis na maré cheia. Temos também alguns túneis que se podem atravessar com o barco, mas no geral são grandes.”

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Forte de S. João Baptista na Berlenga créditos: andarilho.pt

Uma outra vista muito interessante com o barco é passar debaixo da ponte que liga a Berlenga à pequena ilha onde está o Forte de S. João Batista.

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Forte de S. João Baptista na Berlenga créditos: andarilho.pt

A passagem a pé pela ponte estreita de pedra é um dos lugares mais fotografados. É raro o visitante que não aproveite a oportunidade para registar o momento. Com propriedade, porque a envolvência selvagem da ilha ou a força do forte perante o mar, marcam o espírito do lugar.

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Ainda podemos ter a sorte de ver cardumes com centenas de peixes que também vão espreitar a vista na calma baía que se forma ao lado.

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O forte está numa posição avançada é um excelente miradouro. A construção remonta ao século XVII, depois da Restauração, e o objetivo era defender o reino das tentações espanholas e da pirataria como nos adianta Rui Venâncio, historiador em Peniche.

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“Piratas do Norte de África que vinham com o objetivo de capturar pessoas para os mercados de escravos, de Argel em particular, e também pirataria francesa que foi muito forte e presente no século XVI.”

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Depois de ter perdido a função militar foi abrigo dos pescadores até à década de 50 do século passado, na altura em que foi construído o pequeno Bairro dos Pescadores.

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Nessa altura, em 1953, há uma intervenção de fundo no forte e foi transformado em pousada, função que permanece até aos dias de hoje, com a gestão de uma associação local.

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O regresso ao Bairro dos Pescadores e ao cais pode ser feito a pé. Subimos até ao farol, sempre a espreitar para trás, para as arribas e para o forte. Seguimos o trilho e só à quarta-feira vale a pena ir até ao farol. É o dia em que a Marinha o abre ao público.

A vegetação é rasteira. A melhor altura para apreciar algumas flores é na primavera. Temos ainda a sorte de duas das três plantas únicas no mundo que existem nas Berlengas estarem próximas dos trilhos.

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Arméria das Berlengas © Joana Andrade créditos: andarilho.pt

São a Arméria das Berlengas e a Publicária. A Herniaria das Berlengas já é mais difícil de ver porque é muito pequena e encontra-se em zonas rochosas.

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Joana Andrade, coordenadora do Departamento de Conservação Marinha da SPEA, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, coordenou um projeto sobre o restauro do habitat da ilha Berlenga, traça outros elementos da biodiversidade do arquipélago, como por exemplo “as aves mas há também um reptil, uma subespécie de lagartixa que é única no planeta. É também o único local no continente onde nidifica a cagarra e o roque-de-castro.

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Encontramos também a maior colónia de gaivotas de pata amarela. A nível geológico tem a particularidade de num reduzido âmbito geográfico encontramos ilhas com formações rochosas diferentes. A Berlenga com granito rosa e os Farilhões com rochas metamórficas. É curioso terem uma história geológica diferente apesar de pertencerem ao mesmo arquipélago.”

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Joana Andrade e dormiu algumas semanas nas Berlengas. “É mágico, sobretudo fora do período balnear em que há grande agitação. No inverno e na primavera em que o ambiente é mais calmo, mais tranquilo, apenas com a atividade dos pescadores. Estar assim num contexto isolado é maravilhoso.”

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Em permanência vivem cerca de duas dezenas de pessoas, a maioria no bairro dos pescadores. Além da pousada no Forte, há um alojamento e parque de campismo.

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Pernoitar é também uma experiência recomendada por Carlos Franco, mas não se esqueça de levar uma lanterna. “Na minha opinião vale a pena passar aqui algumas noites, dois a três dias. Conhece a ilha durante o dia e desfruta do sossego que temos à noite. É diferente. A nível das aves, tudo o que é sons e o pessoal é muito sociável, é bastante agradável. A partir das 10h não há luz. Tem de ser com velas, uma lanterna sempre à mão. Há gente a passear, durante a noite o pessoal gosta de conhecer algumas partes da ilha. Obviamente sempre dentro dos caminhos, mas explorar um pouco mais.”

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Uma última recomendação para evitar enjoos na viagem a partir de Peniche: ou escolhe um dia sem vento, ou previna-se. No Oceano já é uma lembrança tardia.

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Berlengas: não há outra praia tão natural (e à noite passeia e dorme com luz da lanterna) faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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