Aqui apresento-lhe três das zonas no Mundo que não têm, mesmo, dono! Atenção: há as micronações e as terras de ninguém. Mais tarde falarei destas terras. Um dos maiores viajantes do mundo (e de alma portuguesa – Luís F. Gaspar) fascinou o meu ouvido de escritora com este outro mapa que, na realidade, está no comum atlas que nos ensinaram a mirar. De mirar passamos para ‘morar’: moraria num país sem dono? Vamos perceber melhor e fica à sua escolha qual dos destinos vai explorar.

Primeiro, Sealand é uma dessas micronações (veja na galeria): “uma entidade não reconhecida pelas Nações Unidas”. Ou seja, uma terra de todos e de ninguém. Um espaço que nenhuma entidade ninguém reconhece. Pareceu confuso? Será que alguém perdeu os cálculos a ‘colocar os marcos’ nas terras e ficaram a sobrar línguas de areia ou de mar que... terminaram sem herdeiros? Digo isto pois é muito comum colocar marcos de pedra na terra (mesmo ali no quintal atrás) e ficar um pedaço de fora que resulta nisto: quando se reúnem os donos para dividir terras e tarecos, reparam que há pedaços de terra literalmente sem definição. Sei bem do que estou a falar, já me ri disso e até a mim já me calhou a pergunta: afinal de quem é esta terra? E depois vem o conflito, mas isso é outro mapa.

Eu acho misterioso e de uma sábia complexidade haver micronações e que muitas vezes pisamos sem saber este significado e o valor do seu carimbo. Como pode Sealand, uma plataforma no mar, ser uma nação sem dono? A plataforma de betão sustentada por dois grandes cilindros que aparece de forma megalómana no Mar. Especificamente Sealand fica na foz do rio Tamisa, portanto como nos diz o grande viajante e jornalista (e arquiteto) português: “já em águas internacionais…[o que faz com que] a Inglaterra não tenha jurisdição sobre aquela plataforma que está colocada na zona internacional do mundo”. Edificada na altura da II Grande Guerra para proteger a entrada do estuário do Rio Tamisa, entretanto chegara o momento do abandono das forças militares britânicas. Saíram da plataforma, mas 33 outros militares decidiram ficar lá a viver. Até hoje. Não pagam impostos e têm uma bandeira própria.

Estes soldados assumem Sealand como um Estado soberano independente e plantado em águas internacionais. Inicialmente com rádio pirata, agora com uma Constituição, com uma equipa de futebol, com a própria moeda, com selo de correio e com passaporte! Mas se é um país não reconhecido, o passaporte não tem a validade que outro passaporte tem. Como mantêm fonte de rendimento? Luís refere que a sua visita custou cerca de quatrocentos euros, portanto todos os turistas e ávidos do mapa são boa receita de Sealand.

Chega lá como? A quinze minutos da costa inglesa, pode ir de barco e é içado por um guindaste. Caso o mar não esteja picado, tem de optar pela via aérea. São duas as formas, resumindo. Nas fotos pode observar este guindaste. E faça zoom nos dois portentos que suportam a plataforma-país e pense que na altura bélica essas duas colunas alojavam duzentos soldados.

Depois há Liberland que Luís apelida como “uma curva do rio Danúbio”. Como o próprio nome indica… uma terra livre. Vá num instantinho pois não fica longe da Croácia, ora verifique e pise estes pontos misteriosos do planeta.

Christianshavn
Christianshavn créditos: Mahlum/Wikipédia

Também na Europa, há um bairro na Dinamarca que se assume como zona de ninguém: Christianshavn. E tive o prazer de visitar esta zona que, ao contrário do que muitos julgam, é um bairro de absoluta liberdade, mas com profundo respeito. Digo isto porque quem não viaja até lá encontra informações em blogues que são irreais face à ideia de liberdade praticada na Christiania: não há drogas ilegais e são totalmente banidas. Há sim um ambiente e uma população plenamente livres. E viajando até à nórdica e inteligente Dinamarca pode ainda visitar outra zona de ninguém: Reino de Elleore. Faz-me quase lembrar os contos de fadas. Mas é real e pode visitar.

Vamos pisar mais alguns dos principais espaços quase inexplorados? Luís Filipe Gaspar (www.luisfilipegaspar.com) refere também que “há um pedaço de terra da Suécia” que diz respeito, apenas, a uma escultura que se quis demolida. Entretanto, não foi destruída e ficou a zona como um espaço “micro”. Mas e que tal sabermos mais viajando até estas plataformas semeadas no mar e na terra e pretendermos ser donos delas enquanto caminhamos sobre elas? É que nalguns dos casos pode mesmo ‘brincar’ a títulos de dono destas micronações.

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