O rei e a nobreza caçavam durante o dia e à noite assistiam à ópera ou ao teatro. Tudo se passava em Salvaterra de Magos, onde existia um paço real e foi construída a Falcoaria que é hoje visitável e até tem uma exibição diária de aves de rapina.

Falcoaria Real
Falcão na Falcoaria Real créditos: Who Trips

A falcoaria era uma actividade muito praticada pelos nobres e em termos gerais sempre foi um desporto de elites. Resulta de uma relação forte entre o homem e as aves há milhares de anos.

Falcoaria Real
O caparão para cobrir a cabeça das aves - ficam com menos batimentos cardíacos créditos: Who Trips

Em Portugal, esta prática foi classificada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 1 de Dezembro de 2016. A candidatura foi liderada pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos tendo em conta a existência da Falcoaria Real e o legado deixado pela coroa e pela nobreza que regularmente seguiam da corte de Lisboa para Salvaterra para caçarem com falcões.

Falcoaria Real
Falcoaria Real em Salvaterra de Magos créditos: Who Trips

Além do Paço Real havia ainda coutadas e instalações que serviam para espectáculos de teatro ou ópera.

A falcoaria em Salvaterra de Magos estava num patamar muito superior em comparação com o resto do país.
O rei contratou do melhor que havia na Europa. Vieram 10 falcoeiros da Holanda reintroduzir técnicas que ficaram esquecidas durante as décadas em que os Filipes reinaram em Portugal. Os falcoeiros holandeses trouxeram também algumas aves do Norte da Europa que eram muito apreciadas para a caça.

Falcoaria Real
Pavilhão com dados históricos sobre a falcoaria créditos: Who Trips

A vida do edifício da Falcoaria Real é um pouco o reflexo da história do país nos últimos séculos. Roberto Caneira, especialista na história da falcoaria, acompanha as visitas e com o seu enquadramento histórico temos uma visão mais profunda do espaço e da sua função desde o séc. XVIII.
Após o apogeu na época da abundância do ouro do Brasil, a Falcoaria Real passou por várias crises até chegar quase ao abandono. Uma das crises foi com as invasões francesas e a fuga da corte para o Brasil.

O edifício chegou a ser celeiro agrícola e foi adquirido pela Câmara Municipal em 1991. Foi requalificado, reintroduzida a Falcoaria Real e abriu ao público em 2009.

Falcoaria Real
Uma das aves que se pode ver créditos: Who Trips

Hoje, é um espaço visitável, o acesso é gratuito e, habitualmente, há 25 aves para encantar os visitantes. Em particular, no final dos voos. Diz o falcoeiro Rui Carvalho que é um dos momentos que despertam maior atenção.

Com os dois tipos de voo, dos falcões e das águias, as pessoas apercebem-se mais facilmente da interacção entre as aves e o falcoeiro e como se realiza o treino de uma ave.

Esta interacção não é um processo fácil, exige conhecimento e muita paciência. É preciso ter alguma experiência e a noção de que cada ave é um caso específico, que exige a adaptação de métodos e ter em conta o ritmo de aprendizagem de cada ave.

Falcoaria Real
créditos: Who Trips

O acompanhamento dos voos das aves é feito num pátio, dentro da falcoaria e com vista para um pombal muito grande, uma estrutura redonda.
Desde a sua origem que foram construídos três pombais e a razão de ser é muito simples: os falcões comem carne, não havia frigoríficos e os pombos matavam a fome das aves de rapina.

Falcoaria Real
Interior de um pombal créditos: Who Trips

É possível ir ao interior do pombal ver a forma como foi estruturado e a sua dimensão. Há redes na parte superior e hoje não funciona como pombal. Um outro, com uma estrutura quadrada, funciona como sala para encontros.

O projecto da Falcoaria real ainda não terminou. O objectivo seguinte é dinamizar a falcoaria na região e levar os visitantes a um contacto directo com os falcoeiros e as aves.

A Falcoaria é Real e património da Humanidade faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, A Falcoaria é Real e património da Humanidade, pode ouvir aqui.

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